O Blog O PSICANALISTA E A RELIGIÃO é o novo nome deste site, que tratará, a partir deste mês (fevereiro de 2017) de assuntos relacionados ao assim denominado "CONFLITO RELIGIOSO", visto ser este fenômeno, crescentemente preponderante, como um transtorno, entre pessoas religiosas, em especial, as cristãs.
19 julho, 2013
A AUTO-SABOTAGEM
06 outubro, 2012
Idade Certa Para Se Casar. Isso Existe?
Hoje, no entanto, principalmente depois que conhecidas apresentadoras e atrizes da TV assumiram um relacionamento com homens muito mais novos do que elas, a situação mudou radicalmente.
Namorar ou até mesmo se casar com alguém bem mais jovem deixou de ser tido como alguma coisa "do outro mundo", sendo visto até, com relativa normalidade. No entanto, como cristãos que somos, bom é refletirmos sobre essa questão de uma maneira equilibrada.
Comecemos pela Bíblia:
O PENSAMENTO PAULINO
No que se refere ao casamento, o apóstolo Paulo nunca escondeu a sua opinião pessoal de que era preferível para os cristãos que permanecessem celibatários. No entanto, admitia, é claro, a união conjugal. Veja o que ele diz:
"Você tem esposa? Então não procure se separar dela. Você é solteiro? Então não procure esposa. Porém se você se casa, não comete pecado. E se a moça solteira se casa, também não comete pecado. Mas eu gostaria de livrá-los dos problemas que vocês terão na vida de casados" (I Cor. 7.27-28). "Eu quero livrá-los das preocupações. O solteiro se interessa pelas coisas do Senhor, porque quer agradá-lo" (I Cor. 7.32).
No mesmo capítulo, no verso 39, ele diz: "A mulher não está livre enquanto o seu marido vive. Caso o marido morra, ela fica livre para se casar com quem quiser. Mas, deve ser casamento cristão. Porém, ela será mais feliz se ficar como está. Esta é minha opinião, e penso que eu também tenho o Espírito de Deus".
CASAR-SE COM MENOS OU MAIS IDADE?
O leitor mais atento deve ter notado que, no texto de Paulo acima, grifamos as expressões: "moça solteira" e "com quem quiser". Existe uma razão para isso.
Analisando o contexto, percebe-se que, no primeiro caso, o apóstolo está se referindo a pessoas mais novas (os jovens, que, como é natural nesta época da vida, desejam casar-se e constituir família). A palavra "moça" deixa muito claro isso.
No segundo caso, quando Paulo está falando sobre o vínculo matrimonial, ensina às mulheres que este termina com a morte do marido. E então diz que, ocorrendo essa hipótese, a mulher fica livre para casar-se "com quem quiser", desde que o casamento seja cristão.
Refletindo um pouco sobre essa expressão ("com quem quiser") claro está que, desde que o novo cônjuge seja cristão, não existe nenhuma restrição em relação à idade.
Esse novo relacionamento pode, obviamente, ser com uma pessoa mais nova, mais velha ou da mesma idade. Certamente que a experiência de vida e a maturidade devem ser os árbitros nessa questão.
Afinal de contas, existe um ditado popular que diz que "cada um sabe onde o sapato aperta". Isso, na vida cotidiana dos seres humanos é uma verdade que não pode ser ignorada.
O MUNDO REAL QUE PRECISA SER LEVADO EM CONTA
Existem, na vida de todas as pessoas (inclusive as cristãs evangélicas), um mundo real e um mundo da fantasia. Psicanaliticamente falando, diríamos que há um "mundo consciente" e um "mundo inconsciente".
Infelizmente, a maior parte dos erros cometidos pelas pessoas, ocorre, porque elas estão sendo guiadas pelo seu "mundo inconsciente". Daí, a necessidade que vimos, na escrita deste artigo.
No início dele, fizemos referência "à moda", hoje vigente na sociedade, notoriamente entre mulheres famosas da televisão, de estarem assumindo um relacionamento estável ou se casando com homens que poderiam ser seus filhos. Será que isso pode dar certo?
O QUE NOS ENSINA A BIOLOGIA?
O estudo sistemático dos fatores biológicos, que intervêm nas diversas etapas da vida do ser humano, comprova algumas verdades que não devem ser desconsideradas.
Uma delas é que, em função da maior complexidade do organismo feminino (afinal é a mulher que foi "programada" para a gestação), ela não apenas possui uma série de órgãos que o homem não tem (útero, trompas, ovários, etc); como também, tem uma diversidade hormonal significativa.
Isso a leva a passar por problemas que não afligem os homens: TPM (tensão pré-menstrual, menstruação, instabilidade emocional, maior propensão para problemas com a tireoide, etc). Isso, sem mencionar os outros que se acrescentarão, na época da menopausa.
Esses fatores, combinados com o fato de que é a mulher que carrega dentro de si por nove meses o filho, a cada nova gravidez; e que é quem realmente dá à luz a eles (isso interfere extremamente em seu metabolismo) acaba redundando num fato: geralmente os sinais da idade se apresentam mais cedo para ela!
Em outras palavras (cirurgias plásticas e reposições hormonais à parte) a mulher envelhece mais cedo que os homens. É claro que existem exceções, mas geralmente as coisas acontecem assim.
Por essa razão, artigos médicos têm sugerido que, para amenizar os problemas que poderão advir dessas diferenças, seria (idealmente falando) recomendável que houvesse uma diferença entre quatro e seis anos entre o homem e a mulher.
Colocando com mais clareza: o casal ideal seria aquele em que o homem seria entre 4 e 6 anos mais velho do que a mulher.
O QUE NOS ENSINA A PSICOLOGIA?
Dissemos em um outro artigo que, após a puberdade, por volta dos dezessete ou dezoito anos de idade, uma moça é muito mais madura do que um rapaz. Mas isso nem sempre é assim e, mesmo que fosse, essa não é uma situação que costuma perdurar para sempre.
Psicologicamente falando, tanto o homem quanto à mulher podem ser imaturos ou maduros, em qualquer época da vida. Julgamos que é nesse ponto que se concentra a maior importância de nossa reflexão.
Por esse motivo, aconselhamos que, além de pensar bastante sobre tudo o que já dissemos até aqui, você que tenciona ou não descarta a possibilidade de envolvimento emocional com outra pessoa com grande diferença de idade, considere também os seguintes aspectos:
1.O relacionamento entre pessoas com diferenças de idade tem um grau de complexidade maior. Casais assim costumam ser vítimas de críticas, preconceitos e ironias.
