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01 outubro, 2010

O cristão pode se divorciar? (republicação)




Vivenciar o divórcio pode ser uma das experiências mais estressantes e dilacerantes da vida das pessoas. Vivênciá-lo dentro da igreja, no entanto, pode ser ainda pior.
Isso porque muitos cristãos sinceros, infelizmente ainda não obtiveram o conhecimento bíblico correto sobre o assunto e, por causa disso, são reticentes na sua relação com irmãos divorciados.

Esse post tem como objetivo lançar alguma luz sobre a questão. Primeiramente, é preciso que nos lembremos de que "... a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo" (Jo. 1.17).

A primeira pergunta que devemos nos fazer, portanto, é se os que vivem tragédias matrimoniais como o divórcio, por exemplo, também são dignos dessa "graça" e dessa "verdade" trazidas por Jesus. Creio que uma consciência cristã experiente tem a resposta certa para ela.

Um outro ponto importante é dizer que a Bíblia fala apenas de um divórcio, no texto de Jeremias 3:8, que diz o seguinte: "E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu".

Nesse texto, Deus está advertindo a Judá de que está procurando problemas. Ele, então, instruiu a Jeremias para que alertasse a Judá de que ela havia sido testemunha da infidelidade de sua irmã Israel, e que Ele a havia mandado embora e lhe dado carta de divórcio. Assim mesmo, Judá não se arrependeu (Jr. 3.6-8).

POR QUE A FALTA DE COMPREENSÃO SOBRE O DIVÓRCIO?

Quando Jesus foi questionado pelos fariseus, no evangelho segundo Marcos, "se é lícito ao marido repudiar sua mulher" ele respondeu, fazendo outra pergunta: "Que vos ordenou Moisés?"

A resposta deles foi: "Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar" (Mc. 10.2-4).
 

Essa resposta dada pelos fariseus se refere à lei à qual o historiador Josefo, que viveu um pouco depois da época de Jesus, chama de "a lei dos judeus", e se encontra em Deuteronômio 24.1-4.

Esta é a lei de que trata Deuteronômio: "Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável a seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem..." (Dt. 24.1-2).

Isso estava vigente na época de Jesus, mas a situação em que os homens judeus viviam era bem diferente, pois eles, na realidade, não a praticavam, e tomavam outras esposas, sem se incomodar em pensar em divórcio.

Ora se não se divorciava, o que fazia, então, um homem daquela época com a primeira esposa, quando tomava outra? 

Simplesmente, punha-a de lado, não lhe dando documento algum. Assim, caso se arrependesse, tinha a esposa anterior sempre à sua disposição! Isso era uma crueldade para com as mulheres, contra a qual Jesus se insurgiu.

A palavra hebraica, usada no Antigo Testamento, para descrever esse "pôr de lado" ao qual nos referimos é shalach, diferente da palavra que significa divórcio (como utilizada em Jeremias 3.8) que é keriythuwth que, literalmente significa excisão ou corte do vínculo matrimonial.

Ora, shalach normalmente é traduzido por "repudiar". Então, as mulheres que eram "colocadas de lado" por seus maridos, sem carta de divórcio como mandava a lei, eram "repudiadas" e era contra essa espécie de repúdio que Jesus se opôs.

Quando, em Lucas 16.18 ele diz: "Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e quem casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério", ele está se revoltando contra uma prática cruel e injusta, porém não está se referindo ao divórcio.

Na verdade, no Novo Testamento, a palavra grega utilizada para "repúdio" vem do verbo apoluo, e é equivalente à palavra hebraica shalach ("deixar" ou "repudiar"). Já a palavra hebraica utilizada para "divórcio" é keriythuwth, cujo equivalente no grego (língua na qual foi escrito o Novo Testamento) é apostasion.

Resumindo, para ficar mais claro: shalach, no hebraico, corresponde a apoluo, no grego e significa "repúdio", em português. Keriythuwth, no hebraico, corresponde à palavra grega apostasion e significa "divórcio", de fato, em português. A não compreensão dessa diferença é que provoca tanta confusão e tanta incompreensão em nossos dias!
QUE PALAVRAS JESUS SE UTILIZOU PARA TRATAR DO ASSUNTO?

