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21 março, 2010

A INFÂNCIA, O PROTÓTIPO DE TODA UMA VIDA

tom-cruise-like-father-like-son Poucas coisas se revelam tão verdadeiras como o conhecido ditado que diz: "O menino é o protótipo do homem". Essa é uma verdade incontestável na história da humanidade como um todo, como também o é na história de cada um e único indivíduo.

Freud descobriu e provou isso através das etapas que constituem a  a longa fase do desenvolvimento psicossexual do ser humano, durante as quais, qualquer erro ou deslize pode ter implicações por toda a existência.

Mas, milênios antes de Freud, o grande sábio Salomão já havia ensinado: "Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele" (Prov. 22.6). A  Psicanálise veio corroborar a veracidade dessas palavras, de uma maneira irrefutável.

ALGUNS EXEMPLOS

Quando você encontrar uma pessoa bondosa, sensata, justa e equilibrada, dê uma olhada em seus pais. Imediatamente você compreenderá o porquê desse modo de ser: os pais serviram como modelo positivo e nutritivo para os filhos.

Faça a mesma coisa com outra pessoa. Alguém que seja irresponsável, pouco dado ao trabalho, briguento, insatisfeito, crítico, etc. Procure olhar para sua família de origem, Se ela existiu, provavelmente foi o nascedouro de comportamentos tão desairosos.

A única coisa que NÃO podemos fazer, nesses casos, é generalizar. Isso porque exceções sempre existiram e sempre existirão. Mas, como o próprio nome diz, são exceções. A regra é a de que a qualidade da família de origem, das figuras parentais ou de seus substitutos sãom determinantes para a formação da personalidade do indivíduo.

UMA METÁFORA MUSICAL

Façamos uma analogia do que dissemos acima com as músicas clássicas do século XVIII. Naquela época, os compositores utilizavam uma forma musical chamada sonata. Os primeiros movimentos das sinfonias de Mozart e Beethoven são exemplos de sonatas.

Na sonata, todos os temas do movimento aparecem no início, no começo. Em todo o restante do movimento, o compositor desenvolve e amplia esses temas, criando variações sobre cada um deles e recapitulando-os. Esse é um poderoso esquema que, talvez explique a razão pela qual a música daquele período provavelmente sempre será tocada.

Pois bem, podemos supor que a vida de cada um de nós é como uma sonata. Todos os temas dos nossos relacionamentos e da qualidade deles aparecem no começo (na infância).

A nossa vida adulta (toda a nossa vida) consistirá nas variações, evoluções e recapitulações desses temas.

E DAÍ, O QUE FAÇO COM ESSA INFORMAÇÃO?

Em primeiro lugar, lembre-se de que, se você está satisfeito(a) com a pessoa que é, seus pais têm grande responsabilidade nisso e, portanto, você também tem grande responsabilidade no que seu filho ou sua filha será! E agradeça a Deus por isso.

Lembre-se de que sua influência sobre seus filhos farão deles as pessoas que serão. Portanto, se seu filho ou sua filha escolher para companheiro de casamento alguém que que seja um drogado ou um alcoólatra; ou uma pessoa decente e de bem, você foi determinante nessa escolha.

Em segundo e último lugar, se você, pessoalmente, foi a vítima de uma educação pouco saudável ou cresceu numa família disfuncional, lembre-se de que destino não existe.

Você pode mudar o curso de sua vida, dependendo de Deus e assumindo o compromisso por mudar a si mesmo, tomando nas mãos a responsabilidade pela construção de sua própria história.

Tony Ayres

 

05 junho, 2009

SEXO E AMOR - COMO SÃO ENTENDIDOS PELO HOMEM E PELA MULHER

Desejo abordar, neste post, um assunto que tem sido a causa frequente de desentendimentos entre homens e mulheres: o desconhecimento ou a negligência, no que diz respeito à diferença na forma de encarar o sexo e o amor entre eles.

Há muito se sabe que a constituição psicológica do homem é totalmente diferente do que a constituição psicológica da mulher.No entanto, num mundo no qual os papéis desempenhados por eles, principalmente na esfera profissional,é muito grande, essa diferença psíquica fica relegada a um plano totalmente secundário.

