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19 agosto, 2009

Angústias de Um Pastor de Almas

42-17731548 Houve um tempo em minha vida, em que, por curto espaço de tempo, residi na cidade de Curitiba, capital do Paraná, ocasião em que tive a oportunidade de lá fazer alguns amigos queridos.

Numa das visitas que fiz, posteriormente, àquela cidade, conversando com um desses amigos, então proprietário de uma loja de automóveis, disse-me ele que os bancos da cidade não faziam mais financiamentos para "pastores", tal o índice de inadimplência que esses "profissionais" tinham na praça.

Logo entendi que tal restrição não se devia aos pastores, de fato, mas aos lobos que se apresentam como pastores, conforme Lucas, 7.14: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores".

Hoje, todos nós podemos assistir na TV, homens que se denominam porta-vozes da Palavra, mas que, na verdade,estão vendendo "produtos" e "promessas", enriquecendo-se e construindo impérios, onde os "senhores" serão eles mesmos, e não o Senhor, a quem dizem pregar.

Embora comportamentos como esses produzam tristeza e repugnância a todos aqueles que conhecem e desejam seguir a Jesus como Senhor; não lhes rouba a fé, porque sabem que, pela graça de Deus, ainda existem muitos homens verdadeiramente chamados e vocacionados por Deus, que não comungam com tais procedimentos.

São os verdadeiros pastores de almas, que conhecem o cheiro das ovelhas, suas angústias, suas dores e suas aflições; que aprenderam que o evangelho de Jesus não é um mero "facilitador da vida" nem tampouco um salvo-conduto para uma existência recheada de benesses.

Esses homens têm, por vezes, o coração rasgado e a alma dilacerada pelo sofrimento por amor à causa de Cristo e de seu Reino, razão pela qual não lhes falta também e consolo nas tribulações e a certeza de poderem dizer como Paulo: "Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus" (Gal. 6.17).

Tomo a liberdade de transcrever aqui, o testemunho de um desses homens de fé, cujas mensagens e ensinamentos têm sido, já por alguns anos, lenitivo e refrigério para a minha alma:

Oro a Deus para que as palavras que se seguem sejam devidamente entendidas e postas na condição do título da postagem, que é "Angústias de Um Pastor de Almas".

Tony Ayres

Meu novo cristianismo

Ricardo Gondim

Algumas pessoas me perguntam se sei aonde quero chegar. Respondo que estou mais certo dos caminhos que evito trilhar.
Recuso-me acalentar cinismos em meu coração; fujo de tornar-me inconseqüente em declarações que possa fazer a respeito de Deus e da fé; tenho medo de perpetuar uma espiritualidade desconectada da vida.

Reconheço que acalento algumas intuições ainda muito verdes. Mas elas já fazem algum sentido para mim.

1. Não consigo mais acreditar que Deus viva inativo e que só as preces oriundas de uma espiritualidade “verdadeira” consigam movê-lo.


2. Não consigo mais acreditar que Deus opere milagres, premiando uns poucos enquanto deixa “correrem frouxos”, os exércitos que matam, as multinacionais que lucram com remédios que poderiam salvar vidas e os governos corruptos que atolam os mais pobres numa abjeta miséria.

3. Não consigo mais acreditar que Deus, mantendo o controle absoluto de tudo o que acontece no universo, esteja envolvido com Auschwitz, Ruanda, Darfur, Iraque e com outras hecatombes humanas. Não aceito mais que ele, parecido com um tapeceiro, precise dar nós aparentemente malditos na história - que não entendemos - enquanto, do outro lado, faz tudo perfeito para conduzir a humanidade a seu glorioso fim. Qual o propósito de Deus ao “permitir” que uma menina fique paraplégica com uma bala perdida?


4. Não consigo mais acreditar que a função primordial da religião seja acessar o sobrenatural para tornar a vida mais leve. Os cristãos, em sua grande maioria, tentam fazer da religião um meio de controlar o futuro; praticam uma fé preventiva, pois aceitam como verdade que os verdadeiros adoradores conseguem se antecipar aos percalços da vida; afirmam que os ungidos sabem prever e anular possíveis acidentes, doenças, ou quaisquer outros problemas existenciais do futuro.


5. Não consigo mais acreditar que o cosmo esteja sincronizado como um relógio e que não caiba qualquer aleatoriedade no universo. Creio que no meio do caminho entre o determinismo e a absoluta casualidade esteja o arbítrio humano, que somado às interpelações divinas, pode construir o futuro.

