“Um ato de bondade dura apenas um momento, mas o resultado pode ser eterno”. Essa foi a citação deixada em meu último post, pela amiga Márcia Correia, do Rio de Janeiro.
Esse pensamento transportou-me para o último capítulo de meu livro Prática Pedagógica Competente, no qual relato um acontecimento de minha infância, que mudou toda a minha vida.
Eu tinha cerca de treze anos de idade. Havia aceitado a Jesus, pouco mais de um ano antes. Cursava a, então, terceira série ginasial (atual sétima série do segundo grau). Tudo aconteceu, na aula de Português.
Naquela manhã, a professora leu-nos um texto muito tocante, do escritor português, Eça de Queiroz, cujo início eu ainda hoje me lembro:
"Entre Enganim e Cesaréia, num casebre desgarrado..." – e a narrativa prosseguia, contando a triste estória de um menino magérrimo, doente, jazendo num catre (cama tosca e muito simples), coberto por farrapos, cujo maior sonho, era receber um milagre de Jesus.
A professora pediu, em seguida, que escrevêssemos, com nossas próprias palavras, a estória lida por ela de uma maneira toda especial.
Lembro-me de ter ficado tão impactado pelo relato ouvido, que reescrevi o conto, mais com o coração, do que com a cognição.
A professora recolheu todos os trabalhos para correção. De repente, leu o meu nome em voz alta e pediu-me que ficasse em pé. Levei um susto,pois, além de não entender o porquê daquela ordem, era um garoto muito tímido.
Ela passou, então, a ler para a classe toda a produção que eu havia feito, tomando-a como exemplo. Disse-me que o meu texto, guardadas as devidas proporções, era digno de um Eça de Queiroz. Teceu muitos elogios à minha pessoa e disse-me que eu tinha todas as condições de me tornar um escritor.
Naquele momento, ali, dentro daquela sala de aula de uma humilde escola de interior, eu decidi que minha vida teria um destino. Haveria de, a despeito de todas as minhas limitações, fazer jus à profecia daquela mulher. E isso fez toda a diferença em minha vida de menino muito pobre.
Hoje, com cinco livros publicados (alguns dos quais atingiram sucessivas reedições) e com alguns projetos literários ainda em mente, agradeço a Deus, por ter estado presente naquela aula, há tantos anos.
No ano de 2007, quis o destino que eu marcasse uma consulta médica, na região da avenida Paulista, aqui em São Paulo. Para a minha surpresa, o médico que me atendeu foi um cirurgião, formado pela Universidade de Coimbra, em Portugal.
Contei-lhe o acontecimento de minha infância, narrado aqui, e recitei-lhe as palavras que havia conseguido guardar: "Entre Enganim e Cesaréia, num casebre desgarrado...".
Para meu espanto, ele prosseguiu daí em diante, recitando, de cabeça, o conto inteirinho! Era um admirador de Eça de Queiroz e informou-me que o nome do conto era:"Suave Milagre", que, inclusive, para quem quiser conhecer, encontra-se publicado na Internet.
Aquela professora nunca ficou sabendo, mas a sua atitude para comigo mudou o curso de minha vida. Por essa razão, finalizo este post, enfatizando mais uma vez, o pensamento a mim presenteado pela amiga carioca, Márcia:
"“Um ato de bondade dura apenas um momento, mas o resultado pode ser eterno”.
Reflita sobre isso!
Tony Ayres