O Blog O PSICANALISTA E A RELIGIÃO é o novo nome deste site, que tratará, a partir deste mês (fevereiro de 2017) de assuntos relacionados ao assim denominado "CONFLITO RELIGIOSO", visto ser este fenômeno, crescentemente preponderante, como um transtorno, entre pessoas religiosas, em especial, as cristãs.
09 fevereiro, 2017
MUDAMOS O NOME DO BLOG
O homem, enquanto ser social, é também um produto de sua era, de seu tempo, de sua civilização. Tudo em sua vida, assim como tudo na natureza, tem seu ciclo, sua função e sua duração. Nada é e nem poderia ser estático na vida do ser humano. A tendência é mudar sempre, crescer, aprimorar, evoluir.
Percebemos que, nos últimos e recentes anos, a natureza dos problemas enfrentados pelas pessoas que professam a fé cristã (e mesmo as de outras crenças), têm, mesmo que seja lá nas profundezas da sombra ou do inconsciente, uma matiz que envolve conflitos de ordem religiosa. Em outras palavras: muitas pessoas estão tendo diferentes tipos de conflitos de fé, que aqui chamaremos de "conflitos religiosos",
Evidente que, em função disso, este blog, antes conhecido como "Psicoterapeuta Cristão", também precisou mudar a fim de adequar-se a esses novos e bastante espinhosos dias. Assim, decidimos mudar o seu título para "O PSICANALISTA E A RELIGIÃO", a fim de podermos alargar um pouco mais, as fronteiras de nossas reflexões, procurando também dar a elas, um caráter mais aprofundado e mais coerente com a visão, ou, se preferirem, as visões (ou cosmovisões) que a Psicanálise pode oferecer sobre o tema.
Esperamos contar com sensatez de nossos leitores de diferentes partes do mundo (que deste o início têm nos prestigiado) para que reflitam sobre a natureza desta adequação; ao mesmo tempo em que firmamos o nosso compromisso de procurar seguir ajudando as pessoas que enfrentam questões menores ou até de natureza existencial nesta área.
16 março, 2012
Crer na Bíblia significa cometer suicídio intelectual?
![]() |
| cena do filme "Criação", que fala das questões de fé de Darwin |
Falando com muita honestidade, penso que estamos vivendo um momento da história da humanidade ímpar, em razão das muitíssimas descobertas da ciência e do fenomenal aporte de novos conhecimentos em todas as áreas do saber humano.
Todavia, não é apenas por esses motivos que acho o momento ímpar.
O momento histórico é impar em razão das consequências que as novas descobertas tem produzido; não digo nem na religião, mas na fé das pessoas.
Os cristãos que, conscientemente ou não, professam uma fé fundamentalista, encontram-se, de repente, diante de uma sinuca de bico existencial: ou acreditam na ciência e deixam de crer na Bíblia; ou aceitam a Bíblia literalmente ("ao pé da letra") e cometem um suicídio intelectual. Parece-lhes não haver um meio termo que possa apaziguar o coração.
Para a mim, a grande saída é exatamente o fato de que esse meio termo existe, e podemos conviver com ele pacificamente, sem abrirmos mão de nossa fé (o que seria uma loucura); mas também, sem deixar de referendar as promissoras descobertas científicas.
Evidentemente, em função de minha formação terapêutica, não posso e nem desejo julgar quem está certo e quem está errado.
EXEMPLO BÍBLICO
Para explicar o meu ponto de vista sobre essa questão, vou valer-me tão somente do exemplo bíblico, representado pelos capítulos 1 e 2 do Gênesis. Ali encontramos a descrição da criação do mundo e, particularmente, da criação do homem, na história de Adão e Eva.
É minha opinião que tais fatos possam ser vistos como uma "fotografia", quando se crê na literalidade do texto. Mas podem também ser vistos como uma "radiografia", quando se entende que o texto constitui uma metáfora, uma representação simbólica para a criação, visão esta que, atestam os próprios cientistas, comporta a própria Teoria da Evolução das Espécies.
Como se vê, a questão pode e deve ser objeto de ponderações. Isso é razoável.
O que não é razoável é apostatar da fé e tornar-se ateu, em função de uma radicalização irrefletida.
Soli Deo Gloria
Antônio Tadeu Ayres
31 agosto, 2010
DESABAFO DE UM SERVO
Quando me converti, ainda menino, aceitei as delícias de minha fé assim como o bebê recebe o leite do seio materno. Deliciei-me com o meu novo nascimento, apeguei-me a meu Pai, aprendi com seu Filho, devorei a Sua Palavra.