Em março de 2007, celebrei 25 anos como pastor da igreja Betesda. Sou seu líder desde que ela engatinhou em Fortaleza. Depois de tanto tempo, reconheço que assusto com minha teimosia de querer entender o que significa ser uma “metamorfose ambulante”.

Já vislumbro meu jubileu de ouro. Por isso, alimento meu coração de entusiasmo. Estou grávido de expectativas com minhas ressignificações da fé.

Soli Deo Gloria.

fonte: Site do Pr. Ricardo Gondim

03 julho, 2009

CARTA DE UMA MULHER ANGUSTIADA

Sad Woman's Face "Boa noite, Antônio!


Quando li este artigo em seu blog fiquei estarrecida, porque nesse texto vi a descrição do que tenho passado neste anos.

Tenho um relacionamento com uma pessoa desde os meus 15 anos de idade. Ele sempre foi muito gentil, me faz me sentir a pessoa mais importante desse mundo, nosso relacionamento sexual é muito bom.

No inicio foi uma paixão avassaladora, mas com o tempo ele queria mandar e se meter em tudo na minha vida, ele não deixava eu respirar, me fez entrar numa faculdade que não queria.

Me fez largar um emprego que gostava, pois falou tanto na minha cabeça: que vivia com uma cara de cansada, que eu estava muito agitada e que deveria deixar esse emprego.

Me fazia tantas perguntas, indagações e falava tanto, que eu ficava sem saber para onde ir, e diante de tantos argumentos eu cedia aos seus desejos, pois sou muito insegura.

Já tentei terminar algumas vezes, mas ele me convencia de que estava sendo insensata e louca, que não tinha motivos para terminar o relacionamento.

Diante de tantos argumentos como sempre acabava me sentindo culpada e mal por querer terminar o relacionamento,  sempre tomava a decisão errada, tudo sempre era minha culpa, eu nunca estava certa de alguma coisa eu sempre estava errada.

Ele sempre estava na minha frente para decidir qualquer coisa, comecei  a fazer faculdade que ele queria, era a profissão que traria o melhor rendimento financeiro pra mim,  faria um concurso público e então ganharia um excelente salário e seria independente. Mas era tanta pressão em cima de mim que comecei a definhar não conseguia estudar.

Fui muito mal na faculdade e nos concursos, aí depois de quase 10 anos insistindo numa profissão, decidi mudar, surgiu uma oportunidade de fazer outro curso, mas me pego muitas vezes pensando se esta decisão é a certa.

Às vezes quando chego em casa feliz e quero compartilhar algo ele nunca está disposto a ouvir.

Está com dor de cabeça, diz que sou sem noção, às vezes acho que estou ficando doida, essa e a sensação que tenho hoje, eu já não sei o que e certo ou errado.

O que me atrai nele é que ele me traz segurança, ele é super-inteligente, porém vigia meus passos. Se não consegue falar ao celular comigo, já fica desesperado.

Ele era de família rica e eu de família pobre, eu fazia tudo que pedia como se fosse uma ordem. Ele nunca me escuta, nunca tem tempo para mim sempre tem uma desculpa, e inverte a situação como se eu fosse sem noção.

Sempre falo as coisas em hora errada e se irrita feio comigo. Hoje acabou de acontecer mais uma vez isso, meu emocional está muito abalado, tenho nesses dias, dando uma volta ao passado e tenho pensado no que fiz com minha vida.

Por que pude ser tão omissa , diante de tantas decisões da minha vida, talvez para que se desse errado eu não me culparia e sim outra pessoa.

Eu não confio em mim; me desculpe por escrever tanto , mas isso é um desabafo de tantos anos.

Diante de tudo que li, acho que convivo com uma pessoa assim, me ajude por favor, porque já comecei achar que sou louca. 

Não sei, me encontro perdida... querendo me encontrar.

Obrigada!"

RESPOSTA

Cara amiga:


Evidentemente, como uma pessoa que nem a conhece (e mesmo que  a conhecesse) não posso tomar decisões por você. No entanto, lendo o seu e-mail, gostaria que você refletisse sobre o que direi a seguir:


1. Um relacionamento somente é lagrimaagradável e nutritivo quando é bom para ambos os parceiros. O próprio nome "parceiros" já traduz essa idéia. É preciso haver equilíbrio na balança que mede defeitos e qualidades. É preciso também que o peso das decisões do casal seja justo. Ou seja, os dois devem ter os mesmos direitos e as mesmas responsabilidades. Não me parece ser, absolutamente, esse, o seu caso.


