Prezada “X”
Se você está casada há 30 anos, imaginando que tenha se casado com uns vinte, deve estar agora com a idade ao redor dos 50 anos.
Nessa altura da vida, todos os casais já viveram conflitos e problemas suficientes para que cada parceiro conheça o outro também suficientemente bem e, portanto, têm noção sobre o que vale ou não a pena, em termos de relacionamento.
Espero que, com a sua idade, você seja madura o bastante para ter consciência de todas as implicações que uma tomada de decisão acarretará, seja ela em que direção for.
É preciso também que se lembre de que, quando se escolhe alguém para com ele partilhar a vida, você está adquirindo o "pacote inteiro". Com isso, quero dizer que você já deve ter compreendido que assumiu um compromisso não apenas com a parte virtuosa de seu esposo, mas com a parte de defeitos também.
Compreendo o seu mal estar pela personalidade inquieta dele. Talvez, um dia você tenha sonhado com alguém que lhe desse tranqüilidade, paz e segurança, mas, as nossas escolhas nem sempre (ou quase nunca) revelam-se tão gratificantes como as idealizamos.
Você se confessa cristã e seu marido também. Mas, o fato de sermos cristãos não significa que sejamos melhores ou piores do que outras pessoas, em termos de relacionamento.
Todos nós precisamos despender um certo esforço e sermos menos egoístas para que consigamos conviver em harmonia com quem escolhemos como parceiro. Isso não é fácil, mas é necessário para tornar a existência mais amena e menos dura.
Agora, como disse anteriormente, você deve ter consciência das implicações de suas decisões.
Em outras palavras, creio que deve refletir bastante no que irá fazer. Veja bem, você e seu esposo já partilharam não apenas sonhos (que incluíram, inclusive a adoção de um filho). Com certeza, tiveram momentos felizes também. Construíram um relacionamento que já dura 30 anos e isso não é pouca coisa.
Todavia, a despeito de tudo isso, pode ser que você realmente tenha certeza de que não o ama mais e que não valeria a pena continuar nesse casamento. Neste caso, então, pergunte-se a si mesma: O que faria, voltando a ficar solteira com a sua idade?
Valeria isso a pena? Teria a chance de reconstruir sua vida com outro parceiro mais confiável? Teria condições de se sustentar física e emocionalmente? Teria estrutura suficiente para começar tudo do zero?
Se puder responder "sim" a todas essas perguntas; então creio que vale a pena pensar nessa possibilidade. Afinal, não se pode viver acorrentado a uma união apenas de aparências, pois isso seria muito infeliz.
Todavia, se tiver dúvidas quanto as perguntas, creio que é possível dar uma chance a seu casamento, pois, apesar de você dizer que falta diálogo nele; o próprio fato de seu marido reconhecer que não sabe dialogar já demonstra que ele admite esse diálogo.
Como vê, eu apenas posso ajudá-la, chamando a sua atenção para alguns pontos.
A decisão final será sua, pois, ninguém pode decidir nada por outrem.
Espero que reflita, que deixe a graça de Deus arejar seus pensamentos, que perceba que sempre é tempo para mudanças e que a esperança é uma parceira muito íntima da fé.
Seja o que for o que decidir, espero que o faça com os pés no chão e que acredite que, com a ajuda de Deus, ser feliz não é, absolutamente, impossível.
N'Ele, em quem reside toda a esperança.
Antônio Ayres
(Tony)
O Blog O PSICANALISTA E A RELIGIÃO é o novo nome deste site, que tratará, a partir deste mês (fevereiro de 2017) de assuntos relacionados ao assim denominado "CONFLITO RELIGIOSO", visto ser este fenômeno, crescentemente preponderante, como um transtorno, entre pessoas religiosas, em especial, as cristãs.
Mostrando postagens com marcador divórcio cristão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador divórcio cristão. Mostrar todas as postagens
08 março, 2013
01 outubro, 2010
O cristão pode se divorciar? (republicação)
Isso porque muitos cristãos sinceros, infelizmente ainda não obtiveram o conhecimento bíblico correto sobre o assunto e, por causa disso, são reticentes na sua relação com irmãos divorciados.