Fui adolescente, jovem e sempre mantive a comunhão com o meu Senhor. Estudei muitas matérias, passei por muitas escolas, fiz cursos de especialização e mestrado,tornei-me maduro.
Conheci Marx, Freud, Nietzsche, Saramago e muitos, muitos outros nomes que poderiam ter usurpado minha fé. Mas, nunca pude encontrar um livro como a Bíblia nem um homem que pudesse substituir Jesus Cristo de Nazaré.
Repugna-me, agora, ver a apostasia rondando o coração de jovens e velhos cristãos. Pessoas que um dia alegraram-se cantando louvores da Harpa Cristã, do Cantor Cristão e do Salmos e Hinos agora sofismando, estribados em teorias que encantam com acenos de “insights” e taxando o remanescente que ainda crê como ortodoxo, fundamentalista e ingênuo.
Chegam a tratar Deus como alguém que está no inconsciente; e não nos Céus. Esqueceram-se do profeta Isaías, que diz: “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com os ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera” (Is. 64.4).
Não souberam mesclar o antigo com o novo e caíram numa armadilha. Por essa razão e por se acharem sábios acabaram por desdenhar a fé e embruteceram a própria alma.
Passaram a viver na “sociedade elitizada” dos sábios desde mundo, que, segundo o apóstolo Paulo, não são mesmo muitos desse tipo que foram chamados por Deus.
Teminando este post, faço coro com as palavras de Rollo May: “Nenhuma sociedade sobreviveria muito tempo sem vitalidade, ou sem as antigas formas, sem mudanças e estabilidade, sem religião profética que ataca as instituições existentes e aquela que as protege” (O Homem à Procura de Si Mesmo, pg 156).
Desejo continuar a minha jornada com o coração renovado, com a Bíblia e com Jesus Cristo, como meu Senhor.
N’Ele, que me deu a salvação,
Antônio Ayres
03 maio, 2010
A ESCOLHA ENTRE DOIS JUDEUS: FREUD OU JESUS?
Quando Sigmund Freud inicia o seu livro O mal estar na civilização, faz referência à fé, descrita por seu amigo correspondente cristão como um “sentimento oceânico” que invade todo o ser; e confessa, logo a seguir, que ele mesmo (Freud) jamais conseguiu experimentar semelhante sentimento.
Pois bem, com esse pretexto, o pai da Psicanálise desenvolveu toda uma argumentação, utilzando o método científico, a fim de, afinal, “provar” que aquilo que chamamos de fé nada mais é do que o preenchimento de um sentimento que visa “acobertar” o nosso desamparo existencial.
Em outras palavras: Para Freud, Deus estaria para o homem de fé adulto, assim como o pai está para o seu filhinho; ou seja, assim como o pai humano protege e cuida de seu filho pequeno, o homem também deu um jeito de “criar” um super pai cósmico (Deus) para protegê-lo e ser por ele cuidado.
Quem lê o livro logo nota que o argumento principal de Freud é o de que homem algum nasce com esse “sentimento oceânico”, que seria, na verdade, desenvolvido a partir de um ego “rudimentar” no qual se instalaria todo o conteúdo ideacional, que seria nada menos do que a fé ou o sentimento religioso.
É claro que nós,cristãos, teríamos inúmeros argumentos contra a posição de Freud. Um deles é o de que, quando Jesus disse a Nicodemos que “importa nascer de novo”, Ele já estava deixando claro, com essas palavras aquilo que Freud tanto se esforçou para provar; ou seja: o homem não nasce mesmo com o “sentimento oceânico”.
Para senti-lo ele precisa nascer novamente “da água e do Espírito”, segundo as palavras de Jesus a Nicodemos, em João, 3. No entanto, como Freud era ateu, com certeza ele não se convenceria com um argumento puramente bíblico, assim como fazem todos os ateus.
UM ARGUMENTO CIENTÍFICO
Para darmos apenas um argumento considerado científico, basta entrarmos um pouco no mundo dos linguistas, mais especificamente, nas idéias de Noam Chomnsky, para quem o ser humano também não nasce falando, aprende a falar depois
Segundo a linha do pensamento de Chomnsky, o homem não nasce falando, mas nasce com a capacidade de falar.
Semelhantemente, podemos também afirmar que o homem não nasce crendo, mas nasce com a capacidade de crer.
Como se vê, às vezes as pessoas se perdem e se confundem por coisas tão simples e banais, desnecessariamente.
Portanto, que conheçamos Sócrates, Platão, Kant, Nietzche e Proust.
Mas que continuemos firmes na Rocha, que é Jesus.
