29 janeiro, 2010

O Pastor e as Prostitutas

O INÍCIO

Tristeza São duas horas da madrugada. Uma densa nuvem formada pela neblina fria da noite de inverno envolve os prédios da grande metrópole de São Paulo. O cenário é a rua Augusta, onde as pessoas sobem e descem e os automóveis passam em baixa velocidade com os faróis e lanternas acesos, assim como estão acesos os olhos de seus condutores.

São olhos caçadores, que examinam ansiosamente as calçadas à procura de uma das dezenas de prostitutas que se exibem para seus clientes em parcas roupas, apesar do frio que as açoita.

Homens no cio, procurando por fêmeas diferentes, que possam satisfazer seus insanos desejos lascivos, em troca de dinheiro.

O JOVEM NA NOITE

No meio desse vai-e-vem, de repente, uma cena incomum: um homem de terno caminha pela calçada carregando uma pasta em uma das mãos, e um estojo de instrumento de sopro, na outra.

É ainda jovem. Tem, talvez, uns trinta anos de idade. Cabelos penteados para trás, bigodes bem cuidados e um olhar manso que atrai as mulheres da vida que não cessam de convidá-lo para um “programa”, a cada dez ou vinte metros.

Ele apenas sorri para elas e, sistematicamente; vai rejeitando os convites e seguindo adiante, rua Augusta acima.

Anda pela calçada pelo menos quinze minutos. De repente, pára diante de um prédio antigo, com coloridas letras de neon a iluminar-lhe o rosto. Fecha os olhos por um momento, como se estivesse numa atitude de oração. Em seguida, abre resolutamente a porta e encontra um ambiente repleto de fumaça, mesas com cadeiras acolchoadas por todos os lados, mulheres da vida bebericando taças de uísque em cada uma delas.

O "CLIENTE"

Atrai a atenção de todas, que enxergam nele mais um “cliente”. Algumas se insinuam tentadoramente, querendo prendê-lo e subir com ele as escadas que dão acesso aos “quartos”, onde realizam o seu “trabalho”.

Mas ele se desvencilha delas e caminha resolutamente até o bar, no fundo da sala. Todos os olhos se concentram nele, que coloca a pasta e o estojo sobre o balcão. Ele não diz uma palavra sequer. Apenas abre o seu estojo e dele tira um trompete, que começa a tocar, com maestria.

A SURPRESA

A música que entoa, contudo, surpreende a todos, no recinto. A melodia que enche o salão não é outra, senão o hino, conhecido pelos cristãos como “Foi Na Cruz”.

Imediatamente, os semblantes mudam. Uma atmosfera que é um misto de surpresa, incredulidade e espanto toma conta do lugar. As mulheres da vida, como que imobilizadas, ouvem a música, extasiadas. Algumas começam a chorar.

O homem termina de tocar e, ato contínuo, retira de sua pasta uma bíblia, abre-a e lê o texto de Lucas 7.37-50, a passagem que se refere à mulher pecadora que ungiu com ungüento os pés de Jesus.

Repentinamente, algumas prostitutas precipitam-se em direção a ele, gritando; exigindo, com palavras de baixo calão, que parasse de falar. Outras dezenas seguem-lhes o exemplo e arma-se uma confusão, como se a polícia tivesse chegado

A INTERVENÇÃO

- Deixem o moço pregar! – ecoa uma voz no alto das escadas.

Todas recuam, imediatamente, pois conhecem muito bem aquela voz e aquele tom autoritário.

É Madalena, a dona do lugar, respeitada e temida por aquelas mulheres. Ela, então, prosseguiu:

- Todos os homens que entram aqui vêm para comprar e desfrutar de seus corpos. Mas este veio trazer-nos um presente. O maior e o melhor presente que poderíamos receber – e voltando-se para o homem, disse-lhe:

- Pode continuar sua pregação, pastor, que todas o ouviremos.

O jovem pregador fala-lhes, então, sobre aquela mulher a quem Jesus perdoara, com uma unção que elas jamais haviam visto. Ao final, faz um convite, para que recebam Jesus como Salvador e Senhor.

A COLHEITA

Algumas dezenas de mulheres vêm ajoelhar-se chorando, atendendo ao apelo. Algumas confessam ser filhas de pastores ou presbíteros. São ovelhas desgarradas do aprisco, que não querem rejeitar a nova oportunidade. No centro de carpete onde elas se ajoelham, está também Madalena, chorando copiosamente.

O pregador estende as mãos em direção às mulheres e ora, em uníssono com elas, a oração do arrependimento.

Quando a oração termina, aquelas mulheres levantam-se com o olhar iluminado. Receberam, de fato, o maior presente de suas vidas.

Depois de orientá-las através de um breve discipulado, o jovem pregador guarda no estojo o seu trompete e, na pasta, a sua bíblia.

Sai pela mesma porta por onde havia entrado, faz uma breve oração de agradecimento, arruma seu cachecol ao redor do pescoço, e desce a Rua Augusta, desaparecendo em meio à neblina da madrugada

A FELICIDADE DO SERVO

Naquela noite, dorme feliz ao lado da esposa, em sua humilde cama.

Sabe que é muito rico e acabara de dividir com ovelhas perdidas, o seu imenso tesouro: Jesus Cristo, de Nazaré.

Conto de:

Tony Ayres

20 janeiro, 2010

O Cérebro Precisa Ser Exercitado

brain Nosso cérebro precisa de atividade para estar sempre atento. Por essa razão, se desejarmos manter um equilíbrio mental adequado é preciso exercitá-lo, da mesma forma que temos que exercitar nosso corpo, para conservá-lo saudável.

Na verdade, a boa forma física e a saúde mental precisam andar de mãos dadas. Os benefícios propiciados pelos exercícios físicos para o sistema cardiovascular também são importantíssimos para prevenir as doenças degenerativas no cérebro.

E COMO FAZER PARA EXERCITAR O CÉREBRO?

Tendo sempre em mente que a essência do poder mental está no movimento.

Quando é exercitada com regularidade, a mente torna-se mais alerta e ágil, ao mesmo tempo em que o processo de envelhecimento é adiado.

As pessoas que estimulam e desafiam sua capacidade intelectual até uma idade avançada mantêm-se mentalmente ativas, apresentam uma menor incidência de distúrbios de memória e, por vezes, evitam até mesmo o mal de Alzheimer.

Isso é tão importante que vale a pena lembrar que toda vez que aprendemos alguma coisa nova ( uma palavra, um fato histórico, uma operação matemática simples, por exemplo) alteramos a qualidade de nossas terminações nervosas, intensificando, assim, a transmissão de nossos impulsos nervosos.

Isso acontece poque nossos neurônios têm a capacidade de transformar e adaptar sua estrutura e função, em resposta às exigências internas e externas do organismo, o que chamamos de neuroplasticidade.

O QUE FAZER, ENTÃO, PARA MANTER O CÉREBRO SEMPRE ÁGIL?

Ter consciência de que, assim como o corpo se mantém saudável com a prática de exercícios físicos, o cérebro também se mantém saudável com a prática de exercícios mentais.

Entre eles estão: o estudo de uma nova língua, a prática da pintura, da escultura ou do artesanato; a redação de textos, a escrita de contos e até mesmo a realização de exercícios de palavras cruzadas.

Afinal de contas, tudo o que não se usa, se atrofia.

Tony Ayres

09 janeiro, 2010

O Evangelho Que Desaliena e Os Donos de Igrejas

algema A despeito de estarmos vencendo já a primeira década do terceiro milênio e não obstante a Igreja Evangélica ter passado por profundas transformações pelo lado positivo; ainda assim existem cristãos que continuam seguindo cartilhas de igrejas, disfarçadas em “estatutos”, “credos” ou “catecismos eclesiais”, que apenas toldam as verdades bíblicas neotestamentárias, que são profundamente libertadoras.

Esses cristãos não percebem, muitas vezes, que honram líderes que não deveriam honrar, seguem “doutrinas” que não deveriam seguir, submetem-se a fardos sem nem mesmo o perceberem e obedecem cegamente pretensos “homens de Deus” como se fossem ídolos, incapazes de enxergarem além do estreito corredor intelectual e cultural, que lhes foi imposto para domesticá-los, por esses mesmos “homens santos”, que, por sua vez, enriquecem, vivem regaladamente e sem susto, alimentando-se da carne e aquecendo-se da pele das ovelhas.