2.Os riscos de uma relação desfavorável, nesse tipo de casamento, geralmente advêm de conflitos provenientes das fases diferentes da vida dos cônjuges. Desníveis educacionais, motivacionais e de idéias em geral podem levar a desentendimentos.
3.Nunca é demais lembrar que, quando não existe amor, as motivações para o relacionamento entre mulheres mais velhas e homens mais novos podem ser contra-indicadas, por razões, às vezes, escusas:
O homem em questão pode estar à procura de facilidades financeiras e a mulher pode estar vivendo uma dificuldade em aceitar o seu processo natural de envelhecimento.
4.Embora muitos não concordem, a verdade é que é um fato comprovado pela psicanálise que o homem pode estar procurando na mulher mais velha, uma mãe; e a mulher pode estar procurando nele um filho. Isso, configuraria, a nível inconsciente, um "incesto", com implicações psicológicas graves.
5.O mais novo pode estar buscando no outro uma pessoa para se relacionar que tenha mais cultura, maturidade e sabedoria. A ausência de um amor autêntico, neste caso, teria conseqüências desastrosas.
6.Seres humanos têm necessidade de afeto. Isso se traduz naquele desejo saudável de se envolver amorosamente e ser correspondido. No entanto, ao conseguir essa correspondência, outras emoções podem surgir: paixão, apego e alegria.
Todavia, quando a paixão termina e permite que se abra um espaço para a realidade, a seguinte pergunta pode ser inevitável: "como posso ser capaz de amar uma pessoa tão mais velha que eu?"
7. Ao entrar nesse tipo de relação, os envolvidos devem ter a consciência de que ela está unindo pessoas com momentos de vida diferentes. Por essa razão, é preciso avaliar todas as prioridades e estar disposto(a) a fazer concessões. Quando a diferença de idade é muito grande, sempre ocorrerá alguma perda.
CONCLUSÃO
É possível que o leitor que nos acompanhou até aqui tenha imaginado que a nossa conclusão pudesse ser diferente da que estamos apresentando. Pessoalmente, sabemos das dificuldades por que passam os cristãos (as mulheres, em especial) em encontrar um companheiro digno, para a vida.
Portanto, relembrando a expressão de Paulo, utilizada neste artigo de que as mulheres estão livres para se casar "com quem quiser", desde que o casamento seja de acordo com os preceitos cristãos, pensamos que esse "com quem quiser" abarca pessoas de qualquer idade, inclusive mais novas, se for o caso.
Dificuldades na relação existem sempre, com diferenças de idade ou não. Por outro lado, é certo que idade não é sinônimo de maturidade nem garante o conhecimento do sexo oposto.
A solução que vislumbramos, portanto, ao se conviver com um parceiro com uma diferença grande ou pequena de idade é simplesmente admirá-lo, aceitá-lo e amá-lo por tudo o que é e representa. O resto é o resto.
Tony Ayres
06 agosto, 2011
RELACÕES AMOROSAS TUMULTUADAS: SERÁ QUE VOCÊ CONVIVE COM UM MISÓGINO?
O termo grego "misógino" é utilizado pelos psicólogos para designar a pessoa que odeia mulheres: miso = odiar e gyne = mulher. Isso, teoricamente falando, porque, na vida real, nem sempre é fácil reconhecer um misógino.
À primeira vista, ele é muito educado, gentil; e, em geral, considerado um gentleman. Tem muita facilidade em conquistar a mulher por quem está interessado, pois age de maneira extremamente amorosa, o que o torna quase irresistível.
Sua atitude demonstra um apaixonamento e uma dedicação tão intensos que, com o decorrer do tempo, fica cada vez mais difícil para a mulher estabelecer limites seguros e ser capaz de atribuir-lhe quaisquer responsabilidades na eventual geração de conflitos ou turbulências no relacionamento.
Na verdade, estabelece-se um contrato tácito (sem palavras, mas compreendido por ambos), no qual o homem vai, imperceptivelmente avançando nos limites, a fim de tomar pé de até onde pode ir com seu estilo manipulador e altamente controlador.
A mulher, por sua vez, a fim de "preservar" a relação", tenta ser boa todo o tempo e evita confrontá-lo. Com isso, evidentemente, o relacionamento fica assimétrico e ela, naturalmente, fragiliza-se cada vez mais.
Esse controle do misógino vai avançando de tal maneira que chega a alcançar as áreas financeira e íntima, prejudicando a sexualidade do casal. Ainda que a mulher faça tudo para evitar desentendimentos, ele acaba sempre convencendo-a de que ela sempre está errada.
Com o tempo, ela passa a medir cada palavra que pronuncia, uma vez que, confusa e cada vez mais perplexa, teme que tudo “desmorone” de uma hora para outra. À essa altura, ela já está irreconhecível e a sua auto-estima se encontra totalmente minada.
Torna-se difícil tomar qualquer atitude, uma vez que o homem utiliza argumentos que lhe soam tão lógicos para o bem da relação, que ela passa a chafurdar-se num mar de lodo emocional.
A única coisa que ele deseja é sentir que ela lhe dê mostras de seu amor incondicional por ele, através de muita compreensão e do atendimento de suas mínimas necessidades, sem demonstrar qualquer tipo de aborrecimento. Algumas vezes, ele estoura e, em seguida se arrepende, voltando a ser o homem maravilhoso do princípio...até que novo estouro aconteça.
Vale ressaltar que, a despeito dessa descrição avassaladora da atitude de um misógino, ele está totalmente inconsciente dela e sequer tem noção da dor que sua atitude produz no outro. Seu comportamento é, na verdade, um subproduto de sua história de vida na família de origem, que lhe causou um sofrimento psicológico, o qual não pôde ser evitado.
Geralmente, ele é oriundo de um relacionamento conturbado entre seus pais, com o qual aprendeu que oprimir a mulher é a única maneira de controlá-la.
Como adulto, ele “atualiza” a vivência sofrida no passado, buscando desesperadamente ser amado, ainda que de uma maneira totalmente deturpada.
Já em relação à mulher que tende a relacionar-se com um misógino; o mais provável é que ela tenha sido infantilizada pela sua família pregressa e, por essa razão, tenta encontrar no parceiro, suporte, apoio e amor, como forma de compensação.
Assim sendo, embora pareça que o misógino seja o carrasco e a mulher seja a vítima, a verdade é que existe um conluio entre eles. De uma forma doentia, precisam um do outro.