Tony Ayres
27 abril, 2010
UM CONSELHO AOS AMIGOS BLOGUEIROS CRISTÃOS
"Meus queridos amigos. Eu estava fazendo todo o possível para escrever a vocês a respeito da salvação que temos em comum. Então senti que era necessário escrever agora para animá-los a combater a favor da fé que, uma vez por todas, Deus deu ao seu povo. Porque alguns homens incrédulos, sem serem notados, entraram no meio de nossa gente. Eles modificam a mensagem a respeito da graça de nosso Deus, e fazem isto a fim de arranjarem uma desculpa para as suas vidas imorais. E também rejeitam Jesus Cristo, nosso único Mestre e Senhor. Há muito tempo que as Escrituras Sagradas anunciaram a condenação que eles já receberam.
Embora vocês conheçam tudo isto, quero lembrar que o Senhor salvou o povo de Israel tirando-o da terra do Egito, mas depois destruiu a todos os que não creram. Lembrem-se dos anjos que não ficaram dentro dos limites de sua própria autoridade, mas abandonararam o lugar onde moravam: eles estão amarrados com correntes eternas, lá embaixo na escuridão, onde Deus os está guardando para aquele grande Dia em que serão condenados. Lembrem-se dos moradores de Sodoma e Gomorra e das cidades vizinhas, que agiram como aqueles anjos e cometeram imoralidades e perversão sexual - eles sofreram o castigo do fogo eterno, e o exemplo deles é um aviso claro a todos.
Assim, estes homens agem do mesmo modo: Eles têm visões que os fazem pecar contra seus próprios corpos. Desprezam a autoridade de Deus e insultam os seres angélicos. Nem mesmo Miguel, o anjo chefe, fez isto. Na discussão que teve com o Diabo, para saber quem ia ficar com o corpo de Moisés, Miguel não se atreveu a condenar o Diabo com insultos, mas apenas disse: "Que o Senhor o repreenda". Mas estes homens xingam aquilo que não entendem. E as coisas que eles conhecem por instinto, como os animais, são estas que os destroem. Ai deles! Seguem o mesmo caminho de Caim. Por causa de dinheiro, eles se entregam ao mesmo erro de Balaão. E como Coré se revoltou e foi destruído, eles também se revoltaram e foram destruídos.
A presença deles, com suas vergonhosas bebedeiras, nas refeições de amizade de vocês é um verdadeiro escândalo. Eles cuidam somente de si mesmos. São como nuvens levadas pelo vento, que não trazem nenhuma chuva. São como árvores que, mesmo no outono, não produzem nenhuma fruta. São como árvores que foram arrancadas pela raiz e estão completamente mortas. São como as ondas bravas do mar, jogando para cima a espuma de suas ações vergonhosas. São como as estrelas sem rumo, a quem Deus reservou para sempre, um lugar na mais profunda escuridão.
Pois foi Enoque, o sétimo descendente direto de Adão, que há muito tempo profetizou isto a respeito deles: "Olhem! O Senhor virá com muitos milhares dos seus anjos para julgar a todos. Virá a fim de condenar a todos os incrédulos, por todas as más ações que praticaram, e por todas as palavras terríveis que eles disseram contra Deus!"
Estes homens estão sempre resmungando e acusando os outros. Eles seguem o seu próprio desejo, vivem se gabando, e bajulam os outros, porque são interesseiros.
Mas, vocês, meus amigos, lembrem-se do que foi profetizado pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. Eles disseram: "Quando chegarem os últimos tempos, aparecerão homens que vão zombar de vocês, homens que seguem os seus próprios desejos de incrédulos" São esses que causam divisões, pois são dominados pelos seus desejos naturais, e não têm o Espírito de Deus. Porém vocês, meus amigos, continuem a progredir na fé que têm, que é a fé mais santa que existe. Orem no poder do Espírito Santo. E continuem no amor de Deus, esperando que nosso Senhor Jesus Cristo, em sua misericórdia, dê a vocês a vida eterna.
Tenham pena dos que têm dúvidas, salvem e tirem essa gente do fogo. Tenham pena também dos outros. Sim, tenham dó, e medo também, mas odeiam até as suas roupas manchadas pelos seus desejos pecaminosos.
A Deus que podem evitar que vocês caiam, e que pode apresentá-los perfeitos e alegres na sua gloriosa presença, ao único Deus nosso Salvador, sejam dados, por meio de Jesus Cristo nosso Senhor, a glória, a grandeza, o poder e a autoridade, desde todos os tempos, agora e para sempre! Amém.
Judas
carta de Judas, dos versos 3 a 25
20 abril, 2010
AS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS PODEM DESTRUIR A FÉ?
Já algumas vezes tenho discutido, neste blog, a necessidade que as pessoas de fé têm de conhecer, sem temores, "o outro lado da moeda", para que a sua fé realmente possa ser provada e aprovada.
