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03 julho, 2009

DEUS FALA COMO QUER

balaam Depois de um longo dia de trabalho e após mais aproximadamente 4 horas de aulas no Seminário,eu voltava para casa exausto, instintivamente apertando um pouco mais o pé no acelerador do carro, com o desejo de chegar o mais rápido possível.

Tinha atravessado boa parte da cidade e estava a menos de 10 minutos de casa, quando, ao fazer uma curva, subitamente, ouvi uma voz falar claramente ao meu coração:

"Dirija-se, agora mesmo, à frente do templo".

O templo em questão era a igreja pela qual eu era responsável, e embora não muito longe do lugar onde me encontrava, ficava na direção oposta ao caminho de minha casa.

Achei que era imaginação de minha mente, pois o que iria eu fazer num dia de semana, com as ruas desertas, já quase meia –noite, diante de um templo fechado?

Mas, a voz insistia, dentro de mim: "Vá agora mesmo ao templo".

Diante de tal circunstância, decidi fazer aquilo que havia aprendido no Seminário não ser sensato fazer. Fiz uma oração, dizendo mais ou menos assim:

"Senhor, estou sentindo uma orientação para ir agora mesmo ao templo. Não tenho certeza se isso é pensamento meu, ou uma orientação de Tua parte. Portanto vou abrir a Bíblia aleatoriamente e peço-te que me orientes, pela Tua Palavra".

Feita a oração, sem nem mesmo desligar o motor de carro, encostei por um momento próximo ao meio-fio, acendi a luz interna e abri a Bíblia.

Meus olhos caíram sobre o seguinte texto:

"Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado" (Hb. 12.12-13).

Imediatamente, entendi que alguém precisava de ajuda. Desliguei a luz interna do carro, engatei a marcha e rumei para a igreja.

Qual não foi minha surpresa, à medida em que ia chegando ao local designado, perceber que um dos jovens da mocidade, estava em pé, na calçada oposta, bem defronte do templo, com o olhar desesperado.

Quando estacionei o carro e desci para cumprimentá-lo, sua voz saiu, num misto de surpresa e de extremo alívio: "Pastor, ainda bem que o senhor veio até aqui. Eu estou desesperado e, se o senhor não chegasse, sinto que iria estourar".

Procurei acalmá-lo, e pedi-lhe que me dissesse, sem temor, a razão de seu desespero.

Nos longos minutos que fiquei com ele, naquela hora deserta da noite, pude ouvi-lo desabafar a história de sua criação e confessar a sua vida de homossexualidade, que trazia escondida em seu coração.

Tive oportunidade de aconselhá-lo, orar com ele e por ele, dar-lhe uma palavra de orientação e de conforto. Quando nos despedimos afinal, seu semblante estava alegre e seu coração apaziguado.

Retomei o caminho de casa, dessa vez convicto de que fora obediente à voz do Senhor.

Durante o tempo em que permaneci como pastor daquela igreja, pude ver aquele jovem sentindo-se perdoado e feliz, fazendo alegremente e com disposição, todo o trabalho que lhe era confiado.

Aprendi mais uma vez que Deus é soberano. Fala a quem quer,no momento em que quiser e da maneira que Lhe aprouver.

Soli Deu Gloriae

Tony Ayres

28 maio, 2009

DE QUEM É A CULPA?

_42789159_couple_science203Abri a porta do consultório e dei as boas vindas ao casal. Cumprimentaram-me friamente, um tanto constrangidos. Eram bem jovens, os dois, mas eu podia perceber pelo olhar e pelo semblante, que estavam tensos e haviam discutido, no trajeto.

O tanto quando pude, procurei colocá-los à vontade. Aos poucos, fui tomando conhecimento da triste história.Haviam sido muito ricos e vivido com todo o conforto que se pode imaginar. Mas perderam tudo e agora lutavam, desesperadamente, para sobreviver.

À medida que a sessão prosseguia, fui percebendo a dinâmica na qual funcionavam. Era uma dinâmica que se manifestava através do tão humano e tão conhecido mecanismo da troca de acusações.

Ele a culpava por tudo. Dizia-lhe que fora induzido por suas solicitações a investir toda a sua fortuna num mal negócio que ela insistira ser o melhor de suas vidas. O lucro prometido parecia ser imenso.

Ela, exasperada, não aceitava a acusação. Retrucava, veementemente que o responsável havia sido a corretora da bolsa, que lhe enganara com uma falsa indicação. Ela apenas seguiu os conselhos dela. Mas em nenhum momento havia deixado o marido fora disso.

Enquanto eles trocavam farpas, durante todo o tempo em que as acusações eram feitas, eu olhava-os com pena e não podia conter a minha compaixão. Tão jovens ainda. Tão bonitos também.

Mas, incrivelmente, imaturos. Como poderia ajudá-los, sem não eram capazes de assumir a responsabilidade pelos erros que, claramente, tinham tido participação os dois?

"Foi você que comeu aquela fruta e causou a nossa miséria" – dizia ele. "Mas você também provou dela, lembra-se disso?" – respondia ela, entre irônica e irritada.

"Foi sua culpa, Eva, admita logo!" – ele se exasperava.

"A culpa foi daquela serpente que você permitiu entrar em nosso Jardim, Adão" – redargüia ela, com veemência.

"E por causa dela e de sua falta de cuidado para comigo, perdemos tudo. Você não compreende que fui induzida em tudo?" – ela lamentava, já sem conseguir segurar o pranto.

Não, querido leitor ou leitora que me acompanharam até aqui. Eu jamais aconselhei Adão e Eva, como dei a entender, pela história acima. Ela apenas ilustrou o que se passou, perante Deus, lá no Jardim do Éden, com os nossos primeiros pais.

Coloquei-a aqui para demonstra que ainda hoje ela se repete e é por demais conhecida por todos os terapeutas e conselheiros matrimoniais.

E como no início, suas consequências continuam avassaladoras, se não houver um reconhecimento dos erros, um genuíno e mútuo pedido de perdão.

O reconhecimento dos erros, a aceitação das própria fragilidades, o pedir e o liberar perdão produzem aceitação, crescimento e maturidade emocional.

Quando isso acontece, a relação torna-se terna e compreensiva; a educação dos filhos, a dinâmica do lar, o trabalho, os negócios, os estudos; tudo isso passa por um "upgrade" abençoador.

Procure lembrar-se disso, antes de apontar o dedo, a próxima vez. É muito fácil colocar alguém na "cadeira dos réus", com acusações.

Mas, embora difícil, é um gesto muito nobre, que produz bênçãos maravilhosas, trocar de papéis e sentar-se, espontaneamente, lá.

Que a luz de Cristo ilumine nossas mentes e corações!

Tony Ayres