A solução para esse problema é um dos dois sair do círculo vicioso e começar a agir de uma maneira nova. Geralmente, quando isso acontece, existem três possibilidades:
1. A mulher mantém-se submissa, para conservar consigo o seu homem.
2. Ela prefere separar-se dele.
3. Ela decide investir numa nova relação com o mesmo homem.
As que optam pela última opção terão que elaborar a reconstrução de sua auto-estima, estabelecer limites claros, ser firmes perante o parceiro e assumir o seu lugar dentro da relação. Para isso, com toda probabilidade, elas necessitarão de ajuda terapêutica.
O resultado dessa atitude provocará uma solução do problema que provavelmente será: ou o seu misógino desistirá de ser o algoz para ficar a seu lado, ou desistirá da relação.
De qualquer forma, ela terá conquistado o resgate de sua auto-estima.
Tony Ayres
Baseado no livro: “Homens que odeiam mulheres & mulheres que os amam “, de Susan Forward e Joan Torres, texto de SÔNIA NEMI(www.sonianemi.com)
20 janeiro, 2011
QUAL É A IDADE IDEAL PARA SE CASAR?
A partir desse pressuposto, creio que um fato natural, básico para fundamentar nossa argumentação é o de que a vida do ser humano transcorre num lapso de tempo (que pode ser 70, 80, 90 ou mais anos) no qual são acionados todos os "gatilhos" do relógio biológico, com os quais o homem veio à vida equipado.
Assim é que a criança que nasce sem dentes, com poucos meses tem o primeiro "gatilho" acionado, com a chegada da primeira dentição. Por volta dos 6 anos, temos o acionamento do segundo "gatilho" com a queda dos "dentes-de-leite" e a chegada da segunda e definitiva dentição.
Posteriormente, à medida que o tempo passa, vamos observando os sucessivos "gatilhos": puberdade, ao redor dos 11-12 anos, com a menarca (primeira menstruação) para as meninas e com a capacidade de produção de sêmen para os meninos. Muito mais tarde, por volta dos 50 anos, ocorrem o climatério, a menopausa, até o início da degeneração da vida biológica, cujo desfecho culmina com a morte, evento que, embora traumático, também faz parte da natureza.
CAPACIDADE BIOLÓGICA
Se fôssemos levar em conta apenas o aspecto biológico da questão, não haveria como contestar o fato de que, com o evento da puberdade, a partir do qual a mulher possui a capacidade de ovular e o homem a capacidade de produzir espermatozóides, fatores essenciais para a perpetuação da espécie, ambos estariam aptos para casar e gerar filhos.
No entanto, quando isso acontece (e na verdade é um fato, pois a cada ano aumenta o número de adolescentes grávidas!) acaba se transformando num transtorno, que envolve a adolescente em questão (que não foi preparada para a maternidade e deveria prosseguir em seus estudos); o pai da criança (normalmente também um adolescente que ainda nem chegou ao seu primeiro emprego); a criança em si (que poderá ser criada num ambiente muito diferente do ideal) e os pais de ambos, que acabam por assumir responsabilidades que não lhes caberiam ou para as quais também estão despreparados.
Colocada dessa forma, que a nosso ver é a correta, vê-se que seria um absurdo se a sociedade incentivasse, ou mesmo permitisse o casamento onde os nubentes seriam garotos de 12,13 ou 14 anos de idade. Em nossa cultura, isso seria simplesmente um disparate, embora não seja impossível que aconteça. No entanto, quando, infelizmente, acontece, a metáfora mais apro-priada para descrever esse fato talvez seja a conhecida canção infantil:
"... o anel que tu me destes era vidro e se quebrou,
O amor que tu me tinhas era vidro e se acabou..."
Isso significa que a criança (simbolizada pelo "anel de vidro" da canção) era frágil, e se quebrou, queimando uma etapa no seu processo de amadurecimento: perdeu as alegrias da adolescência e "adultizou-se", pela maternidade/paternidade precoce. Uma pena!
O que nos resta a dizer, à essa altura de nosso pensamento, é que, embora na adolescência (entendida aqui desde a puberdade até os 17 0u 18 anos de idade), a menina se desabroche, como a flor, numa linda mulher e o menino assuma os caracteres de virilidade próprios de um homem feito, emocionalmente, na quase totalidade dos casos, serão imaturos para assumirem uma responsabilidade tão complexa como a do casamento.
CAPACIDADE PSICOLÓGICA
Aqui entramos num outro enfoque da questão: o enfoque da evolução emocional, que é a que realmente interessa, no sentido de que, o ser humano torna-se apto para tomar sobre seus ombros determinadas responsabilidades, quando está emocionalmente preparado para tal. Isso não é diferente, no que se refere ao casamento.
Do ponto de vista da psicologia, um adolescente adquire a "idade da razão" por volta dos 14 anos, uma vez que é a partir dessa idade que se torna capaz de discriminar o certo do errado. Esse é o motivo pelo qual a maioria das igrejas só admite a chamada "profissão de fé" e o batismo, a partir dos 14 anos, pois, tecnicamente, segundo algumas correntes teológicas, seria a partir daí que ela seria capaz de distinguir com clareza aquilo que é pecado e contrário à vontade de Deus.
No entanto, a idade da razão não serve como parâmetro para determinar a aptidão emocional para o casamento. A experiência de vida: conquistas, frustrações, alegrias e decepções são vivências que farão parte, necessariamente do amadurecimento do indivíduo. Aprender a lidar com essas experiências significa aprender a interagir com a vida, ensinando a pessoa em processo de crescimento a analisar cada situação, refletir a respeito e tomar as decisões mais adequadas em relação a elas.
A conquista do emprego desejado, a oportunidade de cursar um curso superior ou técnico almejado, a aquisição de determinados bens materiais e, fundamentalmente, a consciência do quanto se tem de lutar para alcançar tais objetivos, são fatores imprescindíveis na consolidação dessa experiência que o (a) jovem deve ter para pensar em casamento.
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA
Isso porque ela funciona como o primeiro "espelho" onde o ser humano verá refletida a sua imagem, e, a partir dessa imagem refletida, construir uma auto-estima positiva ou negativa.
Se a família for disfuncional (pais separados, alcoólatras, indiferentes, intolerantes, ausentes, etc), o(a) filho(a) estará vendo a sua imagem num espelho defeituoso e, como resultado, construirá uma imagem defeituosa sobre si mesmo(a).