Pessoas que têm medo de ler e ver coisas que possam "afastá-las" da fé; em seu íntimo, temem que essa fé esteja respaldada em solo de areia, e por essa razão, podem se "DESVIAR".
Por essa razão, os evangélicos inventaram a monocultura, com eventos gospel, feiras gospel acampamentos gospel, filmes gospel, escolas gospel, músicas gospel - tudo isso, refletindo um medo obssessivo de estar "fazendo coisas do mundo" e de "cair em tentação" por causa das coisas do mundo.
Pura perda de tempo e falta de reflexão, pois hoje sabemos, sem sombra de dúvida, que as denominações fundamendalistas e legalistas são "celeiros de pecado", uma vez que ferem a essencialidade do ser humano, impondo jugos que apenas "têm a aparência de santidade", mas são ineficazes contra o pecado.
É preciso sair da redoma gospel, reconhecer o mundo com os seus cientistas, a sua filosofia, aprofundar os estudos, conhecer a história, as artes e, principalmente, o modo de pensar pós-moderno.
Esse pensamento pós-moderno lembra-nos de que todos os sistemas de conhecimento ( inclusive o evangélico) são construções sociais.
Isso significa que os nossos pressupostos culturais, juntamente com as políticas de poder, têm muito a ver com o que decidimos aceitar como verdade.
Em outras palavras, queremos dizer com isso que construímos a verdade mais do que simplesmente a descobrimos.
UM EXEMPLO, PARA ILUSTRAR
Os estudantes dos bons seminários, por exemplo, sabem que no mundo pó-moderno, a ciência, mais do que nunca, levantou questões importantes, utilizando o seu próprio instrumental científico, para melhor conhecer o mundo teológico.
Uma das questões descobertas pela ciência é exatamente sobre a origem e a história da Bíblia. Os cientistas, comparando os manuscritos mais antigos, descobriram diferenças, contradições, adiçoes e supressões.
O trabalho deles revelou que escolhas arbitrárias e, algumas vezes, políticas, foram feitas para incluir alguns livros na Bíblia e excluir outros - o que significa que o Cânon Sagrado que hoje temos, não é o mesmo que os crentes de outros séculos tiveram.
Esse é um problema para o qual os teólogos simplesmente não têm uma resposta para dizer: "Isso não foi assim".
CONCLUSÃO
O que desejamos colocar como conclusão é mais ou menos o seguinte: E daí? Vou negar a descoberta científica para não negar a minha fé? Ou vou dizer que o que os cientistas descobriram é obra do diabo?
Por outro lado, vou aceitar a descoberta científica e apostatar da minha fé, porque me sentirei "enganado"?
De maneira nenhuma, pois a minha fé em Cristo é capaz de resistir a verdade científica, sem negá-la.
Mas também não deixarei de crer em minha Bíblia, apenas porque na letra, ela pode ser diferente hoje do que foi ontem.
A imagem salvadora que ela me revela transcende a tudo isso e eu, em Cristo, sou capaz do "prosseguir para o alvo" sem me sentir um menininho confuso e sem ser cético em relação às descobertas da ciência.
O mundo pós-moderno confronta, de fato, muito mais a nossa fé.
Mas não podemos enfiar a cabeça na terra, como o avestruz, para não saber o que se passa ao nosso redor.
"Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece" (Fp. 4.13)
Tony Ayres
28 fevereiro, 2010
Ciência, Um Caminho Para Deus
Por: Tony Ayres
Durante alguns anos já, tenho tido o prazer de conversar com minha médica cardiologista sobre assuntos de fé, psicanálise e religião. Eu, como cristão evangélico. Ela, como praticante de reiki e esotérica.
Embora nossas crenças sejam tão diferentes, temos mutuamente nos respeitado e, em cada uma das longas consultas que tenho feito com ela, aos poucos surgiu uma verdade na qual ambos acreditamos e que pode ser resumida neste comentário, feito por ela, mais ou menos, com as palavras abaixo:
"Olhando para esse universo maravilhoso, é impossível crer que não exista um Ser superior por trás de tudo isso".
Por que estou contando isso?
Para ilustrar um fato impossível de não ser notado. O de que, cada vez mais a gente encontra médicos psiquiatras,médicos de outras áreas, psicólogos e psicanalistas crentes; enquanto, por outro lado, percebe-se uma triste realidade:
Jovens com menos de 30 ou 35 anos de idade, nascidos em lares cristãos e criados na Escola Dominical, rebelando-se contra a religião, negando a existência de Deus, reprimindo a sua fé, deixando-se levar pela leitura de meia dúzia de de filósofos ateus e teólogos liberais.
