"Sempre questionei a versão da igreja católica sobre um Deus cruel e vingativo. Creio ser muito infantil a crença sobre castigo divino". (Flávio Gikovate, médico psiquiatra e psicoterapeuta, no Twitter, em 10/07/2009).
O questionamento de Flávio Gikovate sobre Deus não provém, conforme ele coloca, apenas da igreja católica. A imagem de um Deus cruel e vingativo é também, infelizmente, repassada pela maioria das denominações evangélicas; mais especialmente, as pentecostais.
Aliás, a questão das penas eternas tem uma ênfase especial em quase todas as teologias; particularmente, no calvinismo, no arminianismo e no luteranismo, além de, é claro, no catolicismo romano.
A questão de o inferno ser realmente um enorme incêndio eterno onde os ímpios serão queimados para sempre perpassa, com freqüência, a cabeça de evangélicos de todo o mundo.
Alguns, não conseguindo conciliar a idéia de um Deus bondoso ser o criador dessa espécie de inferno, racionalizam-na, atribuindo tal criação ao diabo.
Os cristão mais maduros já venceram esse estágio "infantil", segundo as palavras de Gikovate e aprenderam, que na verdade, o castigo eterno é, com certeza, a eterna separação de Deus.
Mas, fica ainda, outra questão: a de como enxergamos a Deus, ainda nesta vida. Alguns vêem-no como um verdugo, pronto a castigar seus filhos, ao menor deslize.
Outros o vêem como um policial celeste, sempre vigiando e pronto a "multar" os que, de maneira consciente ou inadvertida, desobedecem às suas "leis" (entre aspas).
Mas tem também aqueles que o enxergam como um velhinho de barbas brancas, regendo o mundo, assentado num trono em algum lugar do Universo, como um Papai Noel celestial.
Essas falsas idéias de Deus e algumas outras similares fazem parte de um clássico livrinho, escrito pelo pastor anglicano John Bertram Phillips, em 1952, cujo título é: "Seu Deus é Pequeno Demais", que ganhou notoriedade entre os cristãos de muitos países, e ainda hoje, continua a ser publicado.
Ser ter qualquer interesse, a não ser o de ajudar a quem se debate com esse assunto, recomendo a leitura do livrinho que, no Brasil, é distribuído pela editora Mundo Cristão.
Entretanto, para não isentar-me de uma posição a respeito, prefiro ficar com a imagem de Deus como um Ser justo, sim. Mas, sobretudo, amoroso, benigno, compassivo e pronto a perdoar, como nos mostram as Escrituras. Conforme a revelação dada pelo Mestre a Filipe, vejo Deus na figura de Jesus.
Entretanto, apesar de saber que, certamente serei criticado por alguns, pelo que irei dizer a seguir, vou arrematar este post com a resposta do padre Fábio de Melo, em entrevista concedida à apresentadora Maria Gabriela, no canal GNT.
Interrogado por ela, se realmente ele cria na vida após a morte (e, obviamente, na conseqüente salvação ou perdição eternas), ele, sorrindo, respondeu:
"Você me faz uma pergunta muito injusta, Marília; porque eu ainda não morri!"
Críticas ou mal-entendidos à parte, é sempre preferível a franqueza à hipocrisia.
Tony Ayres