Algo que tem me incomodado muito, ao longo de minha vida cristã, é a intolerância, que muitas vezes tenho visto, em meio às nossas igrejas evangélicas.
Achamos que somos os donos da verdade e, inconscientemente, adotamos a "teologia do canudo divino": imaginamos que Deus, lá nos céus, olha aqui para a Terra através de um longo canudo, em forma de uma luneta (ou se, preferirem, em forma de um biju ao contrário).
A imagem até seria admissível, se não estivéssemos (muitos, em nosso meio) convencidos de que a parte larga do "canudo divino" abre-se, exatamente, sobre o teto de nossa igreja.
Assim, nos enganamos, com a falsa idéia de que "quem estiver sob a proteção do canudo, é crente e está salvo. Quem estiver fora, está errado e, se não se converter, está irremediavelmente perdido".
Dessa forma, obedecendo às nossas frágeis "tabuinhas da lei", somos muito ágeis em apontar o dedo e colocar na cadeira dos réus a quem, muitas vezes, não merece.
Exemplo dessa discriminação é o jovem padre Fábio de Melo, que já tem sido "acusado pelos crentes" de todas as partes do Brasil.
Dia desses, ganhei de presente um de seus CD's e, honestamente, o que pude observar foi: música da melhor qualidade, muita sensibilidade, poesia tocante e uma profunda devoção a Jesus e às coisas de Deus.
A comparação foi inevitável. Desejei que, pelo menos a metade, dos chamados "cantores gospel", tivessem a qualidade musical e o testemunho de vida desse rapaz, filho de um pedreiro e uma dona de casa, nascido na pequena cidade de Formiga, no estado de Minas Gerais.
Mas, os nossos desejos quase sempre contrapõem-se com a realidade que temos de enfrentar.
Esperemos que outros "Fábios de Melo" surjam no meio evangélico e os que agora já existem (porque sempre temos as exceções), combatam o "bom combate" em defesa da fé, através da música de qualidade e de igual testemunho de vida.
NEle, que a ninguém discrimina,
Tony Ayres