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29 janeiro, 2010

O Pastor e as Prostitutas

O INÍCIO

Tristeza São duas horas da madrugada. Uma densa nuvem formada pela neblina fria da noite de inverno envolve os prédios da grande metrópole de São Paulo. O cenário é a rua Augusta, onde as pessoas sobem e descem e os automóveis passam em baixa velocidade com os faróis e lanternas acesos, assim como estão acesos os olhos de seus condutores.

São olhos caçadores, que examinam ansiosamente as calçadas à procura de uma das dezenas de prostitutas que se exibem para seus clientes em parcas roupas, apesar do frio que as açoita.

Homens no cio, procurando por fêmeas diferentes, que possam satisfazer seus insanos desejos lascivos, em troca de dinheiro.

O JOVEM NA NOITE

No meio desse vai-e-vem, de repente, uma cena incomum: um homem de terno caminha pela calçada carregando uma pasta em uma das mãos, e um estojo de instrumento de sopro, na outra.

É ainda jovem. Tem, talvez, uns trinta anos de idade. Cabelos penteados para trás, bigodes bem cuidados e um olhar manso que atrai as mulheres da vida que não cessam de convidá-lo para um “programa”, a cada dez ou vinte metros.

Ele apenas sorri para elas e, sistematicamente; vai rejeitando os convites e seguindo adiante, rua Augusta acima.

Anda pela calçada pelo menos quinze minutos. De repente, pára diante de um prédio antigo, com coloridas letras de neon a iluminar-lhe o rosto. Fecha os olhos por um momento, como se estivesse numa atitude de oração. Em seguida, abre resolutamente a porta e encontra um ambiente repleto de fumaça, mesas com cadeiras acolchoadas por todos os lados, mulheres da vida bebericando taças de uísque em cada uma delas.

O "CLIENTE"

Atrai a atenção de todas, que enxergam nele mais um “cliente”. Algumas se insinuam tentadoramente, querendo prendê-lo e subir com ele as escadas que dão acesso aos “quartos”, onde realizam o seu “trabalho”.

Mas ele se desvencilha delas e caminha resolutamente até o bar, no fundo da sala. Todos os olhos se concentram nele, que coloca a pasta e o estojo sobre o balcão. Ele não diz uma palavra sequer. Apenas abre o seu estojo e dele tira um trompete, que começa a tocar, com maestria.

A SURPRESA

A música que entoa, contudo, surpreende a todos, no recinto. A melodia que enche o salão não é outra, senão o hino, conhecido pelos cristãos como “Foi Na Cruz”.

Imediatamente, os semblantes mudam. Uma atmosfera que é um misto de surpresa, incredulidade e espanto toma conta do lugar. As mulheres da vida, como que imobilizadas, ouvem a música, extasiadas. Algumas começam a chorar.

O homem termina de tocar e, ato contínuo, retira de sua pasta uma bíblia, abre-a e lê o texto de Lucas 7.37-50, a passagem que se refere à mulher pecadora que ungiu com ungüento os pés de Jesus.

Repentinamente, algumas prostitutas precipitam-se em direção a ele, gritando; exigindo, com palavras de baixo calão, que parasse de falar. Outras dezenas seguem-lhes o exemplo e arma-se uma confusão, como se a polícia tivesse chegado

A INTERVENÇÃO

- Deixem o moço pregar! – ecoa uma voz no alto das escadas.

Todas recuam, imediatamente, pois conhecem muito bem aquela voz e aquele tom autoritário.

É Madalena, a dona do lugar, respeitada e temida por aquelas mulheres. Ela, então, prosseguiu:

- Todos os homens que entram aqui vêm para comprar e desfrutar de seus corpos. Mas este veio trazer-nos um presente. O maior e o melhor presente que poderíamos receber – e voltando-se para o homem, disse-lhe:

- Pode continuar sua pregação, pastor, que todas o ouviremos.