Já o inverso é absolutamente verdadeiro. Uma família funcional (pais amorosos, compreensivos, disponíveis, abertos ao diálogo, nutritivos, etc) terá o efeito de um espelho de cristal (perfeito) e fornecerá todas as condições para que o(a) filho(a) tenha uma elevada auto-estima, fundamental no desenvolvimento de suas própria vida, principalmente quando viver sua própria experiência dentro do casamento.
E A IGREJA, COMO FICA?
Paulo, escrevendo a Timóteo, diz: "Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo". (I Tm. 5.8). Embora o contexto nos indique, neste versículo, que o apóstolo está falando principalmente do cuidado que os filhos e parentes próximos devem ter para com a viúva idosa, não seria absolutamente de nenhum prejuízo aplicarmos este ensinamento ao cuidado que os pais precisam ter para, com muita sobriedade e sabedoria, instruírem seus filhos em relação à responsabilidade do casamento.
No entanto, seria falta de sensibilidade de nossa parte reconhecer honestamente que, infeliz-mente, um número muito pequeno de famílias cristãs está realmente preocupado em orientar seus filhos para a experiência do casamento.
Dá-se muita ênfase à questão da capacidade em montar uma casa (própria ou alugada), na escolha dos móveis, nas questões materiais e até mesmo, em coisas muito insignificantes, como a escolha de padrinhos e madrinhas adequados, tipo de recepção e outras coisas dessa natureza; e despreza-se o principal, que é, sem dúvida o preparo emocional e a busca da maturidade psicológica do(a) filho(a) que irá se casar.
É aqui que, sob a nossa ótica, a igreja precisa entrar em ação, para suprir essa deficiência, planejando e levando à frente programas que contemplem tópicos como os que se seguem:
·Instrução aos pais sobre o que é realmente importante ensinarem a seus filhos em pers-pectiva de se casar, principalmente no que diz respeito à maturidade psicológica.
·Ensino aberto e esclarecedor aos jovens nubentes, incluindo: responsabilidades exigidas pela nova vida de casado, provisão/provimento de um lar, instrução clara sobre a sexualidade, diferenças psicológicas entre o homem e a mulher, etc.
·Curso abrangente sobre maternagem/maternidade, acompanhamento médico durante a gestação, preparação para o parto, etc.
É evidente que tudo isso, como o leitor percebe, seria de responsabilidade da família, mas como conhecemos bem nossa realidade, infelizmente, as famílias não estão preparadas para tanto e, se a igreja se omitir, nunca esse problema será resolvido, trazendo, como conseqüência outros muito piores, que todo pastor experiente já conhece.
AFINAL DE CONTAS, ENTÃO, QUAL É A IDADE IDEAL PARA SE CASAR?
Bem, depois de toda a exposição que fizemos, creio que a pergunta já pode ser respondida. Sua resposta pode surpreender, mas, na realidade, é muito simples: NÃO EXISTE IDADE IDEAL PARA SE CASAR!
Convém que haja uma explicação aqui. Quando afirmo que não existe idade ideal para se casar, estou pretendendo dizer que não se pode fixar esta ou aquela idade para que o casamento dê certo. O ideal é que ambos os noivos tenham complementado seus estudos, tenham um mínimo para começar uma nova vida a dois, mas o que realmente deve determinar a realização de um casamento que tenha tudo para dar certo é a maturidade emocional dos noivos e isso, definitivamente, não depende da idade cronológica!
É um fato absolutamente comprovado que, uma jovem de apenas dezessete anos seja psicologicamente muito mais madura do que uma outra de 24, por exemplo. Conheço duas jovens, filhas de uma psicóloga cristã, que casaram ambas, ao redor dos 17 anos. Mas TINHAM SIDO emocionalmente preparadas para isso durante a vida toda! Hoje são excelentes esposas e mães, são muito felizes em seus lares e seguem na igreja, servindo a Deus!
Finalizando este artigo, escrevo para você, moça ou rapaz cristão que são, potencialmente as partes mais interessadas na questão do casamento. Olhe bem para dentro de você mesma(o). Procure compreender-se profundamente. Você ama realmente seu/sua parceiro(a)? Se o(a) ama, sente-se maduro(a) psicologicamente para assumir responsabilidades como as que o casamento impõem? Buscaram juntos e separadamente a ajuda e orientação de Deus?
Se se sentem seguros na resposta a essas perguntas, então, a questão da idade não é realmente a mais importante.
Casem-se, sigam em frente temendo ao Senhor e sejam felizes!
11 agosto, 2010
15 junho, 2010
As Pessoas Continuam A Se Casar
O casamento, nos tempos modernos, está em crise. As estatísticas mostram um aumento assustador do número de divórcios. Há, entre os brasileiros, o conhecido jargão sobre esse rito de passagem: “Quem está dentro quer sair; quem está fora quer entrar”.
O mundo mudou tanto nas últimas décadas que, na atualidade, pouquíssimos casamentos chegam a durar 10 anos. Parece-nos que, a continuar como estão indo as coisas, em breve não se comemorará mais as bodas de prata.
Apesar de todos os problemas e responsabilidades que o casamento acarreta, no entanto, ninguém (ou quase ninguém) deseja ficar solteiro (a). Isso, sem dúvida, é positivo pois, sem família (com pai e mãe) as crianças não podem ser criadas emocionalmente saudáveis.
É preciso, portanto, que as pessoas sejam mais tolerantes, conscientizem-se de que uma relação a dois não pode ser vivida com eterna paixão, mas deve ser construída a cada dia de cada mês de cada ano.
E olha que os evangélicos precisam, mais do que os outros, aprender essa verdade. Nada adianta “vigiar e orar” se não se der a devida atenção ao cônjuge e à família.
Quando fez a Reforma Protestante, uma das coisas contra as quais Lutero se insurgiu foi contra considerar o casamento como um sacramento.
No entanto, a Igreja protestante considera o casamento civil como legítimo, também perante Deus.
Esperemos e contribuamos para que o casamento volte a ter o valor que merece ter. Somente dessa forma será também legítimo o desejo de querer casar.
Antônio Ayres
02 junho, 2010
Conselhos a Uma Jovem Esposa, Cujo Marido é Dependente Químico (2ª ed.)
Prezada "X" Disse-lhe que a existência de amor faz grande diferença porque quem ama suporta sacrifícios; e, se você decidir permanecer casada, esteja preparada para uma vida de sacrifícios.