Karol Józef Wojtyła, o papa João Paulo II, criticado por muitos por não abandonar o papado, mesmo idoso e doente, foi líder da Igreja Católica por 27 anos. E, até onde se pode saber, foi um homem probo, que apenas utilizou com humildade as benesses que lhe competiam aceitar. No íntimo, porém, era pobre. Ao morrer, deixou como herança, apenas a sua caneta, único bem que era realmente seu.

A Igreja Evangélica brasileira, no entanto possui líderes que estão por 30 ou mais anos no poder que não largam, de vontade própria; como se os seus cargos significassem o próprio oxigênio que respiram. Para isso, fazem tudo o que for preciso fazer, mesmo que seja antiético, indecente ou vergonhoso.

Manipulam subordinados, concedem benesses aos aliados, fazem conchavos com outros líderes que também desejam perenizar-se no poder; mudam estatutos a fim de poderem eleger-se quantas vezes quiserem, estendem os seu “territórios de mando”, fazem uso do voto das ovelhas para elegerem membros de suas famílias nas diversas instâncias do Legislativo e transferem para a Igreja a mais singular forma de nepotismo, ordenando filhos, filhas e até netos para o Ministério Cristão, numa clara evidência de que têm em mente uma Dinastia Religiosa.

ESSES HOMENS AGEM ASSIM POR QUÊ?

Porque descobriram que, sendo vistos e percebidos como “arautos de Deus”, conseguem ter um poder que nem mesmo o Presidente da República consegue deter em suas mãos (pois precisa do Congresso Nacional). Para os crentes humildes, crédulos e pobres (irmãozinhos e irmãzinhas que não tiveram a sorte de estudar para ter uma condição sócio-econômica melhor na vida; moradores de guetos e favelas, muitas vezes), o “pastor” é quase que divino. Desprezar o que ele diz, para esses queridos irmãos, seria desprezar o próprio Deus. Mesmo se a “palavra conselheira” nada tenha a ver com o ensino de Jesus Cristo e seus discípulos.

Imagine então a magnitude da capacidade de “dirigir as coisas conforme lhes convêm” que esses homens têm. Mas, o mais triste de tudo isso é que, se no início eles recebem essas demonstrações de obediência como um deferimento especial dos mais humildes; ao final e ao cabo dos anos, exigem-na como uma “prerrogativa” inegável e intransferível.

E assim, no decorrer dos anos e décadas, vão vivendo farisaicamente em mansões e apartamentos de luxo, viajando ao exterior “a serviço da obra”, servindo-se de carros importados com motoristas e, pasmem, até mesmo com seguranças; enquanto as ovelhas a quem defraudam e que, de boa fé, sustentam os seus excessos, pagando rigorosa e inocentemente os seus dízimos, vivem nos grotões, nas favelas, nos cortiços e nas mais distantes e desprovidas periferias.

E ISSO PODERIA SER DIFERENTE?

Isso não apenas poderia, mas deveria ser completamente diferente. A Igreja Evangélica não existe para ser o objeto de poder de “donos” ou “proprietários”. Não é tampouco um clube religioso com sócios fundadores privilegiados. Muito menos uma “empresa familiar”.

Ela possui um Corpo Ministerial com homens capazes e comprometidos (que também sofrem com essa situação, quando são honestos e sinceros) que deveriam parar e pensar com integridade sobre essa questão, que denigre profundamente o povo evangélico diante dos demais cidadãos deste país. E usar de suas prerrogativas de homens de Deus, dando um basta nesses excessos e promovendo, de maneira cristã e democrática, a alternância de poder na Instituição.

O EVANGELHO DE JESUS NÃO TORNA CATIVO, MAS LIBERTA

Se, ao invés de olhar para as “cartilhas eclesiais” os homens de Deus realmente comprometidos, olhassem para a Palavra, enxergariam claramente que Jesus não veio para impor, mas para libertar os homens dos fardos. Primeiramente do fardo do pecado. E a seguir, dos fardos e das amarras institucionais impostas pelos privilegiados líderes de igrejas desta era, assim como dos fariseus da era de então.

Palavras como: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”; “Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância”; “e se a verdade vos libertar, verdadeiramente sereis livres”; “pelos seus frutos os conhecereis”, “E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo”; “não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes” e tantas outras de igual teor, são suficientes para abrir as mentes e esclarecer os corações de todos quantos, volitiva ou inconscientemente compactuam com o status quo dos que acham que podem ad eternum, administrar aleivosamente o rebanho de Deus.

TEMPO OPORTUNO

Reconhecendo que as coisas assim são, creio que, mais do que nunca, é chegado o tempo para os que têm nas mãos a responsabilidade pela pregação do Evangelho de Cristo, façam-no diligentemente, de maneira bíblica, neotestamentária e reformada; preguem a Palavra que liberta de todos os fardos; o do pecado e os fardos vantajosamente elaborados pelos homens. Proclamem as boas-novas e livrem as suas ovelhas da alienação que escraviza e cega.

Tony Ayres

06 janeiro, 2010

Boris Casoy Deixa Cair a Máscara

BORIS Pessoas públicas como artistas, autoridades e políticos, principalmente, têm um enorme receio de cometer aquilo que a Psicanálise chama de "ato falho".

O ato falho, que pode ser cometido quando se escreve (grafa-se uma palavra em lugar de outra) é, porém, muito mais evidente quando é cometido na fala.

As pessoas têm medo do ato falho porque ele põe abaixo a mentira consciente e revela a verdade, através de uma falha da censura, que deixa escapar a verdade "inconsciente".

Cometer um ato falho corresponde, portanto, a se auto-denunciar e deixar transparecer para todos aquilo que mais se queria esconder.

Normalmente, podemos conhecer a verdade de uma pessoa, não pelo que ela fala, uma vez que a linguagem verbal está sujeita à censura; mas pela sua linguagem corporal, pois o corpo não mente jamais.

Todavia, em ocasiões de grande ansiedade ou estresse, a censura "falha" e a pessoa fala exatamente aquilo que não queria dizer.

A HIPOCRISIA - MENTIRA CONSCIENTE

Todas as pessoas cometem grandes ou pequenos atos falhos e, algumas vezes, eles são até compreendidos e perdoados.

Mas o que aconteceu com o jornalista Boris Casoy, no último dia de 2009, num intervalo do JORNAL DA BAND, é simplesmente inadmissível, uma vez que, maldosa e CONSCIENTEMENTE; sem saber que os microfones da emissora estavam abertos, ele ofendeu dois seres humanos honestos e decentes, de forma rasteira e depreciativa.

Ao ver a notícia que mostrava dois garis desejando a todos um feliz Ano Novo, o jornalista, disse, sem rodeios: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho", para todo o Brasil ouvir em alto e bom som.

No dia seguinte, Boris Casoy, no mesmo jornal, pediu desculpas aos garis e aos telespectadores, e com isso encerrou o assunto, como se nada fosse.

O que o Sr. Boris Casoy disse foi um ato volitivo e consciente e não um ato falho, o que só agrava a sua desfaçatez. E, através desse incidente, acabou mostrando ao Brasil, a pessoa que realmente é, e não aquela que tentou, durante anos, mostrar que era, repetindo ad nauseam o bordão: "Isso é uma vergonha".

O tempo é, realmente, o senhor que acaba fazendo com que as máscaras das pessoas caiam.

Tony Ayres

03 janeiro, 2010

"Líderes Evangélicos" e o Transtorno de Personalidade Narcisista

russell-crowe-uma-mente-brilhante-c6464 O cinema, muitas vezes, nos instrui de forma bastante didádica acerca dos fatos da vida, sejam eles positivos ou completamente negativos. No campo da Psiquiatria, por exemplo, muitos filmes têm sido produzidos, para mostrar a realidade de uma patologia.

Em Uma Mente Brilhante, tomamos contato com a esquizofrenia e ficamos sabendo como essa doença se manifesta. Em Amadeus, ficamos conhecendo, através de comportamento de Mozart, como vive e enxerga o mundo uma pessoa que sofre do Transtorno Bipolar de Humor.

Neste post, sirvo-me de um outro filme que mostra as características de uma outra patologia psiquiátrica que, honestamente, acredito, esteja afetando a vida de vários daqueles homens que conhecemos como "líderes evangélicos" (entre aspas), cujas atitudes não condizem com suas responsabilidades.

Refiro-me ao filme O Diabo Veste Prada, em que a personagem principal, Miranda (interpretada pela atriz Meryl Streep) constitui um bom exemplo de pessoa que é vítima daquilo que é conhecido como TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA.