Esse post tem como objetivo lançar alguma luz sobre a questão. Primeiramente, é preciso que nos lembremos de que "... a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo" (Jo. 1.17).
A primeira pergunta que devemos nos fazer, portanto, é se os que vivem tragédias matrimoniais como o divórcio, por exemplo, também são dignos dessa "graça" e dessa "verdade" trazidas por Jesus. Creio que uma consciência cristã experiente tem a resposta certa para ela.
Um outro ponto importante é dizer que a Bíblia fala apenas de um divórcio, no texto de Jeremias 3:8, que diz o seguinte: "E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu".
Nesse texto, Deus está advertindo a Judá de que está procurando problemas. Ele, então, instruiu a Jeremias para que alertasse a Judá de que ela havia sido testemunha da infidelidade de sua irmã Israel, e que Ele a havia mandado embora e lhe dado carta de divórcio. Assim mesmo, Judá não se arrependeu (Jr. 3.6-8).
POR QUE A FALTA DE COMPREENSÃO SOBRE O DIVÓRCIO?
Quando Jesus foi questionado pelos fariseus, no evangelho segundo Marcos, "se é lícito ao marido repudiar sua mulher" ele respondeu, fazendo outra pergunta: "Que vos ordenou Moisés?"
A resposta deles foi: "Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar" (Mc. 10.2-4).
Essa resposta dada pelos fariseus se refere à lei à qual o historiador Josefo, que viveu um pouco depois da época de Jesus, chama de "a lei dos judeus", e se encontra em Deuteronômio 24.1-4.
Esta é a lei de que trata Deuteronômio: "Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável a seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem..." (Dt. 24.1-2).
Isso estava vigente na época de Jesus, mas a situação em que os homens judeus viviam era bem diferente, pois eles, na realidade, não a praticavam, e tomavam outras esposas, sem se incomodar em pensar em divórcio.
Ora se não se divorciava, o que fazia, então, um homem daquela época com a primeira esposa, quando tomava outra?
Simplesmente, punha-a de lado, não lhe dando documento algum. Assim, caso se arrependesse, tinha a esposa anterior sempre à sua disposição! Isso era uma crueldade para com as mulheres, contra a qual Jesus se insurgiu.
A palavra hebraica, usada no Antigo Testamento, para descrever esse "pôr de lado" ao qual nos referimos é shalach, diferente da palavra que significa divórcio (como utilizada em Jeremias 3.8) que é keriythuwth que, literalmente significa excisão ou corte do vínculo matrimonial.
Ora, shalach normalmente é traduzido por "repudiar". Então, as mulheres que eram "colocadas de lado" por seus maridos, sem carta de divórcio como mandava a lei, eram "repudiadas" e era contra essa espécie de repúdio que Jesus se opôs.
Quando, em Lucas 16.18 ele diz: "Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e quem casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério", ele está se revoltando contra uma prática cruel e injusta, porém não está se referindo ao divórcio.
Na verdade, no Novo Testamento, a palavra grega utilizada para "repúdio" vem do verbo apoluo, e é equivalente à palavra hebraica shalach ("deixar" ou "repudiar"). Já a palavra hebraica utilizada para "divórcio" é keriythuwth, cujo equivalente no grego (língua na qual foi escrito o Novo Testamento) é apostasion.
Resumindo, para ficar mais claro: shalach, no hebraico, corresponde a apoluo, no grego e significa "repúdio", em português. Keriythuwth, no hebraico, corresponde à palavra grega apostasion e significa "divórcio", de fato, em português. A não compreensão dessa diferença é que provoca tanta confusão e tanta incompreensão em nossos dias!
QUE PALAVRAS JESUS SE UTILIZOU PARA TRATAR DO ASSUNTO?