O jovem pregador fala-lhes, então, sobre aquela mulher a quem Jesus perdoara, com uma unção que elas jamais haviam visto. Ao final, faz um convite, para que recebam Jesus como Salvador e Senhor.

A COLHEITA

Algumas dezenas de mulheres vêm ajoelhar-se chorando, atendendo ao apelo. Algumas confessam ser filhas de pastores ou presbíteros. São ovelhas desgarradas do aprisco, que não querem rejeitar a nova oportunidade. No centro de carpete onde elas se ajoelham, está também Madalena, chorando copiosamente.

O pregador estende as mãos em direção às mulheres e ora, em uníssono com elas, a oração do arrependimento.

Quando a oração termina, aquelas mulheres levantam-se com o olhar iluminado. Receberam, de fato, o maior presente de suas vidas.

Depois de orientá-las através de um breve discipulado, o jovem pregador guarda no estojo o seu trompete e, na pasta, a sua bíblia.

Sai pela mesma porta por onde havia entrado, faz uma breve oração de agradecimento, arruma seu cachecol ao redor do pescoço, e desce a Rua Augusta, desaparecendo em meio à neblina da madrugada

A FELICIDADE DO SERVO

Naquela noite, dorme feliz ao lado da esposa, em sua humilde cama.

Sabe que é muito rico e acabara de dividir com ovelhas perdidas, o seu imenso tesouro: Jesus Cristo, de Nazaré.

Conto de:

Tony Ayres

30 julho, 2009

Uma Igreja Cujos Líderes Se Perderam

180px-Spurgeon Quem quer que conheça um pouco da história recente da Igreja e dos grandes avivamentos ocorridos a partir do século XIX, na Europa (berço de protestantismo) e nos Estados Unidos da América, lembrar-se-á de grandes pregadores, tais como Charles Haddon Spurgeon, Charles Finney e Dwight Lyman Moody.

Esses nomes e muitos outros fazem parte da galeria dos modernos heróis da fé. Ler suas biografias é uma verdadeira inspiração para os nossos corações, um tanto empedernidos pelas mazelas das igrejas evangélicas deste século XXI.

Os três nomes aqui citados (Spurgeon, na Inglaterra; Finney e Moody, nos Estados Unidos) foram, além de evangelistas, extremados e corretos líderes de igrejas.

Os seus sermões (impressos até hoje) e as suas realizações falam por si só, não apenas de suas vidas exemplares, mas, ainda mais, do caráter ilibado que cultivaram.

A COMPARAÇÃO INEVITÁVEL

Obviamente, ao falarmos desses homens, estabelece-se, imediatamente, em nossas mentes, a grande diferença entre eles e os atuais líderes de grandes denominações evangélicas; e nem é preciso que isso seja feito com igrejas lá da Inglaterra ou dos Estados Unidos, e sim, com aquelas aqui mesmo, do Brasil.

Ficamos, então, perguntando: Por que será que, se a Bíblia não mudou, mudaram tanto as prioridades dos líderes de hoje? E a pergunta nem mesmo se refere à mudanças culturais, que são naturais ocorrerem de uma geração para outra.

Temos consciência de que o verdadeiro homem de Deus da atualidade continua com a missão de interpretar a Revelação de Ontem para os crentes de Hoje. Esse é o ofício do profeta.

Mas as mudanças ocorridas são mesmo de natureza ética e moral.

O que vemos, em nossos dias? Por um lado, líderes que transformaram suas denominações numa espécie de "papado" eclesial evangélico e em "dinastias" onde se passa o "bastão" de pai para filho; que utilizam o voto de seus rebanhos como "moeda eleitoral" e que, dessa forma, vão se perenizando no poder.

Por outro lado, líderes que preferem mercadejar a Palavra, pregar um "Deus" que aceita barganhas, que concede "bênçãos de prosperidade e riquezas" a quem ofertar "sacrifícios" em dinheiro; que "faz diferença" entre o filho que "entrega" seus valores"pela fé" e aquele que nada tem a entregar.