SINTOMAS

Quem quer que tenha assistido ao filme se lembrará que Miranda, em sua sede de poder e reconhecimento, possui uma personalidade na qual estão presentes os seguintes sintomas:

1) sentimento grandioso da própria importância ( exagera suas realizações e talentos, espera ser reconhecida como superior e possui realizações que considera incomensuráveis);
(2) fantasias de sucesso ilimitado, poder, inteligência, beleza e capacidade de manipulação;
3) crença de ser "especial" e única, além de somente pode ser compreendida e associar-se a outras pessoas especiais ou de condição elevada;

(4) exigência de admiração excessiva por parte de outras pessoas;
(5) sentimento de intitulação, ou seja, expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática às suas expectativas;
(6) é exploradora em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros para atingir seus próprios objetivos
(7) não possui empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e necessidades alheias;
(8) freqüentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja alheia
(9) apresenta constantes comportamentos e atitudes
arrogantes ou insolentes.

A despeito de termos a Bíblia que nos instrui acerca do amor, da benignidade e da mansidão, entre tantas outras virtudes; não é preciso muito esforço para que reconheçamos, AO INVÉS DELAS, as características ou os sintomas do TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA naqueles que, um dia chegaram humildes, mas hoje são, de fato, arrogantes e presunçosos "donos de igrejas".

Que tenhamos discernimento para reconhecermos esses tais, e não deixarmos nos enredar pelo suntuoso aparato que apresentam, firmando-nos na cruz de Cristo, único lugar onde é possível gloriarmo-nos. E gloriarmo-nos unicamente no Senhor.

Soli Deo Gloria

Tony Ayres

26 dezembro, 2009

Pregar a Palavra – Um Negócio Muito Rentável

Prosperityguy Há alguns anos, quando participava de um Programa de Formação em Marketing, dirigido a profissionais de treinamento, fiquei profundamente incomodado quando um dos professores colocou a fé como um exemplo de “produto” que é “vendido” e a cruz, como sendo a sua “marca”.

Queria o professor dizer que, assim como existem marcas de produtos com logotipos, como, por exemplo, a Mercedes Bens, a Ford, a Cônsul ou a IBM; assim também, a cruz seria o símbolo mercadológico do cristianismo.

Isso, à época, soou-me como uma espécie de blasfêmia, mas hoje, infelizmente, sou obrigado a concordar com o que ensinou tal professor.

O que os chamados tele-evangelistas têm feito com a Palavra, a forma deslavada como pedem dinheiro, vendem bênçãos e pregam um evangelho sem necessidade de metanóia; o estilo de vida de ostentação e suntuosidade que adotam; CONTRÁRIO A TUDO O QUE ENSINOU JESUS, mostra que a relação que se estabelece entre eles e o povo é mesmo de compra e venda e que o deus mais importante para eles é o dinheiro.

O Reino de Deus ou o Reino dos Céus é coisa de pobres, que nem lhes interessa mais pregar, porque as ovelhas já foram instiladas com o gérmen da “prosperidade”.

A Bíblia, no entanto, deixa bem claro que isso haveria de suceder, como escreve a apóstolo Pedro: “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2. Pe. 2.3).

Temos a prerrogativa de escolher entre o que nos ensina a Palavra ou o que pregam esses homens, com extrema desfaçatez.

O tempo revelará quem são aqueles que fizeram a boa ou a má escolha.

Soli Deo Gloria

Tony Ayres

24 dezembro, 2009

O Natal em 25 de dezembro

scrapsweb_natal-489675 A Bíblia não nos informa que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro.

Essa foi uma data arbitrariamente escolhida pela pela Igreja Católica Romana. Como o Império Romano prevaleceu por séculos sobre o mundo cristão, a data tornou-se, então, uma tradição para toda a cristandade.

Porém, há uma razão para a escolha desse dia. Ele era um popular dia festivo de celebração do retorno do sol. Em 21 de Dezembro acontece o que chamamos de solstício de inverno (o dia mais curto e, por essa razão, um dia importante no calendário).

Na verdade, 25 de Dezembro era o primeiro dia em que os antigos podiam notar, com clareza, que os dias estavam se tornando maiores e que a luz do sol estava retornando.

Além disso, como ninguém sabe, com certeza, o dia do nascimento de Jesus, a Igreja Católica se sentiu livre para escolher essa data.

O intento da Igreja era substituir um festival pagão existente, por um dia santo cristão.

Segundo o raciocínio de Roma, seria mais fácil abolir um festival tradicionalmente mundano da população, substituindo-o por um bom festival. De outra forma, a Igreja permitiria a ocorrência de um vazio onde antes havia uma tradição de longa data; e se arriscaria, assim, a produzir descontentamento na população, o que poderia promover um rápido retorno à prática pagã.

ISSO É RAZÃO SUFICIENTE PARA NÃO SE COMEMORAR O NATAL?

Os cristãos evangélicos, em geral, sempre souberam que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. No entanto, a data para eles é tão somente simbólica.

Ora, se escolhemos datas simbólicas para comemorarmos o "Dia das Mães", o "Dias dos Pais", o "Dia do Trabalho" e tantos outros, por que razão cultivar uma estreiteza mental que considere pecado comemorar-se, simbolicamente, a vinda do Salvador ao mundo?

O nascimento de Jesus significa a Encarnação do Verbo - mensagem principal do Novo Testamento, evento que, com muito mais intensidade do que qualquer outro, deve ser festejado entre os homens.

Essa é a razão pela qual, comemoramos, simbolicamente, o Dia de Natal, no dia 25 de dezembro. Sem inquietações e sem falsos pudores teológicos.

Tony Ayres

15 dezembro, 2009

O Universo Conspira em Seu Favor

2742941904_dbc26ae32a Não poucos autores têm deixado transparecer em seus escritos, ao longo da História, "que o Universo conspira em favor daqueles que acreditam em seus sonhos".

Ora, os conhecimentos atuais nos campos da psicologia e da neurolinguística, entre outros, nos permitem constatar que tal afirmação é, de fato, verdadeira.

Há um conhecido dito popular que traduz com extrema veracidade o mesmo fato, ao afirmar que "aquele que não sabe para onde está indo, não chega a lugar algum".

Todo ser humano precisa, portanto, de um rumo, de um objetivo de vida, de um norte, de uma missão, de um sonho, enfim.

De outra sorte, a sua existência será estéril e desprovida de significação.

Quando a nossa mente está imbuída de um sonho e o nosso espírito está repleto de bondade, o Universo, de fato, conspira em nosso favor, uma vez que poderosos mecanismos inconscientes são acionados e a vontade fica mobilizada para a sua realização.

Enquanto a nossa fé em nosso sonho prevalecer, estaremos no caminho certo da vitória e na realização desse sonho. Se duvidarmos dele, porém, estaremos a caminho da decepção e do fracasso.

Um passagem bíblica indica, claramente, o que estamos dizendo.

Certa vez, Jesus preferiu ficar sozinho, em oração; e mandou que os seus discípulos entrassem no barco e atravessassem o lago. Por volta da quarta vigília da noite, quando uma tormenta impetuosa sacudia perigosamente o barquinho, os discípulos, aterrozidados, viram se aproximar deles, caminhando sobre as águas ninguém menos que o Mestre.

"É um fantasma!" - disseram, amedrontados, sem ainda poderem crer no que viam.

"Tende bom ânimo, sou eu"- disse Jesus - ao que Pedro respondeu:

- Mestre, se é tu mesmo, manda que vá até ti, sobre as águas"

- Vem - disse Jesus - e imediatamente Simão Pedro, tal qual Jesus, caminhou por sobre as águas. Mas ele, que acreditou no sonho, na possibilidade de vencer a própria lei da gravidade, e flutuar andando, como o seu Mestre, e tornou realidade esse sonho, num momento, desviou a sua atenção para as ondas do mar.

Foi neste exato momento que o milagre se desfez e Pedro começou a afundar. Então, gritou para que Jesus o socorresse, no que foi prontamente atendido.

Não, porém, sem uma severa advertência, dada pelo Filho de Deus:

"Por que duvidaste?"

Essa é a mensagem que desejo deixar para você, neste post. Coloque os seus olhos em Jesus e confie em seu sonho.

Não duvide, pois, tendo o Mestre dos mestres a seu lado, o Universo,realmente, conspirará em seu favor! Afinal, foi Ele mesmo quem disse: "Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê".

Tony Ayres

08 dezembro, 2009

O Homem Enviado de Deus

billy Diga sinceramente: O que você pensaria se entrasse numa igreja muito simples, cuja ventilação fossem apenas as janelas abertas e o púlpito fosse tão somente o mesmo chão de vermelhão no mesmo nível da “platéia”, onde, numa singela cadeira de madeira estivesse sentado um homem de aparência humilde?