2. A pessoa que realmente ama, não explora a outra, física, moral ou emocionalmente. Ao contrário, procura cuidar dela e se preocupa com o seu bem- estar. A relação somente pode ser boa quando o jogo é "ganha-ganha" (os dois parceiros ganham) ; e não quendo for do tipo "ganha-perde (um deles sempre ganha e o outro sempre perde).


3. A própria idéia de amor pressupõe respeito à individualidade do outro. Você é um pessoa; não um robô teleguiado. Nenhum ser humano tem o direito de impingir ao outro as suas próprias vontades.


4. Quando o relacionamento de vocês começou, você era muito jovem (tinha apenas 15 anos). Agora, porém, parece-me uma mulher adulta, que já percebeu o que a sua alma almeja. Portanto, leve isso em consideração.


5. Você diz que o relacionamento sexual entre vocês é muito bom. Porém, nenhum relacionamento duradouro pode estribar-se apenas na sexualidade. A vida harmoniosa de um casal precisa ser muito mais do que sexo, apenas.


CONCLUSÃO:


Domestic woes ILLUS.jpg Por tudo o que me disse, parece-me que você tem sido prejudicada em todos os cinco itens que coloquei acima. Isso minou a sua auto-estima, que precisa ser, obviamente, reconquistada.

No entanto, dizer que que seu companheiro não a ama (e que, portanto, você deve deixá-lo, imediatamente) seria precipitação de minha parte, mesmo porque já lhe falei, no início, que não decidiria por você.


O que posso lhe dizer é que, quando, em qualquer tipo de relacionamento, existe um "opressor" e um "oprimido", esse círculo vicioso só pode ser quebrado pelo "oprimido", que no caso, é, realmente, você.

Penso que você deveria ter uma conversa adulta e muito séria com seu companheiro, a fim de estabelecer os seus limites e exigir que eles sejam respeitados.


Ao contrário do que geralmente se pensa, um homem respeita muito mais uma mulher que toma decisões e sabe cuidar de seus direitos e de sua individualidade; do que aquela "boazinha em tudo", a quem, consciente ou inconscientemente, ele terá a tendência de fazer de "gato e sapato".


Se ele concordar com as "novas regras", creio que tudo pode mudar para melhor, pois, a despeito das inseguranças dele, é possível que realmente ele ame você. Além disso, vocês já têm investido muito nesse relacionamento e pode valer a pena levá-lo adiante, sob novas condições.


Entretanto, se ele não concordar com a mudança; em minha opinião, você estará livre para tomar a decisão que achar melhor.
Você e somente você, consultando o seu coração, pode, soberanamente decidir o que é melhor para a sua vida.
Espero que saiba decidir corretamente.


Cordialmente,


Tony

31 dezembro, 2008

EXPLICANDO A ANGÚSTIA ATRAVÉS DA PSICANÁLISE

noescuro Todos nós já experimentamos em nossa vida, em alguma ou diversas ocasiões, a dolorosa sensação de angústia; que nos apavora e amedronta.

Mas o que vem a ser a angústia, afinal?

Para Freud, o criador da psicanálise, a angústia é um estado afetivo, próprio da condição humana. Esse estado resulta de uma consciência que temos de um estado de desamparo a que estamos submetidos.

Esse estado de desamparo provoca em cada um de nós tensões muito dolorosas e intensas, as quais, em sua fase mais primitiva, constituem a raiz dos diferentes afetos e, particularmente, da angústia propriamente dita.

Segundo Freud, a manifestação mais primitiva do sentimento de angústia é a chamada angústia do nascimento, provocada pela separação e expulsão do novo ser do corpo de sua mãe.

Ele distingue com clareza dois tipos de angústia, assim descritos:

1. Angústia Real: é a reação à percepção de um perigo externo, ou seja, um dano previsto e esperado, uma atitude ligada ao reflexo de fuga. Pode ser, portanto, positiva.

2. Angústia Neurótica: é aquela que tem um caráter "flutuante", pois não se liga a nenhuma realidade concreta. A pessoa espera atentamente o aparecimento de qualquer situação que possa justificar tal angústia.

Como consequência, a angústia deixa de ser um sinal adaptativo, um modo de reação (como a angústia real) e se transforma em algo patológico, que seria uma "angústia derivada", cuja origem estaria em impulsos sexuais reprimidos.

O papel da psicanálise seria trazer o conteúdo reprimido no inconsciente de volta ao consciente, fazendo com que a pessoa descubra por si mesma e assuma sem traumas, o que esse estado oculta, desenvolvendo, para isso, mecanismos normais de adaptação.

Toni Ayres