Isso tudo só pode ser resumido pela seguinte verdade, que tem se tornado cada vez mais evidente: a pouca ciência torna o homem prepotente, orgulhoso e pronto a descartar Deus; a ciência conhecida em profundidade torna-o humilde, sensato e crente em Deus.
Michael Faraday, descobridor da indução eletromagnética e fundador da Teoria do Campo Eletromagnético (conceitos que Einstein usaria para formular a sua Teoria da Relatividade) foi um fiel cristão.
Sobre ele, os cientistas costumam dizer que, se o Prêmio Nobel já existisse em sua época, por certo Faraday, teria ganho pelo menos cinco! Ele é considerado "o maior gênio experimental de todos os tempos".
Um fato conhecido a seu respeito é que, pouco antes de morrer, um jornalista lhe perguntou: "Quais suas especulações sobre a vida após a morte?". Ao que Faraday respondeu: "Especulações? Eu não tenho nenhuma. Eu descanso nas certezas. Eu sei em quem tenho crido e estou bem certo de que Ele é poderoso para guardar o meu tesouro até aquele dia".
Já Carl Gustav Jung, o mais famoso discípulo dissidente de Freud, ao discorrer sobre os conteúdos psíquicos, escreveu o seguinte:
"Como sou protestante, alguém poderia objetar: 'Ora, quando aconselha a um católico praticante que procure um padre para se confessar, está lhe indicando algo em que não acredita?' Para responder a essa crítica, devo esclarecer que na medida do possível não prego minha crença.
"Quando me perguntam a respeito, defendo minhas convicções, que não vão além daquilo que considero meu saber. Estou convecido daquilo que sei".("Pssicologia e Religião", editora Vozes, pg. 49)
Quem sabe uma reflexão mais profunda e sincera a respeito do que acima foi exposto não poderá levar alguns a reconsiderarem sua fé ou a falta dela, de uma maneira mais sensata, a fim de que encontrem a humildade - uma virtude que ilumina o caminho para se encontrar, de fato, Deus?
15 dezembro, 2009
O Universo Conspira em Seu Favor
Não poucos autores têm deixado transparecer em seus escritos, ao longo da História, "que o Universo conspira em favor daqueles que acreditam em seus sonhos".
Ora, os conhecimentos atuais nos campos da psicologia e da neurolinguística, entre outros, nos permitem constatar que tal afirmação é, de fato, verdadeira.
Há um conhecido dito popular que traduz com extrema veracidade o mesmo fato, ao afirmar que "aquele que não sabe para onde está indo, não chega a lugar algum".
Todo ser humano precisa, portanto, de um rumo, de um objetivo de vida, de um norte, de uma missão, de um sonho, enfim.
De outra sorte, a sua existência será estéril e desprovida de significação.
Quando a nossa mente está imbuída de um sonho e o nosso espírito está repleto de bondade, o Universo, de fato, conspira em nosso favor, uma vez que poderosos mecanismos inconscientes são acionados e a vontade fica mobilizada para a sua realização.
Enquanto a nossa fé em nosso sonho prevalecer, estaremos no caminho certo da vitória e na realização desse sonho. Se duvidarmos dele, porém, estaremos a caminho da decepção e do fracasso.
Um passagem bíblica indica, claramente, o que estamos dizendo.
Certa vez, Jesus preferiu ficar sozinho, em oração; e mandou que os seus discípulos entrassem no barco e atravessassem o lago. Por volta da quarta vigília da noite, quando uma tormenta impetuosa sacudia perigosamente o barquinho, os discípulos, aterrozidados, viram se aproximar deles, caminhando sobre as águas ninguém menos que o Mestre.
"É um fantasma!" - disseram, amedrontados, sem ainda poderem crer no que viam.
"Tende bom ânimo, sou eu"- disse Jesus - ao que Pedro respondeu:
- Mestre, se é tu mesmo, manda que vá até ti, sobre as águas"
- Vem - disse Jesus - e imediatamente Simão Pedro, tal qual Jesus, caminhou por sobre as águas. Mas ele, que acreditou no sonho, na possibilidade de vencer a própria lei da gravidade, e flutuar andando, como o seu Mestre, e tornou realidade esse sonho, num momento, desviou a sua atenção para as ondas do mar.
Foi neste exato momento que o milagre se desfez e Pedro começou a afundar. Então, gritou para que Jesus o socorresse, no que foi prontamente atendido.
Não, porém, sem uma severa advertência, dada pelo Filho de Deus:
"Por que duvidaste?"
Essa é a mensagem que desejo deixar para você, neste post. Coloque os seus olhos em Jesus e confie em seu sonho.