E se percebesse que as calças e camisa desse  homem fossem daquele tipo que você costuma ver à venda nas bancas de roupa da feira livre de seu bairro ou nas barracas dos camelôs, que são os locais onde compram suas vestimentas aqueles que ganham menos de um salário mínimo e, não raras vezes, têm esposa e filhos para sustentar?

E, se, depois dos cânticos, durante os quais não houve momento de ofertório, você visse aquele homem com o rosto marcado pela vida, abrir a sua surrada Bíblia, ler uma passagem com a voz pausada e mansa e, em seguida, pregasse uma poderosa e ungida mensagem, que chacoalhasse a sua consciência e penetrasse nos mais recôndito canto de seu coração e o confrontasse, de forma inequívoca, com suas próprias fraquezas, como se conhecesse toda a sua vida, desde o ventre de sua mãe?

E, se,afinal, depois de um abençoadíssimo culto, você visse aquele homem fechar a igrejinha, abrir seu guarda-chuvas (pois estava chovendo), dirigir-se parao ponto de ônibus, subir no coletivo e ir para a sua casa, anônimo entre os anônimos passageiros daquela condução?

Isso faria com que você se lembrasse dos pastores, missionários e bispos a quem você está acostumado a ver e a ouvir ou o lembraria de um homem a respeito do qual o evangelho de João assim se refere, no verso 6, do capítulo primeiro:

“Houve um homem enviado de Deus…”

baptist3 Esse “homem enviado de Deus” vestia-se de peles de camelo; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre, pregava em meio ao deserto, batizava no rio Jordão e sua mensagem atraía a multidão.

Foi o precursor do Messias, mas nenhum título reivindicou para si, a não ser “uma voz que clama no deserto”.

Você vê algo de parecido com ele, entre aqueles que se dizem ser “mensageiros de Deus”, nos diasde hoje?

Pois bem. Saiba que a marca deste homem é a marca dos homens verdadeiramente enviados de Deus, também em nossos dias.

Soli Deo Gloria

Tony Ayres

OBSERVAÇÃO: Billy Graham, apesar de não ser simples como o pastor de nossa história, tem o testemunho de toda uma vida de humildade de coração, que é, na verdade, a mensagem que procuramos passar com esta postagem.

04 dezembro, 2009

O OFÍCIO DE PROFETA

profetada cruz Desejo, nesta postagem, fazer algumas considerações e esclarecimentos, os quais reputo como importantes, porque tenho recebido alguns e-mails de pessoas que parecem não compreender bem minhas colocações, fazendo-me perguntas para as quais não sou a pessoa indicada a responder.

Assim, para começar, com toda humildade, vejo a necessidade de deixar registrado aqui algo sobre a minha formação, a fim de dirimir dúvidas.

Resumidamente, aí vão os cursos e escolas pelos quais passei: Letras (Faculdade Ibero-Americana); Jornalismo (Faculdade Cásper Líbero); Teologia (Faculdade Batista de São Paulo e FAETEL); Pós-Graduação em Psicopedagogia (Universidade Metodista de São Paulo); Mestrado em Educação (Centro Universitário Salesiano); Formação em Psicanálise Clínica (Escola de Psicanálise do Brasil).

Quando saí de minha pequena cidade natal, no interior de São Paulo, ao terminar o Curso Colegial, jamais cheguei a pensar que teria uma formação bastante diversificada; mas assim aprouve a Deus conduzir-me pelos caminhos da vida.

Sempre procurei entender (e é assim mesmo que entendo) cada oportunidade de aprendizagem que tive e tenho, como sendo um talento que o Senhor me permitiu desenvolver; e que, portanto, devo utilizá-lo fazendo algo que, de alguma forma, ainda que de maneira ínfima, dignifique o Seu Reino, pois reconheço que é sempre através de pessoas falhas como eu e tantas outras, que Ele estende e amplia esse Reino sobre a Terra.

Durante mais de uma década, escrevi artigos para o Jornal Mensageiro da Paz, Revista Obreiro e Jovem Cristão, todos eles vinculados à CPAD.

Se algum leitor deste blog tiver arquivado em sua biblioteca esses periódicos, entre as décadas de 1980 e 1990, poderá comprovar a veracidade do que acabo de escrever; assim como poderá verificar também, que a maioria desses artigos procurou exercitar aquilo que chamo de “ofício de profeta”, pois eles sempre procuraram denunciar desmandos, manipulações e exploração dos “poderosos” em relação aos “pequeninos”.

Há alguns dias, escrevi aqui que estava cansado críticas, argumentando que é muito fácil criticar virtualmente, sem nada fazer concretamente.

Após refletir longamente sobre essa questão, cheguei à conclusão de que o meu coração não pode concordar com críticas gratuitas, desmoralizantes, infamatórias e escorchantes contra pessoas nominalmente identificadas, utilizando uma linguagem rasteira, às vezes chocante, com o intuito de obter “IBOBE”.

Isso, para mim, não serve, pois, não consigo ser assim. Todavia, verifiquei que também não consigo ver o povo de Deus sendo abusado e manipulado de maneira vil, e ficar “de braços cruzados”, ainda que esteja longe de pretender ser o dono da verdade.

Neste caso, creio no poder da PALAVRA ESCRITA para despertar pessoas boas, mas, por vezes crédulas a ponto de “servir à criatura ao invés de servir ao Criador”.

Isto posto, desejo continuar utilizando a blogosfera, tentando ser “uma voz profética” e, tomada essa decisão, não é possível levá-la a efeito, sem fazer críticas e denúncias, mas, obviamente, sem baixar o nível, a ponto de fazer ofensas pessoais ou ferir a dignidade humana, da qual todos são partícipes.

À essa altura de minha vida, consigo identificar com clareza, homens do passado e do presente que influenciaram a minha visão de mundo. Entre outros, e principalmente, posso citar: Carl Gustav Jung, Sigmund Freud, Viktor Frankl, Rollo May, Francis Schaeffer, Soren Kierkegaard, Paul Tilich, Rubem Alves, Leonardo Boff, Caio Fábio, Ed René Kivitz e Ricardo Gondim.

Nenhum deles, embora brilhantes e profundos, supera, contudo, Jesus Cristo de Nazaré, o Deus que se fez carne e habitou entre nós, crucificado por nossos pecados, morto e ressucitado ao terceiro dia, glorificado ao lado do Pai; Autor e Consumador de nossa salvação.

Feitos todos esses esclarecimentos, termino a postagem deixando claro que, mesmo colocando aqui, algumas vezes, artigos de natureza psicológico-psicanalítica, tentarei não apagar a chama que me leva a tentar exercer o “ofício de profeta”.

Soli Deo Gloria

Tony Ayres

24 novembro, 2009

O Meio Determina o Caráter?

Jesus no caminho de Emaús As generalizações são sempre perigosas. Elas envolvem os inocentes no mesmo embrulho onde estão enrolados os culpados e, por essa razão mesma, são injustas.

Sempre haverá exceções que fogem à regra.

Feita essa observação inicial, desejo externar aqui o meu assombro diante de colocações que algumas vezes ainda encontro aqui e acolá; em palestras, sermões ou preleções, que afirmam que o homem é um produto do meio onde vive.

Ora, se isso fosse verdade, toda pessoa nascida na Rocinha, no Rio de Janeiro; ou na favela de Heliópolis,em São Paulo, seriam, necessáriamente, traficantes ou usuários de drogas, o que, absolutamente, não é verdade.

Se o meio realmente determinasse o caráter de uma pessoa, Ló, chamado de justo, na Bíblia, teria se tornado um sodomita (no sentido depreciativo da palavra); assim como Daniel e seus companheiros teriam sido seduzidos pelas iguarias da corte para onde foram levados, a fim se servirem ao rei.

MINHA HISTÓRIA

Em minha infância, convivi de perto com a prostituição, com a pobreza e com a delinquência. Mas, essas coisas não fizeram de mim uma pessoa desvairada, torta na vida e sem Deus. Ao contrário, serviram-me de incentivo para que, muito cedo, eu O encontrasse.

Não me envergonho em dizer que faz parte de meu currículo profissional, as seguintes atividades: catador de esterco, catador de vidros, bananeiro, limpador de teares em fábricas de tecidos; sorveteiro, bóia-fria, lavador de carros, etc.

Nem por isso tornei-me um revoltado com a vida. Trabalhei e estudei muito para sair daquela situação. Não me tornei rico nem tenho tal pretensão.

Mas consegui uma realização pessoal, enquanto ser humano digno e isso me faz feliz. Por esse motivo, repudio os “deterministas” e todos aqueles que “profetizam” apenas o que é ruim, destrutivo e amedrontador.