Infelizmente, seu esposo tem percorrido todo o conhecido caminho do verdadeiro dependente químico: primeiro dá mostras de recuperação; passa um período relativamente longo sem a droga, fazendo todos acreditarem que está liberto; depois tem uma "recaída"; afasta-se da igreja (se é cristão); promete que não acontecerá mais; tem nova recaída; começa a precisar de dinheiro e, na ausência dele, começa também a vender objetos de uso pessoal ou furtados a fim de manter o vício e assim por diante.
A tendência é, a partir de agora, ter recidivas cada vez mais freqüentes, até que venha a perder o trabalho e a isolar-se de quem queira ajudá-lo.
Agora, NUNCA imagine que Deus seja um ser vingativo e castigador, que a esteja "punindo" por ter-se casado com tal pessoa. Tampouco fique pensando que Ele a "castigará" mais, se você se separar de seu marido.
Essas são idéias que os homens, erroneamente, ensinam acerca de Deus. Ele é amor e deseja que tenhamos liberdade e saúde emocional. Jesus veio proclamar liberdade aos oprimidos e liberdade aos cativos.
Você precisa também saber que o drogado é uma pessoa que sofre de um vazio existencial tão grande que nenhuma coisa: nem Deus, nem mulher, nem filhos, nem família, nem trabalho, NADA, para ele, tem mais importância do que a droga.
Por outro lado, as pessoas que o amam (como é o seu caso), muitas vezes passam a sofrer daquilo que é chamado de "co-dependência" afetiva. Ou seja, é possível que você, inconscientemente, "precise" de alguém como seu esposo para sentir-se "útil".
Agora, reflita: Você acha que alguém que falta ao trabalho para drogar-se, que "some" de casa quando lhe é conveniente; que sonega informações, que utiliza o dinheiro do casal e do trabalho para comprar drogas e que vende o que for preciso para sustentar a sua dependência, AMA você?
É preciso que você tenha consciência de que somente um milagre de Deus pode libertar o seu esposo, se ele não procurar ajuda especializada numa instituição, como lhe disse.
Pense, reflita, ore e consulte não apenas o seu coração, mas também a sua inteligência.
Não posso decidir por você. Tampouco qualquer outra pessoa poderá fazer isso. Deus lhe deu o livre arbítrio e você deverá fazer uso dele para decidir.
Apenas tenha em mente que o seu futuro sempre dependerá de suas escolhas presentes. Você é a autora de seu próprio destino.
Espero não tê-la magoado com a minha sinceridade.
Oro a Deus para que você tenha paz e total dependência Dele para decidir com sabedoria e sensatez.
Em Cristo,
Tony Ayres
07 março, 2010
O Melhor Presente de Casamento
Um conto de: Tony Ayres
Os raios prateados do luar invadem displicentemente a janela de um tosco, mas cuidadosamente arrumado quarto de uma casa simples construída em pedras, iguais a tantas outras da pequena cidade de Caná.
O vento fresco vindo do mar da Galiléia ameniza o calor do dia, que castiga e torna a tez trigueira nas mulheres e a pele mais dura e avermelhada nos homens.
É justamente um desses homens, ainda muito jovem na idade e já experimentado nos labores da vida que, dentro do quarto, contempla os raios do luar, que teimam em seduzir seus olhos, enquanto seu coração vagueia e seu espírito devaneia de maneira quase que irresistível.
A noite tem o condão de trazer consigo sonhos, que, nesta época da vida, além de serem belos, ainda que não isentos de preocupações, são vivenciados mais acordados do que dormindo.
A voz do coração sempre é mais forte do que a da razão, mormente quando o coração ama e uma preocupação teima em turvar o ânimo daquele que, mais do que nunca, deveria estar feliz.
O silêncio é completo e quando a sua música inaudível se faz presente, apenas o contemplar do luar e do brilho das fulgurantes estrelas da Palestina levam os pensamentos cativos à imagem da amada que, em algum lugar, não muito longe, dorme o sono das virgens prometidas.
O Rabi que há pouco chegara de Nazaré e de cuja fama se ouvia falar em toda a região às margens de Tiberíades e para além da Galiléia, na província da Judéia; já conhecida por gentios e pelo povo da terra ensinara que não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte.
Caná não ficava sobre um monte, mas essas noites enluaradas cujos raios prateados penetravam cada pequena fresta faziam dela um espelho natural, impossível de não ser notado pelo natural ou pelo estrangeiro.
Benjamin – este era o nome do moço amante e amado – recostado em seu catre pensava sobre o grande passo que estava para dar. Seu sono havia ido embora, mas não por inquietações perversas, que trazem dor ao coração e infelicitam a alma.
Sua vigília era provocada por outra sorte de inquietude: aquela que somente o coração dos amantes tem o privilégio de conhecer. Não dormia por puro prazer em imaginar o sono da noiva, e tal sentimento ele o trocava de bom grado por uma noite insone, ainda que suas mãos calejadas tivessem que albardar os camelos nas primeiras horas da madrugada.
Pensava no meigo sorriso da doce Ester dormindo em sua magnífica recâmara. Imaginava os cachos dourados de seus cabelos acalentando seus seios virginais, cobertos pela alva seda dos lençóis. Com certeza os sonhos da jovem seriam para ele, sabidamente, o único amor de sua vida.
Mas...seu pensamento tornava ao novo Rabi, que curava os enfermos e dava pão aos pobres.
Benjamin dividia o seu coração entre a felicidade de pensar em Ester e em considerar como seria esse Rabi tão desejado. Imaginava-o um homem bondoso e compassivo; pois que outra razão senão essas qualidades poderiam mover um Sábio tão afamado a fazer de pescadores seus mais íntimos amigos?
Entregue a essas reflexões, as fibras que teciam a rede na qual trabalhava feriam-lhe as mãos, sem que nem mesmo sentisse.
De repente, um pensamento, como um raio, atravessou-lhe a mente: Suas bodas com Ester estavam se aproximando; quem sabe por um desses milagres inexplicáveis, de que tanto ouvira seu pai lhe contar, o Rabi novo pudesse estar presente, tornando a festa a mais linda que Caná jamais presenciara?
Não havia ele próprio, e o pai, de viagem à Judéia, sido batizados por João Batista, o profeta do deserto, nas águas do Rio Jordão? E não havia ele ouvido da boca de João Batista, aquelas palavras que marcaram a sua vida indelevelmente?
“Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido”.