Não duvide, pois, tendo o Mestre dos mestres a seu lado, o Universo,realmente, conspirará em seu favor! Afinal, foi Ele mesmo quem disse: "Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê".
Tony Ayres
15 novembro, 2009
Crer é Um Ato de Fé
Já passei dos 50 anos de idade. Mas, desde que decidi seguir a Jesus, como meu Salvador e Senhor, pouco antes de completar 12 anos, sempre tive questionamentos em relação ao que está escrito na Bíblia e em relação a como os homens interpretam as Escrituras.
Quando estudei o Darwinismo, no Ginásio; custou-me um pouco, mas logo compreendi que a minha fé teria que superar quaisquer dúvidas, se eu quisesse que ela subsistisse.
Portanto, muito cedo, em minha vida (embora, naquele tempo nem conhecesse a significado da palavra) aprendi que não poderia ser maniqueísta; tampouco ser fundamentalista ortodoxo, se desejasse viver uma vida coerente com a capacidade de discernimento com a qual o Criador me proveu.
Foi assim que cresci. Sempre “correndo por fora” na denominação, no seminário, no ministério e na “ortodoxia” humana.
Hoje, decorridos todos esses anos, vejo pessoas, denominações e até instituições que agregam várias denominações (e digo isso com toda a humildade) chegando às mesmas conclusões que, há muito, em minha vida, eu já havia chegado.
O que, de certa forma, valida o ditado popular que diz ser o tempo o senhor de todas as coisas.
Em um dos posts passados deste blog, deixei transparecer a minha opinião de que, quem quiser ter uma fé de verdade, tem que conhecer “os dois lados” da moeda. Não basta apenas conhecer o “seu lado” e, simplesmente, “condenar” os que não pensam igual.
Vou exemplificar, para ficar mais claro.
Tive um professor que, além de pastor de uma grande igreja no Rio de Janeiro, é também médico psiquiatra. Um homem de fé, simples e sábio, amigo de todos os alunos.
Um dia, ele nos contou em sala de aula que, aproveitando de seus trajes brancos de médico, ele saía para pesquisar os terreiros de umbanda, no Rio, e era até muito bem recebido, pois era confundido como sendo “pai de santo”.
Dessa forma, ele pode inteirar-se de alterações de consciência que ocorriam nas pessoas que ficavam em transe naquelas reuniões, mas a sua fé em Jesus jamais ficou abalada por causa disso. Ao contrário, ele ficou muito mais preparado para levar o evangelho àquelas pessoas necessitadas.
E DAÍ, ONDE VOCÊ QUER CHEGAR?
É a pergunta que muitos podem estar me fazendo, neste momento. Respondo, dizendo que o cristão de hoje precisa aprender a lidar com questões novas e diversificadas, tais como: doaçãode órgãos, aborto de crianças anencéfalas, pesquisas com células-tronco, clonagem de animais e vegetais, novos paradigmas de casamentos, doenças mentais que eram tidas tradicionalmente como “possessões” e muitas outras.
Isso, com certeza, demandará uma re-leitura do Velho e do Novo Testamentos, a des-legalização de muitas “legalidades” e a perda do medo para enfrentar o novo.
Além de, claro, respeito para com a fé dos co-irmãos, pois ainda no século XXI permanece a verdade paulina: “Um faz diferença entre dia e dia; para outro, todos os dias são iguais”…
MEU EXEMPLO PARTICULAR
Há cerca de 20 anos deixei de considerar a a narrativa bíblica da criação de Adão e Eva como uma “fotografia”, passando a enxergá-la como uma “radiografia”.
Isso não comprometeu a minha fé, não alterou a minha comunhão com Deus e; nem por um milímetro, mudou alguma coisa do senhorio de Cristo em minha vida.
No entanto, respeito a todos os meus irmãos que vêem o fato como uma fotografia. Há liberdade na diversidade. Mas, deve haver respeito também.
Consegue entender, então, por que crer é um ato de fé?
Espero ter sido compreendido.
Tony Ayres
28 setembro, 2009
O Perigo do Fundamentalismo Insensato
Esse é apenas um dos múltiplos exemplos que poderia citar aqui para mostrar a grande verdade de que a metanóia ou o novo nascimento não nos isenta de sofrimentos, nem constitui uma vacina que nos imuniza contra doenças e percalços na vida, uma vez que, em nós habita, ainda, a velha natureza adâmica, com todas as consequências da Queda, uma vez ocorrida no Éden.
É claro que existem as curas divinas. Elas são bíblicas e fizeram parte do ministério de Jesus. Mas, elas não foram para todos, naqueles dias, nem são para todos nos dias de hoje. Do mesmo modo, os milagres e livramentos.