Deus tem um propósito em minha vida. Deus também tem um propósito em sua vida. Pode estar certo de que os propóstos de Deus SEMPRE SÃO BONS.

Creia nisso; permita que a luz de Cristo ilumine a sua vida e que as Suas palavras aqueçam o seu coração, assim como aqueceram os corações dos discípulos a caminho de Emaús.

SHALOM

Tony Ayres

18 novembro, 2009

POSSESSÃO OU DOENÇA EMOCIONAL?

Checkup-OCD-Obsessive-Compulsive-Disorder_full_article_vertical Algumas confusões podem ser feitas por pessoas cristãs sinceras, quando se deparam com aquilo que comumente é conhecido como “manifestações espirituais”, obviamente, quando se referem a fenômenos negativos, que infligem sofrimento à pessoa.

Este post tem como objetivo lançar, despretensiosamente, alguma luz sobre a questão.

Em primeiro lugar, convém deixar claro que não é um procedimento correto “demonizar” todo e qualquer fenômeno psíquico-emocional, deixando o diabo com as costas mais largas do que, realmente, ele tem.

Por outro lado, embora o pensamento de muitos, a respeito do assunto ainda permaneça no estágio medieval; é igualmente insensato afirmar que o diabo não existe e que não exerce a sua ação sobre os seres humanos.

É preciso ter discernimento, vida espiritual sadia, conhecimento bíblico e um mínimo de informações psicológicas para não se cometer erros, às vezes traumáticos, nesta área tão delicada.

O QUE É NECESSÁRIO SABER?

Antes de mais nada, ter consciência de que existem questões psico-afetivas-emocionais que, às vezes se manifestam sob a forma de variados sintomas, que envolvem distúrbios de humor, distúrbios de caráter, transtornos dissociativos, transtornos de ansiedade, entre muitos outros; que embora, para os menos informados, pareçam “obras do diabo”, são, na realidade doenças de fato, que sofrem dramãticas remissões, com a administração do medicamento adequado.

Um exemplo claro disso é o TOC (Transtorno Obssessivo-Compulsivo), quadro em que uma pessoa, por exemplo, precisa dar três voltas no quarteirão, antes de estacionar o carro; verificar 15 vezes se desligou o gás ou fechou a porta à chave, antes de dormir; lavar as mãos incontáveis vezes por dia, etc.

Embora tudo isso possa parecer “diabólico”, configura um quadro patológico, catalogado no CID-10. Mesmo que a terapia ajude, essa patologia só sofre remissão quando a pessoa é corretamente diagnosticada por um professional competente e medicada.

Em segundo lugar, ter conhecimento de que outros distúrbio menos graves, como o rebaixamento temporário da auto-estima, por exemplo, ou um estresse pós-traumático (estresse provocado po traumas como a perda de um namorado, a perda do emprego, a ameaça de um abuso, entre outros) pode ser solucionado simplesmente pelo tratamento psicoterápico, não havendo a necessidade da prescrição de medicamentos.

E, finalmente, ter absoluta certeza de que as manifestações diabólicas ou “possessões’ existem, estão relatadas nos evangelhos e escravizam pessoas. Para essas, não existem benzodiazepínicos ou antidepressivos que funcionem. Somente a libertação, através do poder do sangue e do nome de Jesus.

E POR QUE FAZER ESSAS DISTINÇÕES?

Exatamente para não se cometer injustiças e não se magoar pessoas, desnecessariamente. Eu mesmo já tive de ajudar pessoas profundamente feridas e ressentidas porque, ao procurarem a ajuda de um pastor, foram tratadas como endemoninhadas, sem o menor critério de avaliação.

Pessoas assim, frequentemente relatam episódios de levarem “pancadas de bíblias” na cabeça, ouvirem gritos histéricos de exorcismos nos ouvidos, terem tido nenhuma consideração pelo ser humano que são e um profundo abalo em sua auto-estima.

CONCLUSÃO

Tendo em vista o que foi considerado nas linhas acima, concluímos que, mais do que nunca, na História da Igreja, os pastores de hoje têm que ter muito mais do que conhecimentos teológicos, para pastorearem seus rebanhos.

Devem ter um profundo conhecimento bíblico e um mínimo de conhecimentos de psicologia e de relações humanas.

Tony Ayres

15 novembro, 2009

Crer é Um Ato de Fé

planeta-terra Já passei dos 50 anos de idade. Mas, desde que decidi seguir a Jesus, como meu Salvador e Senhor, pouco antes de completar 12 anos, sempre tive questionamentos em relação ao que está escrito na Bíblia e em relação a como os homens interpretam as Escrituras.

Quando estudei o Darwinismo, no Ginásio; custou-me um pouco, mas logo compreendi que a minha fé teria que superar quaisquer dúvidas, se eu quisesse que ela subsistisse.

Portanto, muito cedo, em minha vida (embora, naquele tempo nem conhecesse a significado da palavra) aprendi que não poderia ser maniqueísta; tampouco ser fundamentalista ortodoxo, se desejasse viver uma vida coerente com a capacidade de discernimento com a qual o Criador me proveu.

Foi assim que cresci. Sempre “correndo por fora” na denominação, no seminário, no ministério e na “ortodoxia” humana.

Hoje, decorridos todos esses anos, vejo pessoas, denominações e até instituições que agregam várias denominações (e digo isso com toda a humildade) chegando às mesmas conclusões que, há muito, em minha vida, eu já havia chegado.

O que, de certa forma, valida o ditado popular que diz ser o tempo o senhor de todas as coisas.

Em um dos posts passados deste blog, deixei transparecer a minha opinião de que, quem quiser ter uma fé de verdade, tem que conhecer “os dois lados” da moeda. Não basta apenas conhecer o “seu lado” e, simplesmente, “condenar” os que não pensam igual.

Vou exemplificar, para ficar mais claro.

Tive um professor que, além de pastor de uma grande igreja no Rio de Janeiro, é também médico psiquiatra. Um homem de fé, simples e sábio, amigo de todos os alunos.

Um dia, ele nos contou em sala de aula que, aproveitando de seus trajes brancos de médico, ele saía para pesquisar os terreiros de umbanda, no Rio, e era até muito bem recebido, pois era confundido como sendo “pai de santo”.

Dessa forma, ele pode inteirar-se de alterações de consciência que ocorriam nas pessoas que ficavam em transe naquelas reuniões, mas a sua fé em Jesus jamais ficou abalada por causa disso. Ao contrário, ele ficou muito mais preparado para levar o evangelho àquelas pessoas necessitadas.

E DAÍ, ONDE VOCÊ QUER CHEGAR?

É a pergunta que muitos podem estar me fazendo, neste momento. Respondo, dizendo que o cristão de hoje precisa aprender a lidar com questões novas e diversificadas, tais como: doaçãode órgãos, aborto de crianças anencéfalas, pesquisas com células-tronco, clonagem de animais e vegetais, novos paradigmas de casamentos, doenças mentais que eram tidas tradicionalmente como “possessões” e muitas outras.

Isso, com certeza, demandará uma re-leitura do Velho e do Novo Testamentos, a des-legalização de muitas “legalidades” e a perda do medo para enfrentar o novo.

Além de, claro, respeito para com a fé dos co-irmãos, pois ainda no século XXI permanece a verdade paulina: “Um faz diferença entre dia e dia; para outro, todos os dias são iguais”…

MEU EXEMPLO PARTICULAR

Há cerca de 20 anos deixei de considerar a a narrativa bíblica da criação de Adão e Eva como uma “fotografia”, passando a enxergá-la como uma “radiografia”.

Isso não comprometeu a minha fé, não alterou a minha comunhão com Deus e; nem por um milímetro, mudou alguma coisa do senhorio de Cristo em minha vida.

No entanto, respeito a todos os meus irmãos que vêem o fato como uma fotografia. Há liberdade na diversidade. Mas, deve haver respeito também.

Consegue entender, então, por que crer é um ato de fé?

Espero ter sido compreendido.

Tony Ayres

05 novembro, 2009

Minha Mudança

FOTOS DO BACKUP 282 Amados, tenho ficado algum tempo sem postar. Tempo em que tenho mergulhado em meus pensamentos e tentado buscar dentro de mim algumas verdades que, inconscientemente, estavam me incomodando.

Como resultado dessas minhas reflexões obtive algumas respostas. A principal delas é a de que, de certa forma, perdi o gosto pela blogagem porque, repassando os meus posts, percebi que a maior parte dele contém conteúdo de críticas a posturas e instituições.