As passagens bíblicas nas quais Jesus tratou deste assunto incluem Lucas 16.17-18; Mateus 19.9, Marcos 10.10-12 e Mateus 5.32. Nessas passagens, Jesus utilizou onze vezes a palavra apoluo, em uma de suas formas e, em todas essas ocasiões, o que ele proibiu foi o apoluo, ou seja, o repúdio. Ele jamais proibiu apostasion, a carta de divórcio exigida pela lei judaica!

Isto posto, devemos traduzir a palavra grega apoluo por divórcio? A tradução Revista e Corrigida de Almeida, que é a mais antiga em língua portuguesa sempre usou "deixar" e "repudiar". Do mesmo modo, emprega essas mesmas palavras a Revista e Atualizada. 

E Por Que As Pessoas Passaram a Ler Diferente?
Essa é uma pergunta sobre a qual vale a pena discorrer um pouco, pois, no meio evangélico, principalmente, começou-se a ler: "aquele que divorciar sua mulher" nas passagens em que Jesus, com muita clareza, disse: "aquele que repudiar ou abandonar sua mulher"!

Ao que tudo indica, esse equívoco começou em 1611, quando a rei Tiago encomendou a versão mais antiga e, hoje em dia, mais popular da língua inglesa (a chamada King James Version). Nessa edição ocorreu um problema: em uma das onze vezes que Jesus usou o termo, os tradutores escreveram "divorciada", ao invés de "abandonada" ou "repudiada".

Isso aconteceu em Mateus 5.32, onde eles colocaram: "E aquele que se casar com a divorciada comete adultério", embora a palavra grega não seja apostasion, mas uma forma de apoluo - situação que não inclui carta de divórcio para a mulher, pois ela, tecnicamente permaneceria casada.

A versão Standard Americana corrigiu o erro em 1901, mas nunca chegou a ser tão popular como a King James Version. Na verdade, tudo o que foi impresso depois (incluindo os léxicos gregos e americanos) foi influenciado por essa ocorrência. De onde resulta o fato incontestável de que a tradição nos ensinou a ter em mente "divórcio", mesmo quando lemos "repúdio". 

CONCLUSÃO
Tudo o que tivemos a oportunidade de examinar, através deste post, não pode e nem teve a pretensão de defender a prática do divórcio. Biblicamente falando, todos sabemos que o matrimônio foi planejado para durar a vida toda.

Portanto o divórcio é um privilégio, no sentido de servir como um corretivo apenas para situações intoleráveis. 

Mesmo assim, não deixa de ser uma tragédia: sentimento de culpa, perda da auto-estima, um agudo senso de ter falhado, solidão, rejeição, críticas dos familiares e dos irmãos em Cristo, problemas na educação dos filhos e uma série de outras graves conseqüências são os resultados concretos que afligem os divorciados.

No entanto, a graça de Cristo é abundante para eles também. Jesus sempre se identificou com os que sofrem e com os que, reconhecendo o seu pecado, confessam-no e o deixam. A igreja foi planejada para ser uma comunidade terapêutica, que cura as feridas; não que as fazem doer mais.

Portanto, nosso desejo sincero é que deixemos de ser juízes, pois não foi para isso que Cristo nos chamou. E que tenhamos mais amor, mais compreensão e mais empatia por esses nossos queridos irmãos divorciados. Por eles também Jesus derramou seu precioso sangue purificador!
Tony Ayres
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BIBLIOGRAFIA:
Este artigo está baseado no apêndice O divórcio, a lei e Jesus, incluso in:
CARVALHO, Esly Regina, Quando o vínculo se rompe, ed. Ultimato, 2001

05 fevereiro, 2010

Leitura Apenas Para Mulheres

“Estou com mais de trinta anos, já tive vários namorados e sempre comecei cada namoro esperançosa. Cheguei até a iniciar a construção de “nossa casa” com meu último ex-namorado, mas ele, assim como os outros, só aproveitou de mim. Estou decepcionada. Acho que não quero mais me casar” (Rosana, contabilista, 32 anos).