Pedro foi maravilhosamente liberto dos grilhões da prisão por um anjo e pensava estar sonhando, até que, ao ver-se sozinho, fora da cadeia, e sentindo a brisa da noite em seu rosto, percebeu que acabara de viver um milagre de Deus.
O mesmo não aconteceu com Estevão, o primeiro mártir cristão, que mesmo testificando a sua fé e demonstrando como Deus, através das gerações, cumpriu os seus desígnios em Jesus, Autor e Consumador da salvação; foi impiedosamente apedrejado pelos judeus, até a morte.
Portanto, temos que aprender a maturidade para compreender a soberania de Deus sobre as nossas vidas, e possuir a alma leve para ter flexibilidade em nossas compreensões, se não quisermos ficar presos e enredados por um certo fundamentalismo enganoso que nada mais é do que o fruto de lentes equivocadas, na leitura e compreensão das Escrituras.
Há poucos dias, li, com tristeza, um ácido e desnecessário comentário colocado no post de um querido irmão, que o desmerecia moralmente, e, na falta de melhor argumento, acusava-o simplesmente de "comunista", por ser um leitor de um "autor ateu e comunista".
Fiquei pensando nos milhares de médicos ateus e possivelmente comunistas, que todas as noites, nos plantões de pronto-socorros e emergências médicas, salvam as vidas de milhares de cristãos que, por misericórdia de Deus, puderam cair em suas mãos hábeis e treinadas para salvar.
Quem sabe o próprio acusador da postagem a que me referi, já não teve a sua vida salva, ou de um de seus queridos, por um desses médicos ateus? Já imaginou se tal médico tivesse o mesmo ódio demonstrado por ele a todo paciente confessadamente cristão?
Isso, sem contar o maravilhoso comunismo de Jesus e dos primeiros discípulos da Igreja nascente, que se reuniam todos os dias para a comunhão e a partilha de bens (os ricos vendiam o que tinham e traziam o dinheiro aos apóstolos), de tal sorte que entre eles não havia necessitado algum e "eram um o coração e a alma do povo".
Portanto, sabedoria, equilíbrio,flexibilidade e sensatez devem fazer parte das características de um cristão. Jamais o fundamentalismo que se traduz em revolta e intolerância.
De outra sorte, como aceitar, sem perder a fé, que o genoma humano é extremamente parecido
Como admitir, sem perder a fé, que cada porção de nosso cérebro é responsável não apenas por funcionalidades de nosso organismo, mas também por sentimentos, e que isso já está estabelecido e fartamente comprovado por numerosas experiências dos mais requintados e elaborados exames de imagens?
A fé, a piedade, o amor, a misericórdia, o perdão ou; por outro lado, o rancor, o ódio, o ciúme ou ou a ira são produtos de "pedacinhos" de nosso cérebro. Se uma vítima de acidente, perder, por infelicidade, a massa encefálica responsável pelos sentimentos, ela se tornará tão insensível como uma planta, incapaz de sentir ódio ou amor pelos seus entes mais queridos!
Concluindo, dizemos que, para se ter fé, a partir do tempo presente; e para se confessar um cristão salvo em Jesus, será preciso crer, apesar de todas essas circunstâncias, que não faziam parte de repertório de conhecimentos de nossos pais e antepassados.
O QUE EQUIVALE A DIZER QUE UMA FÉ FUNDAMENTALISTA E INTRASIGENTE muito dificilmente permanecerá porque, sem tirar nem pôr, é tão frágil como a casa construída sobre a areia.
Tony Ayres
18 maio, 2009
CRENTES INSEGUROS
iBiblicamente falando, reconhecemos claramente dois tipos de pecados: aquele que pecamos por agir (ação); e aquele que pecamos por nos omitir (omissão). Não quero, neste espaço, contrariar a minha consciência e, para ser agradável a alguns, deixar de falar algumas verdades, pecando por omissão.
Portanto, como tem sido o meu comportamento, neste blog, continuarei a falar aquilo que minha consciência me dita, seguindo sempre o propósito de esclarecer os meus queridos irmãos leitores, sempre, claro, na medida de minhas forças.
Hoje, proponho-me a refletir um pouquinho sobre o tipo de fé que nos impele a realizar tudo aquilo que concerne ao Reino, e as possíveis implicações que isso possa vir a ter, em nossa vida, enquanto cristãos.
Entretanto, como o espaço é pequeno (e se não fosse assim, muitos desistiriam de ler), não farei rodeios: desejo falar, neste post, sobre um tipo de “fé” entre aspas, que, além de ser enganosa, adoece a vida daquele que confessa ou reconhece tê-la.
