Workaholic é o termo que utilizamos para designar a pessoa que é viciada em trabalho, um tipo de doença emocional que atinge mais os homens do que as mulheres.
O workaholic sai muito cedo para o seu trabalho, é muito dedicado em todas as suas obrigações e tarefas dentro da empresa; portanto, trabalha muito e volta tarde para casa.
Normalmente ele é financeiramente bem sucedido, mas um fracasso como pai de família e esposo. Não vê os filhos crescerem e seu contato diário com eles se limita a uma olhadela, quando já estão dormindo.
Sua esposa, normalmente, já se encontra cansada demais para tentar mudá-lo e, por isso, vive estressada e infeliz.
O QUE ACONTECE COM A VIDA DE UM WORKAHOLIC?
Para explicar isso, utilizaremos a figura a seguir, que mostra que todos nós desempenhamos os nossos papéis em quatro importantes áreas na vida: a área familiar, a área conjugal, a área profissional e a área social.
Para que vivamos bem, há necessidade que haja um perfeito equilíbrio entre essas áreas, ou seja, todas devem ter o mesmo peso e a mesma importância.
O workaholic, no entanto, superdimensiona a área profissional, gastando nela todas as suas energias e nela investindo todas as suas fichas, fazendo com que ela ganhe mais destaque em sua vida. É como se ela ficasse contaminada por um "vírus", o "vírus do trabalho", que representaremos com a cor amarela:
Como uma espécie de "infecção" o "vírus do trabalho "contamina" todas as outras áreas, que sofrem os efeitos da "virose". Logo, a vida familiar, a vida conjugal e a vida social do workaholic são atingidas e ele não consegue mais lidar com elas por falta de tempo, vontade e energia, que ele investe totalmente na área profissional.
A figura para representar essa situação seria a seguinte:
Vemos, então, que o superdimensionamento ou a supervalorização que o workaholic dá à sua vida profissional prejudica o seu relacionamento conjugal, familiar e social, tornando toda a sua vida disfuncional.
ENTENDENDO AS MOTIVAÇÕES DO WORKAHOLIC
As pesquisas têm demonstrado que a maioria dos indivíduos workaholics tiveram pais muito rígidos, que os cobravam demais, quando eram crianças, e nunca ficavam satisfeitos. Sempre exigiam perfeição e desmereciam os filhos, dando a entender que eles "não serviriam para nada na vida".
Logo, o comportamento de um workaholic possui motivações inconscientes e constitui como que uma "prova" de que ele está dando a seu pai (mesmo que este já tenha falecido há muito tempo) de que ELE É CAPAZ e o sucesso profissional é a "prova" de sua capacidade.
O QUE FAZER, ENTÃO?
Conforme podemos ver, embora faça toda a sua família sofrer, o workaholic é apenas uma vítima da maneira como foi criado.
Dessa forma, as críticas que ele recebe da esposa reavivam as críticas que recebia de seu pai e retroalimenta a sua disfunção cada vez mais, de tal forma que ele passa a evitar até o confronto com ela.
A esposa de um workaholic precisa, por mais penoso que isso seja, mudar urgentemente a sua postura, deixando de criticá-lo, passando a elogiar o seu esforço para prover a família, mostrando-lhe amor e compreensão; mas fazendo-o ver também que ela e os filhos precisam mais da pessoa dele por perto, do que de todo o dinheiro que ele traz.
Se possível, isso deve ser feito com a ajuda de um terapeuta familiar ou de um conselheiro matrimonial.
O tratamento costuma dar muito bons resultados e inúmeros casamentos prestes a fracassarem têm sido salvos, graças a esse tipo de conscientização e do amor genuíno de esposas que não desistiram de seu casamento.
Se você vive ou conhece alguém que viva esse tipo de situação, por favor veja ou faça ver que mesmo o casamento com um workaholic tem muita chance de tornar-se feliz.
Tony Ayres