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06 janeiro, 2010

Boris Casoy Deixa Cair a Máscara

BORIS Pessoas públicas como artistas, autoridades e políticos, principalmente, têm um enorme receio de cometer aquilo que a Psicanálise chama de "ato falho".

O ato falho, que pode ser cometido quando se escreve (grafa-se uma palavra em lugar de outra) é, porém, muito mais evidente quando é cometido na fala.

As pessoas têm medo do ato falho porque ele põe abaixo a mentira consciente e revela a verdade, através de uma falha da censura, que deixa escapar a verdade "inconsciente".

Cometer um ato falho corresponde, portanto, a se auto-denunciar e deixar transparecer para todos aquilo que mais se queria esconder.

Normalmente, podemos conhecer a verdade de uma pessoa, não pelo que ela fala, uma vez que a linguagem verbal está sujeita à censura; mas pela sua linguagem corporal, pois o corpo não mente jamais.

Todavia, em ocasiões de grande ansiedade ou estresse, a censura "falha" e a pessoa fala exatamente aquilo que não queria dizer.

A HIPOCRISIA - MENTIRA CONSCIENTE

Todas as pessoas cometem grandes ou pequenos atos falhos e, algumas vezes, eles são até compreendidos e perdoados.

Mas o que aconteceu com o jornalista Boris Casoy, no último dia de 2009, num intervalo do JORNAL DA BAND, é simplesmente inadmissível, uma vez que, maldosa e CONSCIENTEMENTE; sem saber que os microfones da emissora estavam abertos, ele ofendeu dois seres humanos honestos e decentes, de forma rasteira e depreciativa.

Ao ver a notícia que mostrava dois garis desejando a todos um feliz Ano Novo, o jornalista, disse, sem rodeios: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho", para todo o Brasil ouvir em alto e bom som.

No dia seguinte, Boris Casoy, no mesmo jornal, pediu desculpas aos garis e aos telespectadores, e com isso encerrou o assunto, como se nada fosse.

O que o Sr. Boris Casoy disse foi um ato volitivo e consciente e não um ato falho, o que só agrava a sua desfaçatez. E, através desse incidente, acabou mostrando ao Brasil, a pessoa que realmente é, e não aquela que tentou, durante anos, mostrar que era, repetindo ad nauseam o bordão: "Isso é uma vergonha".

O tempo é, realmente, o senhor que acaba fazendo com que as máscaras das pessoas caiam.

Tony Ayres