Percebi também que, ainda muito mais do que eu, alguns blogs abusam do direito de utilizar livremente a palavra, fazendo críticas, por vezes jocosas, a pessoas de nosso meio, principalmente porque isso “dá IBOPE”.

Porém,a crítica gratuita, a crítica pela crítica não tem o condão de resolver problema algum, além de não edificar.

Assistindo ao filme “Olga”,dei-me conta de que, talvez, a maioria de nós, blogueiros cristãos, não estamos dispostos a abraçar a uma causa e lutar ou militar por ela, a não ser virtualmente; o que, convenhamos, é muito fácil.

Lembrei-me do Código de Ética que prometi seguir, quando da conclusão do meu curso de formação de psicanalista. Por esse código, comprometi-me a respeitar a dignidade humana das pessoas.

Assim sendo, o tanto quanto possível, procurarei ser menos crítico e mais agregador pelo lado positivo. Afinal, apesar das muitas mazelas, a Igreja continua a ser o Corpo de Cristo na Terra. E esse Corpo têm muitas coisas positivas, que devem ser destacados.

Isso, por si só, promoverá edificação.

Continuo a prezar e a respeitar os colegas que permanecerem na linha de apontar erros e posturas inadequadas.

Mas procurarei me conduzir por essa nova conduta (que descrevi no início) em minhas postagens.

Em Cristo,

Tony Ayres

28 outubro, 2009

Traços de Um Abusador

300_151345 Na condição de uma pessoa que tem que lidar com a restauração de divorciados, tenho enfrentado situações que se repetem muito freqüentemente. Geralmente as pessoas, em especial, as que costumam ir à igreja, imaginam que a violência doméstica não acontece em relacionamentos entre pessoas cristãs. Nada poderia ser mais falso.

Após anos observando relacionamentos destrutivos, descobri doze traços que, quase que na totalidade dos casos, são comuns aos abusadores.

Os homens podem ser abusados por mulheres, mas as vítimas são, predominantemente, mulheres.

Um abusador, tipicamente, apresenta as seguintes características:

1. Charme

De início,ele tem, para com sua mulher, palavras de carinho, incentivo, admiração e atenção. Ele a corteja de maneira doce e intensa. Seu vocabulário está repleto de frases do tipo: “não posso viver sem você”, “você é tudo para mim”, etc. Através disso, ele torna a relação tendenciosa, tornando-a favorável para ele.

2. Ciúme

Ele passa, então, a enxergar os outros homens como uma ameaça ao relacionamento e começa a acusar a mulher de flertar com todo mundo, desde seu irmão até o carteiro. “Eu sei que você está olhando para ele” - é o jargão que utiliza. A ironia disso tudo reside no fato de que, comumente, ele é quem flerta com outras mulheres.

3. Manipulação

O homem abusador é muito inteligente. Ele sabe como detectar as fraquezas da mulher e utiliza sua vulnerabilidade e dores passadas, a fim de tirar vantagens. Não é incomum vê-lo dizendo coisas do tipo: “Abusaram de você, quando criança porque você sempre foi uma pessoa muito feia”.

4. Controle

Ele quer saber onde e com quem sua parceira está, durante todo o tempo. Ele pode checar a quilometragem do carro ou segui-la até o armazém. Ele recusa-se a permitir que ela trabalhe fora, alegando que lá ela poderá “encontrar alguém”.

5. Uma Vítima

As escolhas pobres que o abusador costuma fazer são sempre culpa de outras pessoas. Quando ele perde o emprego, entra numa briga, alega que sua demissão é responsabilidade de outra pessoa. É sempre o outro o culpado e ameaças são comuns: “Vou bater em você!”

6. Narcisismo

O mundo inteiro se revolve ao redor dele. Como a “pequena mulher está sempre por baixo”, é tarefa dela suprir todas as necessidades que ele tem. Ele é o mestre, a parceira é a escrava sem valor. Não é conveniente para ele reconhecer que todo mundo ao redor age de forma diferente da sua.

7. Inconsistência

Mudanças de humor constituem uma característica marcante em todo abusador. Num minuto, ele parece feliz e doce; no minuto seguinte, torna-se uma fera.

8. Crítica

Não importa o quanto sua parceira tente, ela nunca será capaz de satisfazer esse tipo de homem. Ele não acha nem um pouco degradante acusar verbalmente a parceira: “Você é estúpida, gorda...um lixo, que não pode viver sem mim. Nenhum outro homem iria querer você!”

9. Isolamento

O principal objetivo do homem abusador é isolar sua vítima da família e amigos, de forma que ela fique totalmente dependente dele. “Sua família traz muitos problemas para nós. Não quero que você veja alguém deles outra vez” - é a exigência comumente estabelecida.

10. Hipersensitividade

Para o indivíduo do tipo abusador, o mínimo deslize é como detonar uma bomba. Ele é extremamente susceptível e ira-se facilmente.

11. Crueldade

Um número significativo de abusadores machuca crianças e animais, assim como machuca também a parceira. Infligir dor e intimidar os outros é o que dá a ele poder. “Vou matá-la, antes que você vá embora. Se eu não posso tê-la , ninguém mais a terá.”

12. Arrependimento Insincero

O abusador jurará “nunca machucar novamente”. No entanto, a menos que ele receba ajuda profissional e seja obrigado a prestar contas severamente, é muito pouco provável que ele mude.

Vimos, por esses poucos tópicos, que muitas pessoas cristãs podem estar vivendo um relacionamento abusivo. Elas precisam ser identificadas, aconselhadas e profissionalmente tratadas.

Para os líderes de igrejas é indispensável identificar essas situações, principalmente, levando em conta que é muito fácil para um indivíduo abusador enganar e manipular a igreja. Embora os cristãos sejam chamados para serem pessoas amáveis e bondosas, isso não significa que comportamentos cruéis e pecaminosos devam ser tolerados.

Um abusador sabe exatamente o que fazer eo que falar, a fim de ter a igreja “do seu lado”. É preciso ter sabedoria e discernimento para lidar com esse tipo de pessoa.

Tradução e adaptação de Tony Ayres,
Do original em Inglês: “Traits of an Abuser”,
De Laura Petherbridge

20 outubro, 2009

Feridos Em Nome de Deus

livroferidos Não tenho procuração, interesse financeiro ou desejo de promover a Editora Mundo Cristão; tampouco sou seu funcionário ou tenho qualquer vínculo com ela.

Mas tive com essa editora a experiência pela qual todo escritor passa, quando se vê frente a frente com um novo título sobre o qual ele diz: “Esse é o livro que eu gostaria de ter escrito”.

Isso aconteceu comigo, quando deparei-me com o livro “Ferido em nome de Deus”, de autoria da jornalista Marília de Camargo César.

A obra empogou-me tanto, que não resisti em colocar a sinopse do livro, retirada do site da editora, aqui no meu blog. Ei-la:

“Quando a fé se deixa manipular, pessoas viram presas fáceis de toda sorte de abuso. A confiança autêntica e sincera em Deus é gradualmente substituída pela submissão acrítica aos desmandos de lideranças despreparadas.

Carentes de acolhimento são habilmente capturados pela manipulação emocional de líderes medíocres de plantão e ambos seguem de braços dados experimentando religiosidade fútil e meritória, barganhando a todo momento com Deus.

Por ser uma religiosidade descaracterizada da adoração sincera, mais cedo ou mais tarde o castelo de cartas desmorona deixando feridas abertas pelo caminho.

É esta relação doentia que a jornalista Marília Camargo desvenda em seu primeiro livro. Uma reportagem que avança pelos meandros da igreja evangélica brasileira liderada em boa medida por pessoas embevecidas pelo próprio poder de manipular e escravizar aqueles pelos quais Cristo morreu.


Ao lidar com feridas não cicatrizadas, em seu debut literário, Marília revela a urgência de um novo tipo de liderança, não autocrática, e de um novo membro, mais confiante em Deus e menos dependente do pastor local, a fim de que o espaço da igreja seja saudável, criativo e curador.”

Evidentemente fico feliz por Marília ter tido a coragem de abordar tão francamente essa questão que, para mim, tem sempre sido inquietante. Acredito que o livro venderá muito, pois, muitos também têm sido os feridos, abusados e manipulados por líderes ególatras, em nome de Deus.

Já há algum tempo, editores da blogosfera cristã têm se ocupado em denunciar esses abusos. Agora, as editoras cristãs começam a ter coragem também de publicar livros que não agradam a cúpula.