Ora, Ester estava para ser sua esposa e, pelo que sabia o novo Rabi era jovem, quem sabe sete ou oito anos apenas mais velho do que ele. Enfim, exausto, dormiu com esse pensamento embalando seu coração: ele, o noivo feliz com a sua amada; Ester, a linda esposa que lhe estava destinada; e, alegrando-se em sua alegria, o novo Rabi, como o amigo do noivo, assim mesmo como João havia dito, às margens do Jordão, na Judéia.
De fato, seu coração adivinhava.
Alguns dias depois, o mais feliz de sua vida, finalmente o seu sonho se realizou. As rubras faces de Ester, iluminada por seus lindíssimos olhos azuis como pedacinhos do céu, os seus lábios rosados e trêmulos de felicidade; o seu talhe esbelto cuidadosamente ornado, enfim, Ester inteira, de corpo e alma era lhe entregue por esposa, na tão esperada noite das bodas.
E quando os serventes mostraram-se aflitos porque o vinho da festa se acabava, eis que surge o novo Rabi, como havia ele sonhado, e lhe dá o mais precioso dos presentes: O milagre da água agora transformada no melhor vinho que jamais existira.
14 outubro, 2009
Raiz Rasa, A Causa de Muitos Males
Às vezes, a maior luta ou o maior empenho de um médico para tratar de seu paciente está ligado à questão de sua capacidade de, mediante a análise dos sintomas, formular um correto diagnóstico.
Em outras palavras: somente um diagnóstico preciso é que permite o tratamento apropriado e a a possibilidade de cura .
É impressionante como essa premissa aplica-se em todos os setores da vida dos seres humanos. Mas, quando enxergamos nossas mazelas existenciais sob esse prisma, o que nos surpreende mesmo é a constatação de como um único diagnóstico; ou, se quisermos, de uma única causa, é o elemento gerador de muitos males vivenciados pelo homem.
Para demonstrar essa realidade, vamos tomar o texto bíblico da parábola do semeador na qual Jesus diz, referindo-se às sementes, que uma parte delas "caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porquanto não tinha raiz, secou-se" (Mat. 13. 5-6). Vejamos alguns poucos exemplos de como "a falta de raízes" é a razão do fracasso:
1. O CASAMENTO QUE NÃO DÁ CERTO
O que se observa em quase todos os casamentos desfeitos é que, desde o princípio, ou à partir de algum momento, ambos ou apenas um dos cônjuges deixou de dar prioridade à relação ou ao vínculo matrimonial, começou a negligenciar o seu papel e a permitir-se algumas irresponsabilidades ou "privilégios" que a relação conjugal não comporta.
Em outras palavras, a união entre marido e mulher ficou "rasa", ficou sem raízes e se secou. O resultado, como seria de se prever, acaba sendo a separação ou o divórcio.
2. A PROFISSÃO MAL SUCEDIDA
Um indivíduo, quando escolhe uma profissão, na época de estudo, por exemplo, pode fazê-lo por várias razões: ou porque sabe que aquilo é a sua vocação; ou por imposição dos pais; ou por imperativo das circunstâncias.
O certo é que uma profissão pode ser exercida, pelas razões acima, ou com boa ou com má vontade. Neste último caso, a pessoa se frustra, não se sente realizada, o trabalho se torna enfadonho e, como consequência, pela falta de envolvimento, ocorre o desinteresse, a negligência; que, em muitos casos, faz com que essa pessoa seja demitida ou se demita do emprego.
Como vemos, a falta de "raízes" em relação à profissão é que inviabilizou a sua continuidade.
3. O EMPREENDIMENTO QUE FRACASSA
Algumas vezes, encontramos pessoas ávidas por serem empreendedoras, mesmo não tendo o perfil do empreendedor. Quando isso acontece, geralmente há um planejamento superficial do negócio, ocorre queima de etapas importantes, prioridades erradas, gastos desnecessários e a previsível derrocada de algo que até poderia dar muito certo, se realizado na perspectiva adequada.
Entretanto, como nada foi feito com a amplitude desejável, as “raízes” ficaram, mais uma vez, muito rasas e o resultado acaba sendo o fracasso do empreendimento.
4. A FAMÍLIA SEM HARMONIA
Dentre as organizações humanas, a constituição e o desenvolvimento de uma família saudável é, sem dúvida, o mais desejável para que também os seus integrantes se transformem em cidadãos com noções corretas de civilidade e cidadania.
Ocorre, entretanto, que muitas famílias, por razões diversas, se tornam disfuncionais. Os pais acabam por negligenciar os seus papéis, chegando mesmo a ignorá-los em razão da supervalorização da área profissional, por exemplo; prejudicando, dessa forma, os filhos que, vítimas desse não pertencimento, no presente; serão os reprodutores do modelo, amanhã, perpetuando, dessa forma, o paradiga familiar doentio.
As raízes familiares plantadas pelos pais são rasas demais para a construção de uma família completamente funcional, o que resulta num agrupamento de pessoas sob o mesmo teto, as quais se sentem pouco comprometidas umas com as outras, o que redunda em desarmonia e falta de entrosamento entre elas.
CONCLUSÃO
Nota-se, pelos poucos exemplos enumerados acima, que não apenas a semente do Reino deve ser plantada em solo preparado e fértil.
As nossas realizações humanas, empreendias ao longo da vida, nas mais diferentes e diversificadas áreas, também devem obedecer ao mesmo princípio.
Caso contrário, o que quer que venhamos a realizar terá sempre o cunho de raso, superficial e epidérmico; jamais chegando a ser profundo, essencial, necessário ou indispensável.
Portanto, assim como “pelo fruto se conhece a árvore”, da mesma forma, pela profundidade das raízes se conhecerá a qualidade da planta dela nascida.
Desenvolver laços que representem raízes profundas e saudáveis é, então, condição indispensável para uma vida melhor, mais produtiva e mais realizadora.
Que possamos atingir esse objetivo.
Tony Ayres
26 agosto, 2009
Ficar Solteira ou "Ficar Para" Titia?
Sou um leitor e ouvinte assíduo do psiquiatra Flávio Gikovate e conheço bem de perto o seu pensamento de que estar sozinho(a), ao contrário do que muita gente supõe; é, sim, um estado honroso.
Digo isso porquanto, apesar de todo o progresso cultural em que vivemos, ainda persiste em muitas cabeças, o velho preconceito revelado pelas expressões "solteirona" e "encalhada", para referir-se a mulheres que permanecem solteiras, após os 30 anos de idade.
