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05 fevereiro, 2010

Leitura Apenas Para Mulheres

“Estou com mais de trinta anos, já tive vários namorados e sempre comecei cada namoro esperançosa. Cheguei até a iniciar a construção de “nossa casa” com meu último ex-namorado, mas ele, assim como os outros, só aproveitou de mim. Estou decepcionada. Acho que não quero mais me casar” (Rosana, contabilista, 32 anos).

“Comecei a namorar aos 15 anos de idade. Namoramos oito anos, ficamos noivos e com data marcada para casar. Dias antes de nosso casamento, descobri que ele tinha outra. Estou arrasada e não confio mais nos homens.” (Helena, designer, 24 anos).

“Não faço mais orações. Apenas brigo com Deus. Namorei 4 anos a mesma pessoa, ajudei-a em seus projetos profissionais e afinal descobri que ele só se aproveitava de mim. Deixou-me por uma mulher mais nova, ameaçou-me e disse-me que apenas “aturou-me” esses 4 anos. Estou tomando antidepressivos e engordei muito. Estou desesperançada” (Regina, 38 anos, médica).

“Sou viúva e fiquei 12 anos sem ninguém. Após todo esse tempo, decidi que era hora de refazer minha vida ao lado de alguém. Entrei num site de relacionamentos na Internet e conheci o meu atual marido. Ele parecia muito bom, no começo. Tratava a mim e a minha filha muito bem. Mas essa situação durou menos de um ano. De repente, ele começou a beber e a bater em mim e em minha filha. Há alguns meses, foi embora de casa para morar com outra mulher. Não sei se rio ou se choro. Parece-me que a vida não tem sentido” (Elis, 47 anos, enfermeira).

Tenho 50 anos, cresci numa igreja evangélica muito rígida. Meu pai sempre foi muito exigente e nenhum de meus namorados servia para ele. Achava que eles não estavam “à minha altura”. Hoje já faz vários anos que meu pai morreu. Continuo solteira e virgem. Não sonho mais com a felicidade ao lado de alguém. Estou resignada. A vida não foi benevolente comigo” (Sandra, 50 anos, secretária).

Talvez a sua história seja parecida com a de uma dessas cinco mulheres. Talvez seja apenas levemente semelhante ou até completamente diferente. Mas, se você está lendo este post, sem dúvida é porque já vivenciou as mesmas decepções experimentadas por elas ou deseja se proteger do sofrimento amoroso, encontrando o parceiro ideal.

Não há dúvida de que poucas coisas nesta vida são capazes de trazer tanto sofrimento e desilusão como o trauma causado pela frustração com “aquela pessoa” que julgávamos especial, especialmente porque uma decepção amorosa produz feridas na área mais sensível do ser humano, que é a sua psiquê.

Afinal de contas, de que valem um bom trabalho, uma boa profissão, um ótimo salário, sucesso profissional e financeiro, aquisição de bens como casas e apartamentos...se não existir um parceiro amoroso para compartilhar?

Estas perguntas todas do parágrafo anterior têm, obviamente a sua razão de ser. Mas, alguns pontos devem ser ponderados, se você está mesmo disposta a ser feliz:

1. ENTENDA QUE TODO PRÍNCIPE SEMPRE TEM O SEU LADO SAPO

Muitas mulheres deixam de se casar porque imaginam que o "seu príncipe" será imutável. Isso é uma ilusão. As contingências inerentes da vida a dois, em muitos momentos serão motivos de discórdias e até de discussões.

É preciso ter maturidade para entender e vivenciar isso de uma forma inteligente. O importante é não deixar que ressentimentos corroam e destruam o relacionamento.

2. NÃO SEJA EXIGENTE DEMAIS

celine dion familyAlgumas mulheres, lá pela casa dos quarenta, lamentam estarem sozinhas, achando que "todos os homens são iguais" e que "não estão à altura". Muitas, com essas atitudes, perdem o bonde e a oportunidade de ser feliz.

O que, frequentemente acontece, nestes casos, é que elas são exigentes demais. Desdenham potenciais bons parceiros "porque são feios", "gordinhos", "carecas", "sem formação universitária", "inibidos demais", "sem estrutura financeira"; e uma série de outros argumentos semelhantes.

Seria prudente que se lembrassem de que a vida, nesta Terra, é uma só e de que "quem sempre quer escolher o ótimo acaba perdendo até o bom"

3. ELE É MUITO VELHO/NOVO PARA MIM

Sem dúvida, casar-se com uma pessoa com idade parelha seria o ideal. Mas isso não precisa ser, necessariamente, assim. Muitos casais, cujos parceiros sáo bem mais velhos ou bem mais novos são muito felizes assim.

A cantora canadense Celine Dion é um exemplo disso. Casou-se, ainda jovenzinha, com um homem muito mais velho do que ela e tornou-se conhecida, por nunca esconder da imprensa, o quanto sempre amou o marido.

4. RECONHEÇA QUE VIVER SOZINHA NÃO SIGNIFICA UMA TRAGÉDIA

Isso pode facilmente ser entendido através da leitura do post que antecede a este. Na verdade, importantes especialistas que entendem muito de relacionamento humano também pensam assim.

Um deles é o psicanalista Flávio Gikovate, para quem o viver só é também uma escolha e um estado honroso. A convivência com os amigos, filhos e outras pessoas a quem elegemos, pode ser tão ou mais gratificante do que viver na mesma casa com um parceiro que foi idealizado.