A IDENTIFICAÇÃO COM A "PERSONA"

"Persona" é uma palavra latina, cujo significado é "máscara" (daí a palavra "personagem"), utilizada tanto pela linguagem teatral, como pela psicologia.

Em outras palavras, "persona" designa o papel desempenhado pela pessoa; ou no palco de um teatro, ou no teatro da vida.

Psicologicamente falando, é até saudável que a pessoa utilize sua "persona" para relacionar-se melhor com seus semelhantes no campo profissional ou mesmo afetivo.

O que, absolutamente, não é saudável (pelo contrário, passa a ser uma doença) é quando a pessoa passa a não perceber mais a diferença entre as duas coisas, identificando-se com sua persona.

Nesse ponto, ela literalmente se perde, pois não sabe mais identificar e diferenciar o "seu papel" e o seu "si mesmo".

Essa é a diferença, então, entre os líderes evangélicos de ontem e alguns dos líderes evangélicos de hoje.

Os "de ontem" sabiam perfeitamente que, embora o seu papel fosse o de grandes ganhadores de almas e pregadores de multidões, pessoalmente eram homens simples, falhos e despojados, completamente dependentes da graça de Deus, para o cumprimento de sua missão.

Os de hoje, infelizmente, "se perderam", identificando-se com os seus papéis. Por causa disso,trocaram a graça e o poder de Deus, pelo fascínio do poder humano.

Em meio a isso tudo resta-nos, como uma janela de esperança que se abre, a constatação de que, para a glória de Deus e para a dignificação de seu Reino, o fato real e, realmente, encorajador, de que alguns líderes não se deixaram envolver por essa estranha "identificação".

Ao contrário, a despeito de seus carismas e do prestígio que alcançaram em meio a seus rebanhos; preferiram o caminho mais difícil, fazendo uma outra identificação: a identificação com os sofrimentos e com a simplicidade de Cristo, manifestados através do amor e do cuidado para com a suas ovelhas.

São, para a nossa alegria e fortalecimento de nossa fé, as "vozes solitárias" que ainda clamam no deserto.

Soli Deo Gloria

Tony Ayres

17 julho, 2009

O que os cristãos evangélicos podem aprender com a novela Caminho das Índias?

caminho-das-indias-2009_thumb3 Todos nós, cristãos, sabemos que as telenovelas nada têm de edificante. Ao contrário disso, elas ensinam toda sorte de desonestidades, traições, perversões e mentiras.

Mas, daí a dizer que não as assistimos, seria pura hipocrisia (pelo menos para a maioria de nós, já que as exceções sempre existirão).

Conscientizados que estamos dessa verdade, em primeiro lugar é indispensável que tenhamos um bom filtro crítico, que nos permita discernir entre realidade e fantasia, uma vez que, sem eles, seríamos teleguiados para o mal, pela TV.

E, em seguida, se possível, aprendermos algo de útil com ela.

A NOVELA "CAMINHO DAS ÍNDIAS"

Apesar de o título deste post poder sugerir uma ironia um tanto sensacionalista, o fato é que, nós, cristãos evangélicos, podemos sim, aprender muitas coisas, através da novela atualmente exibida pela Globo.

Poderíamos passar em revista aqui, por exemplo, o comportamento emocionalmente doentio de uma série de personagens. Mas, por uma questão de espaço, faremos isso em relação a apenas dois deles, em razão da gravidade de suas psicopatologias.

1. PERSONALIDADE PSICOPÁTICA

O distúrbio de personalidade psicopática é mostrado com uma riqueza impressionante de detalhes, na novela, pela doce e meiga atriz Letícia Sabatella, que interpreta a maldosa e calculista Yvone.

Senão, vejamos:

O psicopata dimensiona exageradamente seus direitos, as possibilidades que possui e sua imunidade. Acha-se acima de todos e crê que ninguém seja capaz de descobrir os seus intentos.

As normas sociais pressupõem inibição e implicam na aplicação de castigo, uma vez que as leis foram elaboradas para coibir e para condicionar as condutas instintivas dos indivíduos.