Mesmo porque, encontramos nas empresas, nos clubes ou nas igrejas mulheres bonitas, inteligentes, bem-sucedidas e seguras; que assumem, sem nenhum medo, a sua condição de solteiras, sem nenhum temor em afirmar que casar não faz parte de seus planos.
Isso não significa que o casamento caiu em desuso. Afinal de contas, amar e ser amado continua a ser uma das melhores satisfações da alma humana. Por essa razão, o casamento continua a fazer parte do sonho de um grande número de mulheres.
Nesse caso, a insatisfação adviria do fato de algumas mulheres estarem "encalhadas" na busca daquilo que é comumente denominado de "alma gêmea".
A verdade, porém, que até pode ser novidade para alguns, é que os psicoterapeutas estão familiarizados também com o tratamento de homens que estão desesperados, encalhados em sua solteirice e obcecados pela idéia de encontrar uma companheira para a vida.
Essa é uma questão, portanto, que envolve tanto o homem como a mulher. E ambos devem refletir bastante, antes de qualquer decisão que possa ser precipitada, por uma razão muito simples:
Vivemos em uma época particularmente difícil e, quem lida com os problemas familiares das pessoas sabe que, maior do que qualquer angústia que se possa ter por estar solteiro(a),é a angústia de quem está encalhado num casamento mal sucedido.
Sem dúvida, as pessoas que estão presas a um casamento arruinado, são mais infelizes do que qualquer solteirão, uma vez que, com medo das consequências de uma ruptura, tornam-se depressivas e adiam, talvez para sempre, a felicidade.
Portanto, casar ou ficar solteiro é uma escolha que o ser humano faz. E escolher permanecer solteiro(a) é diferente de temer estar casado(a).
O importante é ser feliz, de um modo, ou de outro.
Tony Ayres
10 maio, 2009
CASADOS, REALMENTE?
Vivemos uma época da História da Humanidade em que instituição do casamento está francamente desacreditada, por razões que todos nós conhecemos, uma vez que todos temos acesso à mídia.
E num mundo assim, é comum encontrarmos uma parcela de cristãos evangélicos achando que estão imunes ao problema; que a sua fé e a sua piedade nunca permitirão que algo venha arranhar a sua relação conjugal.
Será?
Para responder à essa pergunta, comecemos por definir os três tipos de casamento que configuram a união matrimonial:
1. CASAMENTO CIVIL: é aquele realizado pelo juiz de paz, no cartório, seguindo normas legais, e a com a aposição das assinaturas dos noivos e das testemunhas.
2. CASAMENTO RELIGIOSO: é aquele realizado na igreja, perante um pastor ou sacerdote, com a presença dos padrinhos de ambos os nubentes. A noiva se veste de branco, há a troca de alianças e, geralmente, existe muita pompa.
3. CASAMENTO TEOLÓGICO: é, na verdade, o casamento bíblico (“…deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher, e serão ambos uma só carne”). Esse ocorre no coração do casal que se ama e não há necessidade de testemunha alguma, pois o compromisso é diante de Deus.
Conforme se depreende, dos três tipos de casamento acima, o de maior importância sempre foi e sempre será o terceiro. Somente o casal teologicamente casado pode, realmente, ter comunhão entre si e diante de Deus. Os dois outros são instituições humanas.
MAS O QUE A RELIDADE NOS ENSINA?
Infelizmente que, aquilo que tem valor diante de Deus, perdeu o seu valor diante dos homens.
É muito comum encontrarmos casais cristãos que brigam e ficam dias; às vezes, semanas, sem se falarem, sem se unirem, sexualmente, chegando a dormir em quartos separados.
Por outro lado, existem aqueles casais mais antigos que vão para a igreja com a Bíblia embaixo do braço durante anos a fio. Aparentemente estão casados. Vivem, sem dificuldades, o casamento civil e o casamento religioso.
Mas, como quase nem mais se conversam, o amor desapareceu de suas vidas há muito, vivem “de aparência” e “para a igreja”. Teologicamente, estão divorciados!
E, que ninguém se engane. Isso acontece também com pastores e pastoras!
Que a leitura deste artigo possa fazer-nos refletir a respeito e, se for o caso, curvarmo-nos, reconhecendo as nossas falhas,confessando-as diante do Senhor.
Não é, com certeza, a vontade de Deus que vivamos o casamento de uma forma farisaica.
Tony Ayres
15 abril, 2009
CRISE NO CASAMENTO
Sei que, pelo menos para as pessoas que se consideram bem casadas, o título deste post pode parecer um tan
Minha resposta a essas pessoas é que, de início, se nem todos os casamentos estão em crise, todos os casamentos, até mesmo entre os cristãos, passam por crises.
Entretanto, como este assunto é muito vasto, para ser discutido num simples post, quero concentrar-me aqui a um certo tipo de crise conjugal que a realidade tem ensinado ser muito freqüente e, por isso, a minha preocupação com ela.
Refiro-me aquele casamento que consiste na união de um homem e de uma mulher que se apaixonaram e se casaram muito jovens.
É muito comum uma relação de namoro ter começado ainda na adolescência, quando o rapaz tinha, digamos, 18 anos de idade; e a garota, 15.
Essa é uma fase na qual sobra amor romântico, mas falta experiência de vida. Esses dois fatores, combinados, por vezes precipitam, após dois ou três anos de namoro, um casamento que se concretiza cedo demais, na vida.
No exemplo em questão, o noivo teria 21 anos e a noiva apenas 18, uma época da vida em que: ainda não existe plena maturidade de ambos, falta experiência de namoro com outras pessoas e a questão de prosseguimento nos estudos ou na carreira torna-se secundária, mais difícil ou completamente esquecida.
Nesses casos, é também muito comum uma gravidez precoce, que acrescentará uma carga muito grande com todos os cuidados da maternidade/paternidade muito cedo, na vida.
E como "a vida trata a gente como a gente trata a vida"; ainda que exista muito amor, as demandas e responsabilidades que os cônjuges têm de assumir com o passar dos anos acaba levando a um desgaste natural na relação.
Ela pode se tornar morna, monótona, fastidiosa, na melhor das hipóteses; ou belicosa, repleta de discussões e carregada de mágoas, na pior delas.
O resultado costuma ser a inviabilização da relação e a separação, através do divórcio, uma década ou pouco mais, após o casamento.
Por que razão escrevo isso?