Refiro-me aquilo que chamarei aqui de “fé auto-enganadora”.
QUE TIPO DE FÉ É ESSE?
A fé auto-enganadora é, na verdade, uma fé tipo fantasia,encobridora e disfarçadora das maiores e mais inconfessáveis inseguranças.
É aquele tipo de fé aparentada com a credulidade, que tem medo de ser confrontada, tem medo de não resistir, tem medo de ser demovida. Por essa razão, não perscruta, não se submete à lógica da vida, não se envolve com nada que, mesmo de longe, vislumbre ameaça-la, pois é uma fé temerosa.
Ou seja: segundo a Bíblia é mesmo uma fé que não existe. Mas, infelizmente, é o único tipo de fé que muitos cristãos, supostamente piedosos, conseguem esposar.
COMO SE EXTERIORIZA ESSA FÉ?
Como já referido acima, exterioza-se sempre através do medo. O indivíduo que professa essa qualidade de fé não lê, por exemplo, um livro como “O Código da Vinci”, pois, nele, o autor afirma que Jesus foi casado com Maria Madalena, e teve filhos terrenos, cuja descendência humana continua até os dias de hoje.
Esse tipo de fé também se recusa a reconhecer a Psicanálise, pois, seu criador, Freud, apesar de ter sido um judeu, foi também um ateu confesso. Portanto, nem ele e nem sua ciência "devem ser aceitos".
Da mesma maneira, esse tipo de fé recusa-se a procurar conhecer a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, porque ele afirma em seu livro sobre a origem das espécies, que todos nós, seres vivos (animais e vegetais) somos descendentes de um ancestral comum,
que, através da seleção natural e das mutações, foi se diferenciando, através de milhões de anos. dando origem a todas as espécies de organismos.
Essa “fé” proíbe ler determinados livros, assistir a determinados filmes, ler determinados jornais; abomina editoras “não denominacionais”, esconjura o aprofundar-se nos estudos “seculares” e evita toda e qualquer coisa que possa representar “uma ameaça” a sua (falsa) segurança.
Ora, nem é preciso seguir mais adiante com argumentos, pois, quem quer que tenha bom-senso, já terá percebido que tal tipo de fé está edificada sobre a areia e pode, de fato, ruir a qualquer momento.
A FÉ VERDADEIRA
A fé verdadeira é aquela que faz o bem, que não se omite diante das dificuldades de outrem, mas, principalmente, NÃO TEM MEDO DE CONHECER O OUTRO LADO DA MOEDA.
E, mesmo conhecendo todo o outro lado da moeda, não se abala e segue avante confiadamente pois sabe que nada, nem Código Da Vinci, nem darwinismo, nem Sigmund Freud e a Psicanálise, nem a teoria do “Big Bang” ou do “Buraco Negro”, nos poderá separar de estarmos firmes na Rocha, que não é nem pode ser outra do que a “pedra de esquina”, tão bem descrita por Paulo: JESUS CRISTO DE NAZARÉ!
"Por que estou certerto de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rom.8.39-39)
Toni Ayres
03 fevereiro, 2009
O FATO DE SER SALVO IMUNIZA O CRISTÃO DE PROBLEMAS, DOENÇAS E AFLICÕES?
Muitos cristãos evangélicos infelizmente ainda fazem muita confusão, imaginando que o fato de serem salvos imuniza-os contra os problemas e conflitos que envolvem a nossa vida neste mundo.
Outros, mais maduros na fé, já compreenderam que, mesmo trazendo conosco as marcas de Jesus, ainda assim trazemos também a nossa semente adâmica.
Portanto, mesmo salvos, estamos sujeitos às intempéries, doenças e provações que são próprias da existência neste planeta.
Por outro lado, ainda existe o fato de muitas igrejas, ao invés de cumprirem o seu papel de comunidade terapêutica, conseguirem adoecer emocionalmente muitos de seus fiéis, um fato que é duro de se aceitar, mas que é, todos sabemos, uma realidade.
Em meio a tudo isso, muitos cristãos estão clamando por alguém que os oriente, que estenda-lhes as mãos e que os compreenda.
Por essa razão, é preciso que quem disponha de algum talento, use-o de alguma forma em benefício desses irmãos doentes. Isso é bíblico e faz parte da missão da igreja.
Neste blog, tentamos fazer a nossa parte. Minúscula, é verdade, mas não menos importante.
Estar escrevendo na qualidade de conselheiro não é uma tarefa fácil nem de pequena responsabilidade. Mas não deixaremos de fazê-lo por causa dessa questão.
Esperamos ser-lhe útil nesse mister e que, através dele, o nome do Senhor seja glorificado.
Toni Ayres

.jpg)