As passagens bíblicas nas quais Jesus tratou deste assunto incluem Lucas 16.17-18; Mateus 19.9, Marcos 10.10-12 e Mateus 5.32. Nessas passagens, Jesus utilizou onze vezes a palavra apoluo, em uma de suas formas e, em todas essas ocasiões, o que ele proibiu foi o apoluo, ou seja, o repúdio. Ele jamais proibiu apostasion, a carta de divórcio exigida pela lei judaica!
Isto posto, devemos traduzir a palavra grega apoluo por divórcio? A tradução Revista e Corrigida de Almeida, que é a mais antiga em língua portuguesa sempre usou "deixar" e "repudiar". Do mesmo modo, emprega essas mesmas palavras a Revista e Atualizada.
E Por Que As Pessoas Passaram a Ler Diferente?
Essa é uma pergunta sobre a qual vale a pena discorrer um pouco, pois, no meio evangélico, principalmente, começou-se a ler: "aquele que divorciar sua mulher" nas passagens em que Jesus, com muita clareza, disse: "aquele que repudiar ou abandonar sua mulher"!
Ao que tudo indica, esse equívoco começou em 1611, quando a rei Tiago encomendou a versão mais antiga e, hoje em dia, mais popular da língua inglesa (a chamada King James Version). Nessa edição ocorreu um problema: em uma das onze vezes que Jesus usou o termo, os tradutores escreveram "divorciada", ao invés de "abandonada" ou "repudiada".
Isso aconteceu em Mateus 5.32, onde eles colocaram: "E aquele que se casar com a divorciada comete adultério", embora a palavra grega não seja apostasion, mas uma forma de apoluo - situação que não inclui carta de divórcio para a mulher, pois ela, tecnicamente permaneceria casada.
A versão Standard Americana corrigiu o erro em 1901, mas nunca chegou a ser tão popular como a King James Version. Na verdade, tudo o que foi impresso depois (incluindo os léxicos gregos e americanos) foi influenciado por essa ocorrência. De onde resulta o fato incontestável de que a tradição nos ensinou a ter em mente "divórcio", mesmo quando lemos "repúdio".
CONCLUSÃO
Tudo o que tivemos a oportunidade de examinar, através deste post, não pode e nem teve a pretensão de defender a prática do divórcio. Biblicamente falando, todos sabemos que o matrimônio foi planejado para durar a vida toda.
Portanto o divórcio é um privilégio, no sentido de servir como um corretivo apenas para situações intoleráveis.
Mesmo assim, não deixa de ser uma tragédia: sentimento de culpa, perda da auto-estima, um agudo senso de ter falhado, solidão, rejeição, críticas dos familiares e dos irmãos em Cristo, problemas na educação dos filhos e uma série de outras graves conseqüências são os resultados concretos que afligem os divorciados.
No entanto, a graça de Cristo é abundante para eles também. Jesus sempre se identificou com os que sofrem e com os que, reconhecendo o seu pecado, confessam-no e o deixam. A igreja foi planejada para ser uma comunidade terapêutica, que cura as feridas; não que as fazem doer mais.
Portanto, nosso desejo sincero é que deixemos de ser juízes, pois não foi para isso que Cristo nos chamou. E que tenhamos mais amor, mais compreensão e mais empatia por esses nossos queridos irmãos divorciados. Por eles também Jesus derramou seu precioso sangue purificador!
Tony Ayres
--------------------------------------------------------------------------------
BIBLIOGRAFIA:
Este artigo está baseado no apêndice O divórcio, a lei e Jesus, incluso in:
CARVALHO, Esly Regina, Quando o vínculo se rompe, ed. Ultimato, 2001
--------------------------------------------------------------------------------
BIBLIOGRAFIA:
Este artigo está baseado no apêndice O divórcio, a lei e Jesus, incluso in:
CARVALHO, Esly Regina, Quando o vínculo se rompe, ed. Ultimato, 2001
Marcadores:
carta de divórcio,
divórcio,
divórcio cristão,
repúdio
Assinar:
Postagens (Atom)