Minha fé e minha esperança é a de que, muito breve, o novo tipo de liderança, preconizado por Marília, aliada ao crescente amadurecimento dos membros das diversas denominações faça com que os “caciques evangélicos” sejam substituídos por gente boa e sábia. Daquela bondade e sabedoria que só podem ser obtidas, a partir da simplicidade de Jesus.

Como disse Salomão, “tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do sol”.

Soli Deo Gloria

Tony Ayres

Observação: Na foto, a autora do livro

14 outubro, 2009

Raiz Rasa, A Causa de Muitos Males

trabajador-frustrado Às vezes, a maior luta ou o maior empenho de um médico para tratar de seu paciente está ligado à questão de sua capacidade de, mediante a análise dos sintomas, formular um correto diagnóstico.

Em outras palavras: somente um diagnóstico preciso é que permite o tratamento apropriado e a a possibilidade de cura .

É impressionante como essa premissa aplica-se em todos os setores da vida dos seres humanos. Mas, quando enxergamos nossas mazelas existenciais sob esse prisma, o que nos surpreende mesmo é a constatação de como um único diagnóstico; ou, se quisermos, de uma única causa, é o elemento gerador de muitos males vivenciados pelo homem.

Para demonstrar essa realidade, vamos tomar o texto bíblico da parábola do semeador na qual Jesus diz, referindo-se às sementes, que uma parte delas "caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porquanto não tinha raiz, secou-se" (Mat. 13. 5-6). Vejamos alguns poucos exemplos de como "a falta de raízes" é a razão do fracasso:

1. O CASAMENTO QUE NÃO DÁ CERTO

O que se observa em quase todos os casamentos desfeitos é que, desde o princípio, ou à partir de algum momento, ambos ou apenas um dos cônjuges deixou de dar prioridade à relação ou ao vínculo matrimonial, começou a negligenciar o seu papel e a permitir-se algumas irresponsabilidades ou "privilégios" que a relação conjugal não comporta.

Em outras palavras, a união entre marido e mulher ficou "rasa", ficou sem raízes e se secou. O resultado, como seria de se prever, acaba sendo a separação ou o divórcio.

2. A PROFISSÃO MAL SUCEDIDA

Um indivíduo, quando escolhe uma profissão, na época de estudo, por exemplo, pode fazê-lo por várias razões: ou porque sabe que aquilo é a sua vocação; ou por imposição dos pais; ou por imperativo das circunstâncias.

O certo é que uma profissão pode ser exercida, pelas razões acima, ou com boa ou com má vontade. Neste último caso, a pessoa se frustra, não se sente realizada, o trabalho se torna enfadonho e, como consequência, pela falta de envolvimento, ocorre o desinteresse, a negligência; que, em muitos casos, faz com que essa pessoa seja demitida ou se demita do emprego.

Como vemos, a falta de "raízes" em relação à profissão é que inviabilizou a sua continuidade.

3. O EMPREENDIMENTO QUE FRACASSA

Algumas vezes, encontramos pessoas ávidas por serem empreendedoras, mesmo não tendo o perfil do empreendedor. Quando isso acontece, geralmente há um planejamento superficial do negócio, ocorre queima de etapas importantes, prioridades erradas, gastos desnecessários e a previsível derrocada de algo que até poderia dar muito certo, se realizado na perspectiva adequada.

Entretanto, como nada foi feito com a amplitude desejável, as “raízes” ficaram, mais uma vez, muito rasas e o resultado acaba sendo o fracasso do empreendimento.

4. A FAMÍLIA SEM HARMONIA

Dentre as organizações humanas, a constituição e o desenvolvimento de uma família saudável é, sem dúvida, o mais desejável para que também os seus integrantes se transformem em cidadãos com noções corretas de civilidade e cidadania.

Ocorre, entretanto, que muitas famílias, por razões diversas, se tornam disfuncionais. Os pais acabam por negligenciar os seus papéis, chegando mesmo a ignorá-los em razão da supervalorização da área profissional, por exemplo; prejudicando, dessa forma, os filhos que, vítimas desse não pertencimento, no presente; serão os reprodutores do modelo, amanhã, perpetuando, dessa forma, o paradiga familiar doentio.

As raízes familiares plantadas pelos pais são rasas demais para a construção de uma família completamente funcional, o que resulta num agrupamento de pessoas sob o mesmo teto, as quais se sentem pouco comprometidas umas com as outras, o que redunda em desarmonia e falta de entrosamento entre elas.

CONCLUSÃO

Nota-se, pelos poucos exemplos enumerados acima, que não apenas a semente do Reino deve ser plantada em solo preparado e fértil.

As nossas realizações humanas, empreendias ao longo da vida, nas mais diferentes e diversificadas áreas, também devem obedecer ao mesmo princípio.

Caso contrário, o que quer que venhamos a realizar terá sempre o cunho de raso, superficial e epidérmico; jamais chegando a ser profundo, essencial, necessário ou indispensável.

Portanto, assim como “pelo fruto se conhece a árvore”, da mesma forma, pela profundidade das raízes se conhecerá a qualidade da planta dela nascida.

Desenvolver laços que representem raízes profundas e saudáveis é, então, condição indispensável para uma vida melhor, mais produtiva e mais realizadora.

Que possamos atingir esse objetivo.

Tony Ayres

13 outubro, 2009

10 outubro, 2009

Para Além da Redoma Gospel

fernanda-brum

Um dos temas que mais tem me preocupado, nos últimos tempos, é a realidade que constato de que, apesar de estarmos prestes a completar já a primeira década do século XXI, ainda predomina, na cabeça de muitos cristãos evangélicos a convicção de que temos de viver dentro da nossa circunscrita redoma gospel.

Aliás, "gospel" é uma palavra que, originariamente, é um substantivo, na língua inglesa, e significa, em português, evangelho.

Só que nós a transformamos em adjetivo. Portanto, temos: cantor gospel, show gospel, site gospel, CD gospel, música gospel,banda gospel, filme gospel, empresa gospel, livro gospel, pousada gospel, loja gospel, hotel gospel e por aí afora.

Não seria de se estranhar, se daqui a pouco, como paradoxo dos paradoxos, surgirem também os pastores gospel, as igrejas gospel e, pasmem, as bíblias gospel!

Há alguns anos, durante um curso que ministrava, tive um sério, mas muito produtivo embate com um dos participantes, que se professava membro da instituição religiosa "Testemunhas de Jeová".

O motivo de tal embate era exatamente o meu questionamento do porquê ele, como membro praticante de tal denominação, só restringia as suas leituras às publicações da Sociedade Torre de Vigia (em inglês, Watchtower Society).

Similarmente, hoje, parece que, para muitos cristãos, alguma coisa só pode ser lida, vista, assistida ou consumida, se for gospel, o que, no mínimo, é um contra-senso, pois contraria frontalmente os ensinamentos de Jesus.

Apenas para dar um exemplo, permita-me uma ilustração.

Com todo o carinho, respeito e admiração que tenho pela cantora Fernanda Brum, minha opinião (e penso que tenho respaldo bíblico para isso) é a de que, com todo o talento que ela tem, estaria sendo muito mais coerente e útil ao Reino de Deus, cantando músicas românticas, ao lado de outros cantores como Maria Rita, Fábio Jr., Ana Carolina e tantos outros.

Ela não seria "mundana", "secular" ou "menos cristã", por causa disso. Teria uma oportunidade maravilhosa de ser uma testemunha do Reino de Deus, num meio onde o Reino de Deus mais precisa ser conhecido.

E o mundo, fora da redoma gospel, teria oportunidade de ouvir uma cantora talentosa, com um irretocável testemunho cristão.

Honestamente falando, creio que já é tempo de pararmos e refletirmos sobre essa questão.

Existe conhecimento proveitoso, oportunidades e meios para uma atuação verdadeiramente cristã, fora e para além da redoma gospel.

Tony Ayres

07 outubro, 2009

O Drama de Um Workaholic

workaholic_230_w4b Workaholic é o termo que utilizamos para designar a pessoa que é viciada em trabalho, um tipo de doença emocional que atinge mais os homens do que as mulheres.

O workaholic sai muito cedo para o seu trabalho, é muito dedicado em todas as suas obrigações e tarefas dentro da empresa; portanto, trabalha muito e volta tarde para casa.

Normalmente ele é financeiramente bem sucedido, mas um fracasso como pai de família e esposo. Não vê os filhos crescerem e seu contato diário com eles se limita a uma olhadela, quando já estão dormindo.

Sua esposa, normalmente, já se encontra cansada demais para tentar mudá-lo e, por isso, vive estressada e infeliz.

O QUE ACONTECE COM A VIDA DE UM WORKAHOLIC?

