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13 fevereiro, 2010

Jovens, Sexo, DSTs, Gravidez Precoce e Igreja

Jovens Já tenho observado algumas vezes, neste blog, que, o verdadeiro teólogo (homem responsável por interpretar as verdades contidas na Palavra de Deus) é aquele preocupado em transmitir a Revelação de ontem para a realidade de hoje.

A mensagem do pregador precisa ser contextualizada, não apenas em relação ao texto bíblico, mas também em relação ao contexto sócio-cultural em que uma geração está vivendo.

Tendo-se isso como premissa, é indiscutível que a realidade atual, enfrentada pelos jovens (e velhos também, por que não?) é muito diferente daquela em que a geração dos que têm mais do que 40 anos viveu, em sua adolescência e juventude.

A juventude de hoje, inclusive a juventude cristã-evangélica não vê mais o casamento como um passo necessário para a iniciação de sua vida sexual (refiro-me, é claro, ao casamento oficializado no cartório, pelo juiz de paz, ainda que esse nunca tenha sido o casamento bíblico).

Pois bem, em virtude de uma grande parte da Igreja e de seus pastores não estarem fazendo a contextualização a que nos referimos, no princípio; e em relação à cultura da primeira década desde milênio ter produzido uma juventude que encara a sexualidade com muito mais naturalidade do que seus pais; porém sem as informações necessárias para a sua prática, o resultado, em alguns casos, tem sido desatroso.

AS CONSEQUÊNCIAS

As consequências (para não se dizer que o que estou dizendo está em minha cabeça) é, infelizmente, empírica e faz parte da experiência de todo pastor, em qualquer lugar deste país, de precisar tratar de casos de meninas adolescentes grávidas, membros de suas igrejas, e de sua contrapartida , os jovens que as engravidaram.

Isso, na melhor das hipóteses. Na pior delas, existem os casos de infecção por DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e por AIDS. o que além do sofrimento para os jovens atingidos, provoca muita dor e constrangimento para as suas famílias.

QUAL É A SOLUÇÃO PARA A QUESTÃO?

A solução, se me permitem ser bastante sincero, é a Igreja deixar de fingir que o problema não existe, porque ele está aí, escancarado. pipocando aqui e ali, dentro de sua "redoma". Não está somente "lá fora", entre "os incrédulos". É preciso despertar para essa realidade.

Os pastores são homens chamados a cuidar de suas ovelhas, e esse cuidado, nos dias de hoje, consiste em ensinar-lhes a Palavra, sim. Mas, também consiste em ensiná-las, sem uma pretensa "santidade" a se protegerem e a se precaverem dos perigos e das feridas que a iniciação numa sexual desprotegida e ignorante pode provocar.

REFLEXÃO

Querido(a) leito(a). Reflita comigo, por favor. Os jovens que hoje estão na faixa entre 12 e 25 anos de idade, aproximadamente, NÃO PRESENCIARAM com capacidade de entender, a fase mais terrível da epidemia da AIDS, na qual 100% dos jovens infectados acabaram morrendo em poucos meses.

Hoje, embora exista um coquetel que prolonga a vida dos soropositivos por um tempo muito além do que 10 anos, AINDA NÃO EXISTE CURA PARA OS DOENTES e o tratamento , além de precisar ser contínuo, é muito difícil, pois altera diversas funções do organismo. A sífilis, o papiloma vírus e outras DSTs também trazem grandes sofrimentos físicos e psíquicos.

Uma gravidez precoce indesejada trará responsabilidades enormes para a jovem mãe e que implicarão, muitas vezes, na destruição de seus mais belos sonhos e planos por toda a vida.

Isso tudo não poderia ser evitado?

Não seria muito mais razoável os pastores deixarem de infligir mais culpa sobre essas pobres ovelhinhas, sob o tacão do legalismo e da falta de misericórdia, ensinado-as a se cuidarem, com o uso de preservativos e da utilização de contraceptivos?

Essa atitute, além de não comprometer a sua santidade, poderá salvar de uma vida dolorosa e infeliz, jovens e preciosas vidas que estão sob seus cuidados.

Tony Ayres

24 agosto, 2009

A Revolução Invisível

marco_moreira_mostraVI_01 Em psicanálise, quando tratamos de um paciente que não consegue perceber um problema, visível aos nossos olhos e, muitas vezes, visível à maioria das pessoas que o cercam, dizemos que tal paciente está egosintônico com o seu problema.

