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04 janeiro, 2011

O Setting Analítico

Uma das preocupações mais encontradas nos terapeutas que iniciam a carreira é com o chamado "setting analítico" que, em última instância abrange desde a secretária e o telefone até a disposição do consultório (com divã e poltrona, sem divã e com poltrona, com mesa, sem mesa, etc).

Não diríamos que tal preocupação seja infundada, mas, sem dúvida, é superdimensionada.

Por que dizemos isso?

Porque uma tal preocupação pode chamar a atenção do analisando para aquilo que realmente não é importante, acabando por induzir a transferências negativas absolutamente desnecessárias, ainda no começo da análise.

Na verdade, o setting analítico, para ser bom, precisa ser como um juiz de futebol: quanto menos aparecer, melhor. Se passar despercebido, ótimo.

O consultório, setting analítico, local da análise deve isolar o mundo de fora para ser bom; mas não deve confinar o mundo de dentro como um mosteiro, já que as vivências dentro dele deverão repercutir fora dele.

Dentro dessa ótica, o setting deverá ser apenas um local propício para servir como campo analítico dentro do qual ocorre o entrejogo de ações, sentimentos e representações que façam fluir a análise; não dificultá-la.

O que vale mesmo é a sintonia dos inconscientes do analista e do analisando, sem interferências do setting.

Daí a razão de não se superdimensionar a sua importância.

Tony Ayres