Sexo e amor são, talvez, os sentimentos mais fortes que os seres humanos possuem e, embora sejam interdepententes entre si, precisam ser entendidos com clareza se o que desejamos é, realmente, o bem estar comum e o estabelecimento da felicidade do casal.

O sexo carrega consigo uma poderosa força instintual, enquanto o amor é responsável pelos laços de ternura, compreensão e compromisso.

O amor se desenvolve ou se desvanece suave e firmemente. O sexo flutua mais frequente e poderosamente. Tanto assim, que somos muito mais conscientes do auge e da queda de nossos sentimentos sexuais, do que das mudanças que ocorrem em nosso coração.

As mulheres têm uma tendência de expressar a sexualidade ligada ao amor, enquanto seu amor não é, necessariamente, ligado à sexualidade.

Os homens, ao contrário, têm a tendência de associar o amor à sexualidade, enquanto sua sexualidade não é, necessariamente, associada ao amor.

Colocando o que foi dito em outras palavras: os homens podem ter sexo sem amor mais facilmente do que as mulheres; enquanto as mulheres podem ter amor sem sexo, mais facilmente do que os homens.

É precisamente o não entendimento dessas verdades ( ou a a negligência delas, como dissemos) a principal causa de fortes desentendimentos entre muitos casais, que, se não forem cuidados a tempo, podem levar ao rompimento até dos, aparentemente, mais sólidos casamentos.

Toni Ayres

03 abril, 2009

O AMOR ENTRE UM HOMEM E UMA MULHER

amor-verdadeiro03 Já há algum tempo, venho considerando a possibilidade de escrever um post sobre o amor. Não o amor ágape (aquele amor incondicional que podemos manifestar por qualquer pessoa, por todas as pessoas ou por uma causa a qual nos dedicamos), entre outras possibilidades.

Mas, o amor eros, que também pode ser ágape,mas que sendo eros pressupõe uma ligação amorosa entre um homem e uma mulher, que é o fundamento para todos os apaixonamentos e que, em sendo também de natureza sexual, está na base do chamado instinto de preservação da espécie.

E, abordando essa questão, algumas outras surgem por via de consequência: Será que existe amor à primeira vista? Será que o amor romântico é também o amor paixão?

Será que o amor entre um homem e uma mulher pode durar a vida toda ou será que, a partir de um determinado ponto da existência, os casais simplesmente se acostumam com a convivência (na melhor das hipóteses), ou passam a se suportar (na pior delas)?

São questões pertinentes, que fazem parte do universo de reflexões daqueles que se preocupam verdadeiramente com a qualidade de suas vidas; melhor dizendo: com a qualidade de seus relacionamentos.

Para o psicanalista Rollo May, o amor homem-mulher é como o "encontro" que tem o artista inspirado, com a sua arte. Assim como um pintor,que, tomado pela inspiração, passa noites em claro, entregue à pintura de sua obra.

Não sente fome, não sente sono, não sabe se lá fora é dia ou noite. Está consumido pelo desejo de ver a sua obra de arte pronta e acabada, preparada para ser exposta e admirada. Assim também, para ele, seria o amor homem-mulher.

Já para Erich Fromm, outro notório psicanalista, o amor entre um homem e uma mulher é antes de mais nada, um ato volitivo, ou seja, um ato subordinado à vontade. Para ele, o homem ou a mulher decide que vai amar o outro. Seria, então, segundo sua visão, um ato de decisão.

Por sua vez, o psiquiatra Flávio Gikovate acredita que aquilo que chamamos de "amor", na verdade, seria outra coisa. Seria a necessidade que o ser humano tem de preencher o vazio que cada um de nós carrega em seu interior, como consequência do trauma do nascimento.

O preenchimento dessa necessidade, para ele, nada teria de romântico ou de "complementar". Deveria, muito mais, ser uma atitude racional e madura, entre pessoas que se elegem para um relacionamento.

Pessoalmente, prefiro uma posição intermediária entre essas opiniões: Penso que o amor deva ter um tanto da paixão-inspiração de Rollo May; um tanto da vontade ou decisão de Eric From e um tanto da racionalidade, de Gikovate.

E, cá entre nós, uma boa dose de romantismo não há de comprometer nenhum relacionamento no qual os parceiros se amam, pois um pouco de insensatez também faz bem ao coração "apaixonado" (entre ou sem aspas).

Tony Ayres