Para explicar isso, utilizaremos a figura a seguir, que mostra que todos nós desempenhamos os nossos papéis em quatro importantes áreas na vida: a área familiar, a área conjugal, a área profissional e a área social.

areasdepapéis Para que vivamos bem, há necessidade que haja um perfeito equilíbrio entre essas áreas, ou seja, todas devem ter o mesmo peso e a mesma importância.

O workaholic, no entanto, superdimensiona a área profissional, gastando nela todas as suas energias e nela investindo todas as suas fichas, fazendo com que ela ganhe mais destaque em sua vida. É como se ela ficasse contaminada por um "vírus", o "vírus do trabalho", que representaremos com a cor amarela:

araprofComo uma espécie de "infecção" o "vírus do trabalho "contamina" todas as outras áreas, que sofrem os efeitos da "virose". Logo, a vida familiar, a vida conjugal e a vida social do workaholic são atingidas e ele não consegue mais lidar com elas por falta de tempo, vontade e energia, que ele investe totalmente na área profissional.

A figura para representar essa situação seria a seguinte:

areass contVemos, então, que o superdimensionamento ou a supervalorização que o workaholic dá à sua vida profissional prejudica o seu relacionamento conjugal, familiar e social, tornando toda a sua vida disfuncional.

ENTENDENDO AS MOTIVAÇÕES DO WORKAHOLIC

As pesquisas têm demonstrado que a maioria dos indivíduos workaholics tiveram pais muito rígidos, que os cobravam demais, quando eram crianças, e nunca ficavam satisfeitos. Sempre exigiam perfeição e desmereciam os filhos, dando a entender que eles "não serviriam para nada na vida".

Logo, o comportamento de um workaholic possui motivações inconscientes e constitui como que uma "prova" de que ele está dando a seu pai (mesmo que este já tenha falecido há muito tempo) de que ELE É CAPAZ e o sucesso profissional é a "prova" de sua capacidade.

O QUE FAZER, ENTÃO?

Conforme podemos ver, embora faça toda a sua família sofrer, o workaholic é apenas uma vítima da maneira como foi criado.

Dessa forma, as críticas que ele recebe da esposa reavivam as críticas que recebia de seu pai e retroalimenta a sua disfunção cada vez mais, de tal forma que ele passa a evitar até o confronto com ela.

A esposa de um workaholic precisa, por mais penoso que isso seja, mudar urgentemente a sua postura, deixando de criticá-lo, passando a elogiar o seu esforço para prover a família, mostrando-lhe amor e compreensão; mas fazendo-o ver também que ela e os filhos precisam mais da pessoa dele por perto, do que de todo o dinheiro que ele traz.

Se possível, isso deve ser feito com a ajuda de um terapeuta familiar ou de um conselheiro matrimonial.

O tratamento costuma dar muito bons resultados e inúmeros casamentos prestes a fracassarem têm sido salvos, graças a esse tipo de conscientização e do amor genuíno de esposas que não desistiram de seu casamento.

Se você vive ou conhece alguém que viva esse tipo de situação, por favor veja ou faça ver que mesmo o casamento com um workaholic tem muita chance de tornar-se feliz.

Tony Ayres

04 outubro, 2009

Dream Your Dream And Have a Gratifying Life

dreaming-a-dream Joseph's brothers of Egypt did not take seriously his dream, that only caused angry in them because of the the boy's "claim". Even his father reprimanded him with hard words, because of his reporting of it, in a child way".

But Joseph himself never stopped believing in his dream. It was it, in fact, that directed his whole life to the great purpose that it had. Well: José dreamt when he was only 17 years old. And his dream only had complete fulfilment, when he was 40; in other words, 23 years later.

This is a true lesson for all the "accommodated ones" with the bad life of always, that they survive complaining of the nuisance in which their days are elapsing; but doing nothing to change things.

REMEMBERING THE CHILDHOOD

Do you remember when we were children? The way as we were dreaming about what we would be, when we were growing? When we were meeting in small grroups, it was a multitude of "future" doctors, teachers, engineers, pilots of airplane, air hostesses, models, dressmakers, dancers and thereabouts...

Suddenly, it goes from the childhood to the adolescence and from this to the youth, when, normally, people is already "well employed " in a bank, in a registry office, in a great shop or in a multinational enterprise.

There, the salary was "improving", the time was going by and, when the person realized, the life had ran out. It went on a half of the existence or more than a half. Quite often, someone is already financially successful, but .... bored with the kind of activity that is being practising.

THE NEED OF KNOCKING DOWN MYTHS

" It is too late to change ", " I am very old to start again ", " that would not be right ", " I cannot lose the security I have " are some of the myths that keep on maintaining the persons slaves; and that need be knocked down.

In the inner part of each one, they translate the cowardice or the fear because doing changes is, generally, source of great insurances.

ALWAYS IS TIME TO CHANGE

However, it is always time of retaken the old dream, of stopping postponing happyness. Why not to think about and to follow your heart? What do you think of using the maturity you already have obtained and go ahead with the realization of the things you always dreamt about?

It can be that course of violin, that wish of knowing the secrets of cookery, that nursing career, that pilot's license, that time-table as announcer of the local radio or that postponed wish of writing the book you always wanted see published.

Think about that. Perhaps it is exactly now the time to change your way of thinking, to begin to carry out your dream and to to give yourself the chance of beeing well succeed and happy.

Tony Ayres

02 outubro, 2009

Viva o seu sonho e tenha uma vida gratificante

capacidade_de_sonhar_-3380 Os irmãos de José do Egito não levaram a sério o seu sonho que só despertou neles ira pela "pretensão" do rapaz. Até mesmo, o seu pai o repreendeu com duras palavras, por relatá-lo, "infantilmente".

Mas o próprio José jamais deixou de acreditar em seu sonho. Foi ele, na verdade, que direcionou toda a sua vida para o grande propósito que ela tinha.

Pois bem: José sonhou quando tinha apenas 17 anos de idade. E seu sonho somente teve cabal cumprimento, quando ele tinha 40; ou seja, 23 anos depois.

Isso é uma verdadeira lição para todos os "acomodados" com a vidinha de sempre, que vivem reclamando da chatice em que os seus dias vão transcorrendo; mas que nada fazem para mudar as coisas.

RELEMBRANDO A INFÂNCIA

Você se lembra de quando éramos crianças? De como sonhávamos com o que seríamos, quando crescêssemos? Quando nos reuníamos em turminhas, era um aglomerado de "futuros" médicos, professores, engenheiros, pilotos de avião, aeromoças, modelos, modistas, dançarinas e por aí a fora.

De repente, passa-se da infância para a adolescência e dessa para a juventude, quando, normalmente, já se está "bem empregado" num banco, num cartório, numa grande loja ou numa empresa multinacional.

Aí, o salário foi "melhorando", o tempo foi passando e, quando a pessoa se dá conta, a vida correu. Já se passou da metade da existência ou mais do que a metade. Muitas vezes, já se está financeiramente bem-sucedido, mas.... infeliz com o tipo de atividade que se exerce.

A NECESSIDADE DE DERRUBAR MITOS

"É tarde demais para mudar", "estou muito velho para recomeçar", "isso não daria certo", "não posso perder a segurança" são alguns dos mitos que continuam mantendo reféns as pessoas; e que precisam ser derrubados.

No fundo, eles traduzem a covardia ou o temor por fazer mudanças que, geralmente, são fontes de grandes inseguranças.

Temos que nos lembrar de que, muitas vezes, na vida, os erros são inevitáveis. Permanecer neles, todavia, é opcional. Em última instância, somos nós mesmos, os responsáveis pelo nosso destino.

Mas, como desde cedo fomos condicionados a sermos direcionados pela opinião de outras pessoas, continuamos deixando que elas decidam por nós.

SEMPRE É TEMPO PARA MUDAR

No entanto, é sempre tempo para se retomar o sonho deixado para trás e de parar de adiar a felicidade. Que tal refletir sobre isso e seguir o seu coração? O que acha de aproveitar a maturidade que você já obteve e partir para realização daquilo que sempre sonhou?

Pode ser aquele curso de violino, aquele desejo de conhecer os segredos da culinária, aquela carreira de enfermagem, aquele brevê de piloto, aquele horário como locutor da rádio local ou aquele desejo adiado de escrever o livro que você sempre desejou ver publicado.

Pense nisso. Talvez seja exatamente agora o tempo de mudar sua forma de pensar, começar a realizar o seu sonho e a dar-se a si mesmo(a) a chance de ser realizado(a) e feliz.

Tony Ayres