Todavia, o psicopata não apenas transgride as normas, mas também as ignora abertamente, considerando-as apenas como obstáculos que devem ser superados na conquista de suas ambições.

Eles conseguem participar dos grupos sociais, apesar de romperem todas as normas. São incapazes de se arrependerem e de se corrigirem. A arte deles reside na dissimulação, no embuste, na teatralidade e no ilusionismo.

São refratários a estímulos negativos ou positivos. São amorais e não modificam sua conduta por causa deles.

Para o indivíduo psicopata, a mentira é apenas uma ferramenta de trabalho. Ele corrompe a verdade com a finalidade de conseguir vantagens pessoais, evitar castigos, conseguir recompensas e enganar as outras pessoas.

Ele viola qualquer tipo de normas, mas não todas as normas, vez que, violando todas as normas ao mesmo tempo, seria rapidamente descoberto e apanhado.

A relação do psicopata para com outros seres humanos ocorre sempre na forma de transgressões éticas. Para ele, a outra pessoa sempre é “uma coisa”, um instrumento de trabalho e um objeto de manipulação.

Essa "coisificação" do outro constitui a atitude que lhe permite utilizá-lo como objeto de intercâmbio e utilidade.

2. TOC – TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO

Já o transtorno obsessivo compulsivo é caracterizado pela psiquiatria como um transtorno de ansiedade, que produz muito sofrimento para seu portador e, como consequência, também para aqueles que com ele convivem.

Na novela, essa psicopatologia é apresentada pelo Dr. Castanho, psiquiatra dono de uma clínica para doentes mentais, papel desempenhado pelo veterano ator Stênio Garcia.

*Seus sintomas envolvem alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), do pensamento (obsessões sobre dúvidas, preocupações excessivas, pensamentos de conteúdo ruim ou impróprio, etc.) e da emoção (medo, aflição, culpa, depressão).

OBSESSÕES MAIS COMUNS:

- Preocupação excessiva com sujeira, germes ou contaminação.
- Dúvidas.
- Preocupação com simetria, exatidão, ordem, seqüência ou alinhamento.
- Pensamentos, imagens ou impulsos de ferir, insultar ou agredir os outros.
- Pensamentos, cenas ou impulsos indesejáveis e impróprios relacionados ao sexo (idéias sobre comportamento sexual violento, abuso sexual de crianças, homossexualidade, palavras obscenas).
- Preocupação em armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar.
- Preocupação com doenças ou com o corpo.
- Idéias sobre religião (pecado, culpa, escrupulosidade, sacrilégios ou blasfêmias).
- Pensamentos supersticiosos: preocupação com números especiais, cores de roupa, datas e horários (podem provocar desgraças).
- Palavras, nomes, cenas ou músicas intrusivas e indesejáveis.

Compulsões ou rituais são comportamentos ou atos mentais e repetitivos, executados em resposta às obsessões. As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade associada às obsessões, levando a pessoa a executá-las toda vez que sua mente é invadida por uma obsessão.

COMPULSÕES MAIS COMUNS:

- Lavagem ou limpeza.
- Verificações ou controle.
- Repetições ou confirmações.
- Contagens repetitivas.
- Promover a ordem, simetria, seqüência ou alinhamento.
- Acumular, guardar ou colecionar coisas inúteis, poupar ou economizar.
- Compulsões mentais: rezar, repetir palavras, frases, números, fazer listas, tentar afastar pensamentos indesejáveis, substituindo-os por pensamentos contrários.
- Diversas: tocar, olhar, bater de leve, confessar, estalar os dedos.

As compulsões associadas a dúvidas também podem ser mentais, como reler várias vezes um texto, visualizar várias vezes uma cena, etc. Fazem parte das compulsões as atitudes evitativas (evitações).

Evitações – são, com muita freqüência, comportamentos adotados como forma de não desencadear as obsessões evitando-se as situações, objetos ou circunstâncias que geram tais pensamentos e, conseqüentemente, ansiedade.