“Comecei a namorar aos 15 anos de idade. Namoramos oito anos, ficamos noivos e com data marcada para casar. Dias antes de nosso casamento, descobri que ele tinha outra. Estou arrasada e não confio mais nos homens.” (Helena, designer, 24 anos).

“Não faço mais orações. Apenas brigo com Deus. Namorei 4 anos a mesma pessoa, ajudei-a em seus projetos profissionais e afinal descobri que ele só se aproveitava de mim. Deixou-me por uma mulher mais nova, ameaçou-me e disse-me que apenas “aturou-me” esses 4 anos. Estou tomando antidepressivos e engordei muito. Estou desesperançada” (Regina, 38 anos, médica).

“Sou viúva e fiquei 12 anos sem ninguém. Após todo esse tempo, decidi que era hora de refazer minha vida ao lado de alguém. Entrei num site de relacionamentos na Internet e conheci o meu atual marido. Ele parecia muito bom, no começo. Tratava a mim e a minha filha muito bem. Mas essa situação durou menos de um ano. De repente, ele começou a beber e a bater em mim e em minha filha. Há alguns meses, foi embora de casa para morar com outra mulher. Não sei se rio ou se choro. Parece-me que a vida não tem sentido” (Elis, 47 anos, enfermeira).

Tenho 50 anos, cresci numa igreja evangélica muito rígida. Meu pai sempre foi muito exigente e nenhum de meus namorados servia para ele. Achava que eles não estavam “à minha altura”. Hoje já faz vários anos que meu pai morreu. Continuo solteira e virgem. Não sonho mais com a felicidade ao lado de alguém. Estou resignada. A vida não foi benevolente comigo” (Sandra, 50 anos, secretária).

Talvez a sua história seja parecida com a de uma dessas cinco mulheres. Talvez seja apenas levemente semelhante ou até completamente diferente. Mas, se você está lendo este post, sem dúvida é porque já vivenciou as mesmas decepções experimentadas por elas ou deseja se proteger do sofrimento amoroso, encontrando o parceiro ideal.

Não há dúvida de que poucas coisas nesta vida são capazes de trazer tanto sofrimento e desilusão como o trauma causado pela frustração com “aquela pessoa” que julgávamos especial, especialmente porque uma decepção amorosa produz feridas na área mais sensível do ser humano, que é a sua psiquê.

Afinal de contas, de que valem um bom trabalho, uma boa profissão, um ótimo salário, sucesso profissional e financeiro, aquisição de bens como casas e apartamentos...se não existir um parceiro amoroso para compartilhar?

Estas perguntas todas do parágrafo anterior têm, obviamente a sua razão de ser. Mas, alguns pontos devem ser ponderados, se você está mesmo disposta a ser feliz:

1. ENTENDA QUE TODO PRÍNCIPE SEMPRE TEM O SEU LADO SAPO

Muitas mulheres deixam de se casar porque imaginam que o "seu príncipe" será imutável. Isso é uma ilusão. As contingências inerentes da vida a dois, em muitos momentos serão motivos de discórdias e até de discussões.

É preciso ter maturidade para entender e vivenciar isso de uma forma inteligente. O importante é não deixar que ressentimentos corroam e destruam o relacionamento.

2. NÃO SEJA EXIGENTE DEMAIS

celine dion familyAlgumas mulheres, lá pela casa dos quarenta, lamentam estarem sozinhas, achando que "todos os homens são iguais" e que "não estão à altura". Muitas, com essas atitudes, perdem o bonde e a oportunidade de ser feliz.

O que, frequentemente acontece, nestes casos, é que elas são exigentes demais. Desdenham potenciais bons parceiros "porque são feios", "gordinhos", "carecas", "sem formação universitária", "inibidos demais", "sem estrutura financeira"; e uma série de outros argumentos semelhantes.

Seria prudente que se lembrassem de que a vida, nesta Terra, é uma só e de que "quem sempre quer escolher o ótimo acaba perdendo até o bom"

3. ELE É MUITO VELHO/NOVO PARA MIM

Sem dúvida, casar-se com uma pessoa com idade parelha seria o ideal. Mas isso não precisa ser, necessariamente, assim. Muitos casais, cujos parceiros sáo bem mais velhos ou bem mais novos são muito felizes assim.