Em primeiro lugar, para alertar pessoas que vivenciam esta situação a procurarem um conselheiro matrimonial, pois, com boa vontade, o "primeiro amor" pode ser resgatado e, em assim sendo, o casamento não precisa terminar.
Com o amor renovado e a experiência de vida acumulada, o casamento pode, de fato, durar a vida inteira, com felicidade real.
Em segundo lugar, para alertar os jovens namorados e seus pais que, nos dias de hoje, principalmente, não é aconselhável um casamento antes dos 25-29 anos para a mulher; e antes dos 27-32 anos, para o homem.
Nessa faixa de idade, ambos terão mais experiência de vida, já deverão estar formados na carreira escolhida e terão maturidade muito maior para realizar escolhas.
Isso diminuirá significativamente a chance de um divórcio doloroso, no futuro.
Tony Ayres
11 novembro, 2008
O TRAUMA DE UM CASAMENTO TERMINADO E O MEDO DE SER FELIZ NOVAMENTE
Não é conveniente permitir que uma ferida fique aberta, incomodando, e com o risco de infeccionar, só para que a pessoa que a tem não sinta mais dor por ter de mexer nela.
Melhor é enfrentar a dor de frente, expondo a ferida ainda mais, realizando a assepsia necessária, para só então, suturá-la e permitir que haja uma cicatrização natural.
A metáfora da "ferida aberta" utilizada acima, infelizmente tem uma aplicação prática muito real na vida de muitas pessoas divorciadas que, em virtude de terem sofrido demais com o término de seu casamento, estão literalmente paralisadas de medo: medo de arriscar-se a ser feliz novamente num possível novo relacionamento.
Convém que façamos aqui um esclarecimento: esse medo mórbido sobre o qual estamos falando nada tem a ver com o processo natural de luto, que acontece em toda separação.
O divórcio é um processo doloroso e a perda da outra pessoa inicia um período de luto. Depois da morte física, propriamente dita, ele é o segundo fator mais estressante na vida do ser humano, e a experiência do luto, quase que necessariamente, faz parte dele.
Durante esse período de luto, que leva em média, entre um e dois anos para terminar, toda sorte de sentimentos negativos e contraditórios são experienciados: culpa, raiva, rancor, autodepreciação, inconformismo, desejo de vingança, indiferença forjada, instabilidade emocional, extrema irritação, falta de perspectiva, etc. Esses sentimentos, como que pintam a vida da pessoa de um cinza-chumbo tão pesado que parece que a tempestade nunca terá fim.
No entanto, decorrido os primeiros meses, ao final do primeiro ano e início do segundo, a situação já não é tão negra. Há mágoas, obviamente, mas o tempo tem o condão de suavizá-las. Se tudo der certo, o arco-íris em breve surgirá e o sol voltará a brilhar, trazendo um horizonte novo à vida da pessoa.
É quando se inicia de fato, a oportunidade de um recomeço, de um refazer a vida de uma forma mais feliz. É a chance que se abre para um novo amor, para uma nova perspectiva, para com uma nova e excitante expectativa, cheia de esperanças. Esse é o processo normal.
Mas, não é dele que estamos nos ocupando. Falamos de pessoas que, divorciadas há sete, oito, dez ou mais anos, não conseguem envolver-se emocionalmente o suficiente para apostar tudo numa nova relação. É para essas pessoas que estamos escrevendo.
Se você é uma delas, ou conhece alguém que age dessa maneira, procure refletir no que iremos dizer. Essas pessoas, como que "cristalizaram" ou "fossilizaram" suas emoções. Encontraram mil desculpas para não se envolverem emocionalmente e sofrem muito com isso!
Estão na situação do asno que morreu de fome bem no meio de dois montes de feno, por não ser capaz de decidir qual dos dois iria comer!
De um lado, desejam ardentemente, ser felizes. De outro, deixam-se boicotar pelo próprio medo e acabam fugindo da felicidade. Criam toda sorte de mecanismos de defesa, sob os quais escondem o seu temor.
Algumas se tornam extremamente exigentes: "Só se permitirão envolver-se com alguém socialmente influente; economicamente bem colocado; educacionalmente com formação acadêmica, etc, etc".
Outras chegam a ser cruéis e frias em suas avaliações: A marca, o modelo e o ano do carro do pretendente; seu(s) possível(eis) apartamento(s) de alto padrão, casa de campo, casa de praia, gordo salário e outras coisas como essas, passam a ser a meta a ser alcançada.
Psicanaliticamente falando, está claro que tais pessoas estão simplesmente dificultando as coisas, com o objetivo inconsciente de evitar o temido envolvimento, utilizando-se de expedientes que são apenas "máscaras" que escondem o medo irracional de se envolverem emocionalmente e de "correrem o risco" de serem felizes!
Apenas para lembrar uma passagem bíblica que poria por terra todas essas "pretensas" exigências descabidas, bastaria lembrar I Tm. 6.7-9: "O que foi que trouxemos para o mundo? Nada! E o que é que vamos levar do mundo? Nada! Portanto, se temos comida e roupas, fiquemos contentes com isso. Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição".
É preciso, então, que os processos de "cristalização" e de "fossilização" das emoções comecem a desfazer-se. Quem sabe a leitura deste artigo não seja uma primeira fagulha para permitir que isso aconteça?
A você, meu/minha querido (a) leitor (a) que sabe que se encontra na situação que descrevemos, e entende que, para ser feliz é preciso sair dela, lançamos-lhe um desafio: Sob a direção de Cristo, Senhor de nossas vidas, assuma com coragem, o destino de suas próprias decisões. Dê a si mesmo (a) a chance de voltar a ser feliz!
Encerrando este artigo, para a sua reflexão, deixamos o riquíssimo texto, que muito tem a ver com o que aqui tem sido abordado. Receba-o como um presente!
Arriscar é Viver
"Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar a expor seu eu verdadeiro.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer.
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas...é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer,
mudar, viver...Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;
Abrem mão de sua liberdade. Só a pessoa que se arrisca é livre...
Arriscar-se é perder o pé por algum tempo?. Não arriscar é
perder a vida..."
(Soren Kierkegaard)
E, não se esqueça: ao contrário do que muitos preferem acreditar, a vida não é uma esfera indestrutível de aço. A vida é uma tênue e frágil bolha de sabão, que pode se arrebentar e sumir a qualquer momento. Convém arriscar-se a ser feliz...antes que a bolha de sabão já não exista.
Que tal pensar um pouco nisso?
Toni Ayres
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