EVITAÇÕES MAIS COMUNS:

- Não tocar em trincos de portas, ou outro objeto com a mesma conotação.
- Isolar compartimentos e impedir o acesso dos familiares.
- Restringir o contato com sofás, cadeiras e etc.*

Finalizando nosso post, desejamos enfatizar que essas duas psicopatologias são muito comuns entre os cristãos evangélicos e, frequentemente, são vistas como "obras do diabo".

Infelizmente, existem muitos "pastores" psicopatas dirigindo igrejas e milhares de crentes sofrendo de TOC.

Os pastores psicopatas precisam ser identificados por suas denominações e afastados de seus cargos, uma vez que ser psicopata é uma condição de vida (o indivíduo psicopata será assim por toda a vida).

Já o TOC responde muito bem à medicação específica e, portanto, não deve ser tratado como "possessão", com exorcizações.

Deus continua operando milagres sim, mas somente Ele tem a prerrogativa de curar ou não. E Ele tanto pode fazer isso através de um milagre instantâneo, como pode utilizar médicos e medicamentos para a cura.

Cabe a nós termos a necessária sabedoria para entendermos isso.

Tony Ayres

*Texto marcado com esse asterisco - Fonte: PsiqWeb

07 junho, 2009

HOMENAGEM A UM HERÓI DA FÉ DE NOSSOS DIAS

Creio que um dos privilégios que a vida nos oferece é o de dar-nos amigos, que são mesmo "mais chegados que um irmão".

A história que vou contar aconteceu na vida de um desses amigos especiais. Vindo do interior, entrou na carreira militar ainda muito jovem.

O futuro se lhe apresentava muito promissor, dada à sua inteligência e ao calor humano que brotava de suas palavras. Chegaria a tenente? A capitão? Quem sabe a general?

Nunca pôde saber, pois Deus o convocou para um posto ainda de maior responsabilidade: o de Ministro do Evangelho.

Acompanhei sua carreira, pois, além de amigo, era jovem como ele. Tive o privilégio de conhecer a alegria das ovelhas que o tinham como pastor.

Tinha um imenso amor por todas elas e, por essa razão, era muito amado também. Mas o seu coração tinha ainda um chamado mais específico. E difícil de ser cumprido também: o de cuidar de crianças e adolescentes com desvio de conduta.

Iniciou o seu trabalho pela fé. Numa chácara cedida, com acomodações extremamente simples, sem salário e sem conforto algum, ao lado da jovem esposa e dois filhinhos pequenos (um menino e uma menina).

Passou a viver de pequenas contribuição, arrecadadas por jovens pastores amigos, nas igrejas onde visitava. Em breve, a instituição cresceu e já havia uma grande quantidade de internos, na ala masculina e na ala feminina.

Chegavam de todos os lugares crianças e jovens, autores de pequenos delitos, viciados em diversos tipos de drogas, desprezados e chutados pela vida; e naquele lugar recebiam carinho, amor, acolhimento e, principalmente, a ministração da Palavra de Deus.

Aos poucos, a instituição foi se estruturando. Chegaram novos irmãos colaboladores; novos monitores foram sendo formados, mas o trabalho sempre foi de fé. Do tipo "vamos orar hoje para que Deus nos dê a provisão de amanhã".

Foi quando a jovem esposa desse homem de Deus engravidou de seu terceiro filho. Ele preocupou-se, é verdade, pois não tinham convênio médico, não sabiam como seria o período pré-natal, nem onde a criança haveria de nascer.

Mas confiavam em Deus e isso lhes dava paz.

Um dia, durante o recreio esportivo, um dos pequenos acidentou-se, e precisou ser imediatamente socorrido. Meu amigo enrolou um pano em volta da perna sangrando da criança, colocou-a em seu velho Fiat-147 e rumou para o Pronto Socorro do Hospital mais próximo.