A cantora canadense Celine Dion é um exemplo disso. Casou-se, ainda jovenzinha, com um homem muito mais velho do que ela e tornou-se conhecida, por nunca esconder da imprensa, o quanto sempre amou o marido.

4. RECONHEÇA QUE VIVER SOZINHA NÃO SIGNIFICA UMA TRAGÉDIA

Isso pode facilmente ser entendido através da leitura do post que antecede a este. Na verdade, importantes especialistas que entendem muito de relacionamento humano também pensam assim.

Um deles é o psicanalista Flávio Gikovate, para quem o viver só é também uma escolha e um estado honroso. A convivência com os amigos, filhos e outras pessoas a quem elegemos, pode ser tão ou mais gratificante do que viver na mesma casa com um parceiro que foi idealizado.

Sem dúvida, essa lista não é exaustiva. Ela correponde apenas a "um lembrete" para "despertar" algumas mulheres que não estão se sentindo felizes por estarem sozinhas. O mais valioso mesmo é detectar aquilo que realmente tem importância para um relacionamento feliz.

"Pegue mais leve" com você mesma e não deixe de ser feliz!

Homens bons existem e bons homens estão à procura de boas mulheres.

Tony Ayres

15 abril, 2009

CRISE NO CASAMENTO

Sei que, pelo menos para as pessoas que se consideram bem casadas, o título deste post pode parecer um tanadolescentesto exagerado, pois, afinal, nem todos os casamentos estão em crise.

Minha resposta a essas pessoas é que, de início, se nem todos os casamentos estão em crise, todos os casamentos, até mesmo entre os cristãos, passam por crises.

Entretanto, como este assunto é muito vasto, para ser discutido num simples post, quero concentrar-me aqui a um certo tipo de crise conjugal que a realidade tem ensinado ser muito freqüente e, por isso, a minha preocupação com ela.

Refiro-me aquele casamento que consiste na união de um homem e de uma mulher que se apaixonaram e se casaram muito jovens.

É muito comum uma relação de namoro ter começado ainda na adolescência, quando o rapaz tinha, digamos, 18 anos de idade; e a garota, 15.

Essa é uma fase na qual sobra amor romântico, mas falta experiência de vida. Esses dois fatores, combinados, por vezes precipitam, após dois ou três anos de namoro, um casamento que se concretiza cedo demais, na vida.

No exemplo em questão, o noivo teria 21 anos e a noiva apenas 18, uma época da vida em que: ainda não existe plena maturidade de ambos, falta experiência de namoro com outras pessoas e a questão de prosseguimento nos estudos ou na carreira torna-se secundária, mais difícil ou completamente esquecida.

Nesses casos, é também muito comum uma gravidez precoce, que acrescentará uma carga muito grande com todos os cuidados da maternidade/paternidade muito cedo, na vida.

E como "a vida trata a gente como a gente trata a vida"; ainda que exista muito amor, as demandas e responsabilidades que os cônjuges têm de assumir com o passar dos anos acaba levando a um desgaste natural na relação.

Ela pode se tornar morna, monótona, fastidiosa, na melhor das hipóteses; ou belicosa, repleta de discussões e carregada de mágoas, na pior delas.

O resultado costuma ser a inviabilização da relação e a separação, através do divórcio, uma década ou pouco mais, após o casamento.

Por que razão escrevo isso?

Em primeiro lugar, para alertar pessoas que vivenciam esta situação a procurarem um conselheiro matrimonial, pois, com boa vontade, o "primeiro amor" pode ser resgatado e, em assim sendo, o casamento não precisa terminar.

Com o amor renovado e a experiência de vida acumulada, o casamento pode, de fato, durar a vida inteira, com felicidade real.

Em segundo lugar, para alertar os jovens namorados e seus pais que, nos dias de hoje, principalmente, não é aconselhável um casamento antes dos 25-29 anos para a mulher; e antes dos 27-32 anos, para o homem.

Nessa faixa de idade, ambos terão mais experiência de vida, já deverão estar formados na carreira escolhida e terão maturidade muito maior para realizar escolhas.

Isso diminuirá significativamente a chance de um divórcio doloroso, no futuro.

Tony Ayres