Nesse caso, temos que, antes de mais nada, trabalhar para que o paciente se torne egodistônico em relação a tal problema, para que possa passar a percebê-lo e seguir avante com o tratamento.

Essa situação ilustra muito bem a terrível revolução de valores que esta geração está atravessando sem perceber, simplesmente porque, embora a vivencie em toda a sua plenitude, não consegue enxergá-la, porque ela lhe é egosintônica, portanto, invisível.

COMO ESSA REVOLUÇÃO SE MANIFESTA?

Ela se manifesta através de uma crise que, em linhas gerais, apresenta os seguintes sintomas:

1. Inversão de Valores

Percebe-se nitidamente, na geração contemporânea, uma inversão de valores, em relação ao que ocorria há algumas décadas. O que era errado passou a ser certo e o que era certo passou a ser errado.

O que não se tolerava quando os pais de agora eram filhos adolescentes, é defendido agora como bandeira libertária, por esses mesmos pais, em relação a seus filhos, hoje adolescentes.

2. Quebra de Padrões Dicotômicos

Antes, tínhamos bem delineado o que era bom e o que era mau; o que era ético e o que era não-ético; o que era o bem e o que era o mal.

Hoje, existe uma ambivalência generalizada sem os referenciais antes existentes. Até mesmo as novelas de televisão e os filmes que são sucesso em Hollywood que, anteriormente, tinham bem definidos a figura do herói e do vilão, atualmente já não apresentam essa mesma dualidade.

Tanto o herói de hoje tem facetas de vilão; quanto o vilão de hoje tem características de herói. O bem e o mal foram amalgamados, formando um composto ambivalente, que constitui não apenas a casca, mas também a essência das pessoas.

3. Banalização da Vida

Antes, tinha-se mais respeito à vida. Hoje esse respeito banalizou-se, não somente nas clínicas de "aborteiros" e nas guerras entre gangues rivais de traficantes, mas também no quotidiano das pessoas comuns.

O desrespeito e a transgressão vulgarizaram-se ainda mais. Se fizermos uma pesquisa numa classe universitária, por exemplo, com a finalidade de sabermos quantas pessoas foram assaltadas, 80% ou mais levantarão a mão.

Mas o que foi roubado dessas pessoas não são apenas jóias ou grandes somas de dinheiro. Hoje, celulares, tênis, blusas, sapatos e até mesmo passes de ônibus ou metrô fazem parte desse repertório. E tudo isso é visto como "normal".

4. Visão de Mundo Como Projeção do "Si-Mesmo"

Antes, as cosmovisões ou "visões-de-mundo", diferentes para cada povo, cultura, sociedade ou segmentos das sociedades eram filosoficamente estudados, sabidos e respeitados.

Hoje, impera a lei do egoísmo e do egocentrismo. As pessoas enxergam o mundo como "um grande depósito de toda sorte de produtos", à disposição de seu desejo de consumo.

Em outras palavras, cada pessoa vê o mundo como uma grande projeção de si própria e julga-se no direito do "desfrute" total e irrestrito dele. Perdeu-se o espaço antes destinado à liberalidade e à compaixão pelo próximo.

CONCLUSÃO: AUSÊNCIA DE DEUS E VAZIO EXISTENCIAL

Cedo ou tarde, toda pessoa que vivencia uma revolução dessa magnitude, descobre que não é possível passar incólume pelas leis de natureza espiritual e psicológica.

Já vimos, em postagem anterior neste blog, que o sentimento moral (e por via de consequência, religioso) não foi dado por Moisés, no Monte Sinai. Ele já nasce com cada ser humano, constituindo parte importantíssima de sua psiquê.

É por essa razão que o homem não pode desprezar valores multimilenarmente acumulados, impunemente.

A célebre frase de Nietzsche de que "Deus está morto" nunca foi tão verdadeira quanto está sendo para a presente geração.

Cada homem ou cada mulher que eliminou Deus de sua agenda egoísta e materialista, implementando assim, a sua revolução invisível, paga por isso um preço incomum de frustração e de sofrimento.

Embalados pela falsa idéia de que são "livres" de regras ou de valores, são, na verdade, apesar de todo "desfrute", infelizes criaturas, sem Deus, imersas num imenso vazio existencial.

"Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Isa. 5.20).

Tony Ayres

OBSERVAÇÃO: a primeira foto deste post é de autoria de Marco Moreira,

marco@magelstudio.com.br

Nossos agradecimentos