O médico que o atendeu, quando, desenrolado o pano, viu aquele ferimento profundo na perninha cheia de terra da criança, falou, de maneira irada: "Eu não vou tratar desse menino, com a perna suja como está!".

Meu amigo pastor olhou de relance para o jardim, à frente do Pronto Atendimento e vislumbrou, com o olhar, uma torneira, instalada ali para regá-lo.

Pediu licença ao doutor, tomou a criança pela mão e, sob o olhar atônito do médico, levou-a até aquela torneira, onde, como o bom samaritano da parábola, começou a lavar pacientemente o ferimento do menino, enxaguando sua perna de alto abaixo, deixando que o sangue e a areia escorressem livremente.

Quando viu que estava bem limpo, retornou com enino para o médico que, um tanto envergonhado de sua atitude, começou a suturar o ferimento. Como havia observado tudo, arriscou uma pergunta: "É seu filho? - as palavras lhe saíram da boca com um misto de curiosidade e de constrangimento.

"É sim, doutor, juntamente com mais de cem outros que tenho em casa para cuidar" - foi a resposta que ouviu de meu amigo. Só então ficou sabendo que estava cuidando do ferimento de um dos pequenos internos que fazia parte de uma família de mais de uma centena de outros "filhos" daquele "pai" que acabara de conhecer, de uma maneira não muito educada.

Ficou admirado. Mas o atendimento estava completo. Ferimento suturado, curativo terminado, recomendações de medicação entregue. Era hora de se despedirem.

Agora, já não havia nenhum resquício de ira ou mau-humor no olhar do doutor. Notava-se que ficara profundamente tocado com o acontecimento no qual acabara de ser um dos protagonistas. Foi com admiração que viu meu amigo, depois de agradecer-lhe sinceramente, sair com o menino do hospital.

Passaram-se alguns meses e o episódio foi praticamente esquecido, com as lutas do di-a-dia na educação e evangelização das crianças. Até que certa noite, já muito tarde, a jovem esposa de meu amigo começou a dar sinais inequívocos de que seu filhinho iria nascer.

Sempre confiando no Senhor, meu amigo conduziu-a até o mesmo Fiat-147 , ajudou-a a sentar-se e rumou para uma maternidade de um hospital público, orando para que tudo desse certo.

Qual não foi a sua surpresa com o que aconteceu logo em seguida. Enquanto providenciava a ficha de internação, preocupado com a passagem do tempo e a chegada eminente do bebê, eis que surge, com um largo sorriso no rosto, o mesmo médico que obrigara-o a lavar o ferimento de seu pequeno "filho" acidentado" no recreio esportivo.

"Mas, quem temos a honra de ter aqui?Então essa é sua esposa que vai dar à luz?" - disse o doutor, desta vez sem irritação, mas com genuína alegria a iluminar-lhe o semblante.

"Fique despreocupado, meu amigo, eu, PESSOALMENTE, farei o parto dela e, garanto-lhe, da melhor maneira possível" - arrematou.

Assim, o parto foi feito com todo desvelo e cuidado.

Meu amigo e sua esposa tiveram um tratamento magnífico e uma atenção toda especial. Mesmo sem ter um caro convênio médico, mesmo passando a aflição da incerteza (mas conservando a fé no cuidado do Senhor), mesmo nada possuindo, meu amigo e sua esposa possuíam tudo.

O Senhor providenciou a maneira certa, o tempo certo, o lugar certo e a pessoa certa, para que tudo saísse maravilhosamente a contento.

A esposa de meu amigo ganhou um médico para cuidar dela e meu amigo ganhou um novo amigo médico, a quem testemunhar!

"Mas, como está escrito:As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,e não subiram ao coração do homem,são as que Deus preparou para os que o amam"(1 Cor 2.9).

Tony Ayres

26 fevereiro, 2009

E SE BEIJAR FOR PECADO?

beijo Estou muito triste e confusa, tenho 31 anos, solteira e há 4 anos entreguei minha vida ao Senhor Jesus. Ano passado comecei a gostar do ......, que era meu amigo (30 anos e solteiro tb) e fazemos parte da mesma igreja e hoje somos apaixonados, porém, a igreja que frequentamos ainda nao nos liberarou para namorar.

