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30 julho, 2009

Uma Igreja Cujos Líderes Se Perderam

180px-Spurgeon Quem quer que conheça um pouco da história recente da Igreja e dos grandes avivamentos ocorridos a partir do século XIX, na Europa (berço de protestantismo) e nos Estados Unidos da América, lembrar-se-á de grandes pregadores, tais como Charles Haddon Spurgeon, Charles Finney e Dwight Lyman Moody.

Esses nomes e muitos outros fazem parte da galeria dos modernos heróis da fé. Ler suas biografias é uma verdadeira inspiração para os nossos corações, um tanto empedernidos pelas mazelas das igrejas evangélicas deste século XXI.

Os três nomes aqui citados (Spurgeon, na Inglaterra; Finney e Moody, nos Estados Unidos) foram, além de evangelistas, extremados e corretos líderes de igrejas.

Os seus sermões (impressos até hoje) e as suas realizações falam por si só, não apenas de suas vidas exemplares, mas, ainda mais, do caráter ilibado que cultivaram.

A COMPARAÇÃO INEVITÁVEL

Obviamente, ao falarmos desses homens, estabelece-se, imediatamente, em nossas mentes, a grande diferença entre eles e os atuais líderes de grandes denominações evangélicas; e nem é preciso que isso seja feito com igrejas lá da Inglaterra ou dos Estados Unidos, e sim, com aquelas aqui mesmo, do Brasil.

Ficamos, então, perguntando: Por que será que, se a Bíblia não mudou, mudaram tanto as prioridades dos líderes de hoje? E a pergunta nem mesmo se refere à mudanças culturais, que são naturais ocorrerem de uma geração para outra.

Temos consciência de que o verdadeiro homem de Deus da atualidade continua com a missão de interpretar a Revelação de Ontem para os crentes de Hoje. Esse é o ofício do profeta.

Mas as mudanças ocorridas são mesmo de natureza ética e moral.

O que vemos, em nossos dias? Por um lado, líderes que transformaram suas denominações numa espécie de "papado" eclesial evangélico e em "dinastias" onde se passa o "bastão" de pai para filho; que utilizam o voto de seus rebanhos como "moeda eleitoral" e que, dessa forma, vão se perenizando no poder.

Por outro lado, líderes que preferem mercadejar a Palavra, pregar um "Deus" que aceita barganhas, que concede "bênçãos de prosperidade e riquezas" a quem ofertar "sacrifícios" em dinheiro; que "faz diferença" entre o filho que "entrega" seus valores"pela fé" e aquele que nada tem a entregar.

A IDENTIFICAÇÃO COM A "PERSONA"

"Persona" é uma palavra latina, cujo significado é "máscara" (daí a palavra "personagem"), utilizada tanto pela linguagem teatral, como pela psicologia.

Em outras palavras, "persona" designa o papel desempenhado pela pessoa; ou no palco de um teatro, ou no teatro da vida.

Psicologicamente falando, é até saudável que a pessoa utilize sua "persona" para relacionar-se melhor com seus semelhantes no campo profissional ou mesmo afetivo.

O que, absolutamente, não é saudável (pelo contrário, passa a ser uma doença) é quando a pessoa passa a não perceber mais a diferença entre as duas coisas, identificando-se com sua persona.

Nesse ponto, ela literalmente se perde, pois não sabe mais identificar e diferenciar o "seu papel" e o seu "si mesmo".

Essa é a diferença, então, entre os líderes evangélicos de ontem e alguns dos líderes evangélicos de hoje.

Os "de ontem" sabiam perfeitamente que, embora o seu papel fosse o de grandes ganhadores de almas e pregadores de multidões, pessoalmente eram homens simples, falhos e despojados, completamente dependentes da graça de Deus, para o cumprimento de sua missão.

Os de hoje, infelizmente, "se perderam", identificando-se com os seus papéis. Por causa disso,trocaram a graça e o poder de Deus, pelo fascínio do poder humano.

Em meio a isso tudo resta-nos, como uma janela de esperança que se abre, a constatação de que, para a glória de Deus e para a dignificação de seu Reino, o fato real e, realmente, encorajador, de que alguns líderes não se deixaram envolver por essa estranha "identificação".

Ao contrário, a despeito de seus carismas e do prestígio que alcançaram em meio a seus rebanhos; preferiram o caminho mais difícil, fazendo uma outra identificação: a identificação com os sofrimentos e com a simplicidade de Cristo, manifestados através do amor e do cuidado para com a suas ovelhas.

São, para a nossa alegria e fortalecimento de nossa fé, as "vozes solitárias" que ainda clamam no deserto.

Soli Deo Gloria

Tony Ayres