Sem dúvida, essa lista não é exaustiva. Ela correponde apenas a "um lembrete" para "despertar" algumas mulheres que não estão se sentindo felizes por estarem sozinhas. O mais valioso mesmo é detectar aquilo que realmente tem importância para um relacionamento feliz.

"Pegue mais leve" com você mesma e não deixe de ser feliz!

Homens bons existem e bons homens estão à procura de boas mulheres.

Tony Ayres

24 agosto, 2009

A Revolução Invisível

marco_moreira_mostraVI_01 Em psicanálise, quando tratamos de um paciente que não consegue perceber um problema, visível aos nossos olhos e, muitas vezes, visível à maioria das pessoas que o cercam, dizemos que tal paciente está egosintônico com o seu problema.

Nesse caso, temos que, antes de mais nada, trabalhar para que o paciente se torne egodistônico em relação a tal problema, para que possa passar a percebê-lo e seguir avante com o tratamento.

Essa situação ilustra muito bem a terrível revolução de valores que esta geração está atravessando sem perceber, simplesmente porque, embora a vivencie em toda a sua plenitude, não consegue enxergá-la, porque ela lhe é egosintônica, portanto, invisível.

COMO ESSA REVOLUÇÃO SE MANIFESTA?

Ela se manifesta através de uma crise que, em linhas gerais, apresenta os seguintes sintomas:

1. Inversão de Valores

Percebe-se nitidamente, na geração contemporânea, uma inversão de valores, em relação ao que ocorria há algumas décadas. O que era errado passou a ser certo e o que era certo passou a ser errado.

O que não se tolerava quando os pais de agora eram filhos adolescentes, é defendido agora como bandeira libertária, por esses mesmos pais, em relação a seus filhos, hoje adolescentes.

2. Quebra de Padrões Dicotômicos

Antes, tínhamos bem delineado o que era bom e o que era mau; o que era ético e o que era não-ético; o que era o bem e o que era o mal.

Hoje, existe uma ambivalência generalizada sem os referenciais antes existentes. Até mesmo as novelas de televisão e os filmes que são sucesso em Hollywood que, anteriormente, tinham bem definidos a figura do herói e do vilão, atualmente já não apresentam essa mesma dualidade.

Tanto o herói de hoje tem facetas de vilão; quanto o vilão de hoje tem características de herói. O bem e o mal foram amalgamados, formando um composto ambivalente, que constitui não apenas a casca, mas também a essência das pessoas.

3. Banalização da Vida

Antes, tinha-se mais respeito à vida. Hoje esse respeito banalizou-se, não somente nas clínicas de "aborteiros" e nas guerras entre gangues rivais de traficantes, mas também no quotidiano das pessoas comuns.

O desrespeito e a transgressão vulgarizaram-se ainda mais. Se fizermos uma pesquisa numa classe universitária, por exemplo, com a finalidade de sabermos quantas pessoas foram assaltadas, 80% ou mais levantarão a mão.

Mas o que foi roubado dessas pessoas não são apenas jóias ou grandes somas de dinheiro. Hoje, celulares, tênis, blusas, sapatos e até mesmo passes de ônibus ou metrô fazem parte desse repertório. E tudo isso é visto como "normal".

4. Visão de Mundo Como Projeção do "Si-Mesmo"

Antes, as cosmovisões ou "visões-de-mundo", diferentes para cada povo, cultura, sociedade ou segmentos das sociedades eram filosoficamente estudados, sabidos e respeitados.

Hoje, impera a lei do egoísmo e do egocentrismo. As pessoas enxergam o mundo como "um grande depósito de toda sorte de produtos", à disposição de seu desejo de consumo.

Em outras palavras, cada pessoa vê o mundo como uma grande projeção de si própria e julga-se no direito do "desfrute" total e irrestrito dele. Perdeu-se o espaço antes destinado à liberalidade e à compaixão pelo próximo.

CONCLUSÃO: AUSÊNCIA DE DEUS E VAZIO EXISTENCIAL

Cedo ou tarde, toda pessoa que vivencia uma revolução dessa magnitude, descobre que não é possível passar incólume pelas leis de natureza espiritual e psicológica.

Já vimos, em postagem anterior neste blog, que o sentimento moral (e por via de consequência, religioso) não foi dado por Moisés, no Monte Sinai. Ele já nasce com cada ser humano, constituindo parte importantíssima de sua psiquê.

É por essa razão que o homem não pode desprezar valores multimilenarmente acumulados, impunemente.

A célebre frase de Nietzsche de que "Deus está morto" nunca foi tão verdadeira quanto está sendo para a presente geração.

Cada homem ou cada mulher que eliminou Deus de sua agenda egoísta e materialista, implementando assim, a sua revolução invisível, paga por isso um preço incomum de frustração e de sofrimento.

Embalados pela falsa idéia de que são "livres" de regras ou de valores, são, na verdade, apesar de todo "desfrute", infelizes criaturas, sem Deus, imersas num imenso vazio existencial.

"Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Isa. 5.20).

Tony Ayres

OBSERVAÇÃO: a primeira foto deste post é de autoria de Marco Moreira,

marco@magelstudio.com.br

Nossos agradecimentos