Nossos pastores sabem de nossos sentimentos, temos condições de nos casar, temos VIDA com Deus e compromisso com a nossa igreja.

Em setembro de 2008 nos beijamos e contamos aos nossos pastores e ficamos 4 meses de disciplina, em dezembro, nos beijamos de novo e ficamos em disciplina, em janeiro, nos beijamos de novo, não estamos conseguindo segurar nossa empolgação e estamos em disciplina, ou seja, ainda não estamos namorando porque nossos pastores dizem que ainda não é tempo de beijar.

Por isso ainda estamos em disciplina, eu pedi perdão a Deus e tenho orado e jejuado, mas não to aguentando essas pressões. Isso é pecado? Até q ponto eu estou errada?

Tenho sentindo muita culpa, e se contarmos q nos beijamos de novo, será mais algum tempo espera, e nunca namoraremos se for assim? Sendo que temos certeza de nossos sentimentos... não temos impedimentos nenhum, isso se trata da visão de relacionamento da minha igreja que não permite que a gente se beije até que eles digam que podemos fazer isso... tenho medo de estar sendo rebelde ao não concordar com isso... Por favor me ajude...Y

RESPOSTA

Minha Querida Irmã Y:


Infelizmente, o tempo passa mas os homens continuam fazendo as suas cartilhas eclesiais, as suas "tabuinhas da lei", nem sequer se lembrando de que Jesus já condenava aqueles "que atam fardos pesados e os põem sobre os ombros dos homens, mas eles, nem com o dedo querem movê-los".

Prendem os seus membros à igreja, instilando neles sentimentos de culpa e medo, passando a falsa idéia de que Deus é um carrasco, pronto a castigar a mais leve "infração", ao invés de apregoar o amor e a graça incondicional de Jesus.


Se você tem lido o meu blog, com certeza conhece o meu pensamento e aquilo em que acredito, baseado na Palavra, que conheço, por mercê de Deus, desde a minha meninice.


E o que tenho a lhe dizer, é o seguinte:


Deus colocou os pastores sobre as igrejas para pastoreá-las e não para legislar e impôr leis de suas próprias cabeças. Nenhum pastor de nenhuma igreja está autorizado a "decidir" o que seus membros devem ou não fazer. O Senhor deu ao ser humano o livre arbítrio, e aos seus escolhidos, o Seu Espírito Santo, "que os guiará em toda a verdade".


A vontade de Deus é que os seus Filhos sejam felizes. E O amem, não por medo ou por sentimento de culpa, mas pelo que Ele realmente é: um Deus de amor, misericordioso e compassivo.

Ser feliz no relacionamento, certamente está incluído nessa vontade de Deus, desde que ambos sejam livres, amem-se de verdade, tenham compromisso um com o outro.

E namorar, até onde eu sei, inclui troca de carinhos, carícias e beijos. Sem pecar e sem alimentar sentimentos de culpa.

Portanto, guie-se apenas por sua fé e por sua consciência e seja feliz, seguindo o que a Palavra ensina em amor. Lembre-se de que Jesus nos ensinou que "os olhos são a lâmpada do corpo" e que "se o teu olho for bom, todo o teu corpo será luminoso".

Ame e beije o seu namorado com os olhos simples e seja feliz.
Seus pastores não têm o direito de "discipliná-los (você e ao seu namorado) por isso.

A maldade, muitas vezes, pode estar no coração de quem julga e não de quem, injustamente, é julgado.

Se insistirem nisso, pergunte-lhes se eles não beijaram quando foram namorados. E se persistirem nessa bobagem, não precisa ter medo de procurar um igreja doutrinariamente mais madura e mais sadia.

Nele, que liberta dos grilhões e não aprisiona ninguém com falsas culpas.


Toni Ayres