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13 julho, 2010

Estou sofrendo de Síndrome de Pânico. Pode me ajudar?

depression-saidaonline “Estou passando por alguns incomodos...Sei que são problemas de ordem psicologico, tanto que sei que preciso de ajuda. Os médicos dizem que pode ser Sindrome do Panico, ou Ansiedade...Sinto muitos sintomas e eles nunca aparecem nos exames.

Estou sofrendo demais com isso, pois estou deixando de fazer muitas coisas, e um medo enorme me consome, de nunca conseguir realizar nada que gostaria. Sabe que até os meus blogs não estou conseguindo mexer e atualizar direito...Fora as obras da igreja, que tanto amo, estou me sentindo incapacitada de tudo...
Gostaria de saber um pouco sobre a terapia. O tempo de duração em média, de um tratamento?

Hoje algumas pessoas da igreja estiveram em casa para orar por mim, e o pastor me revelou que estou com medo, e que isso que está me atrapalhando, isso, é bem verdade!...Sei que a oração é importante, mas na sua opinião, eu preciso procurar ajuda psicológica?

Tive uma época que uma neurologista me receitou Amitriptilina, e eu tomei, e por meses me senti bem melhor, mas depois de uns meses, que parei de tomar, estou sentindo tudo novamente, e parece que está pior.

Gostaria de saber sua opinião. Li um texto seu aqui, que diz que uma coisa é a parte espiritual, e outra é a parte psicológica. Que estados de depressão por exemplo, está até catalogado em situação médica. E que nós cristãos temos que saber discernir sobre isso.

Entendi, que no meu caso, mesmo estando na igreja, orando, perseverando, ainda assim sinto esses problemas, e de 2 meses pra cá, já não estou suportando a mim mesma. E fora que minha família está ficando preocupada.

Preciso viver, preciso trabalhar, e fazer a obra, e esse medo está me atrapalhando.

Grande Abraço!

E que a Paz de Cristo esteja contigo!”

“Y”

RESPOSTA

Querida “Y”

Você me pede para que eu lhe fale sobre terapia e sua duração. Bem, a psicoterapia pode durar apenas alguns meses até alguns anos, dependendo do problema; do profissional em questão e da linha que adota (psicanalítica, junguiana, cognitico-comportamental, etc). No entanto, no seu caso, parece-me que não seja uma questão de psicoterapia, pelo menos, a princípio.

Quero lhe dizer que a síndrome do pânico e a fobia que você sente são comorbidades ("doenças da mesma família") da depressão, tanto que o remédio que você tomou, a amitriptilina, é um antidepressivo.

Portanto, o que você precisa fazer, neste momento, não é procurar um psicólogo ou mesmo um neurologista, como você já fez. O médico indicado para você é  o psiquiatra,

A depressão ( com ou sem síndrome de pânico, fobia social, etc) é uma doença e precisa de tratamento medicamentoso para eliminar os sintomas, Eventualmente, você até pode fazer uma psicoterapia depois.

Peço-lhe que marque uma consulta com um psiquiatra com urgência. Provavelmente, ele lhe receitará um antidepressivo mais moderno do que a amitriptilina associado a um ansilítico. Isso, com certeza, fará com que os seus sintomas desapareçam e você volte a ter uma vida normal e alegre. Mas é preciso tomar o remédio continuamente e não "´por um tempo" apenas.

Eu sei que o transtorno de pânico traz muito sofrimento, mas o tratamento é eficaz e, realmente, devolve a você a alegria de viver. E isso nada tem a ver com a sua vida espiritual.

Portanto, vá ao psiquiatra, tome a medicação que ele lhe prescrever e louve a Deus por existir um tratamento medicamentoso que lhe fará bem.
Espero ter ajudado!

Um abraço.

Antônio

18 novembro, 2009

POSSESSÃO OU DOENÇA EMOCIONAL?

Checkup-OCD-Obsessive-Compulsive-Disorder_full_article_vertical Algumas confusões podem ser feitas por pessoas cristãs sinceras, quando se deparam com aquilo que comumente é conhecido como “manifestações espirituais”, obviamente, quando se referem a fenômenos negativos, que infligem sofrimento à pessoa.

Este post tem como objetivo lançar, despretensiosamente, alguma luz sobre a questão.

Em primeiro lugar, convém deixar claro que não é um procedimento correto “demonizar” todo e qualquer fenômeno psíquico-emocional, deixando o diabo com as costas mais largas do que, realmente, ele tem.

Por outro lado, embora o pensamento de muitos, a respeito do assunto ainda permaneça no estágio medieval; é igualmente insensato afirmar que o diabo não existe e que não exerce a sua ação sobre os seres humanos.

É preciso ter discernimento, vida espiritual sadia, conhecimento bíblico e um mínimo de informações psicológicas para não se cometer erros, às vezes traumáticos, nesta área tão delicada.

O QUE É NECESSÁRIO SABER?

Antes de mais nada, ter consciência de que existem questões psico-afetivas-emocionais que, às vezes se manifestam sob a forma de variados sintomas, que envolvem distúrbios de humor, distúrbios de caráter, transtornos dissociativos, transtornos de ansiedade, entre muitos outros; que embora, para os menos informados, pareçam “obras do diabo”, são, na realidade doenças de fato, que sofrem dramãticas remissões, com a administração do medicamento adequado.

Um exemplo claro disso é o TOC (Transtorno Obssessivo-Compulsivo), quadro em que uma pessoa, por exemplo, precisa dar três voltas no quarteirão, antes de estacionar o carro; verificar 15 vezes se desligou o gás ou fechou a porta à chave, antes de dormir; lavar as mãos incontáveis vezes por dia, etc.

Embora tudo isso possa parecer “diabólico”, configura um quadro patológico, catalogado no CID-10. Mesmo que a terapia ajude, essa patologia só sofre remissão quando a pessoa é corretamente diagnosticada por um professional competente e medicada.

Em segundo lugar, ter conhecimento de que outros distúrbio menos graves, como o rebaixamento temporário da auto-estima, por exemplo, ou um estresse pós-traumático (estresse provocado po traumas como a perda de um namorado, a perda do emprego, a ameaça de um abuso, entre outros) pode ser solucionado simplesmente pelo tratamento psicoterápico, não havendo a necessidade da prescrição de medicamentos.

E, finalmente, ter absoluta certeza de que as manifestações diabólicas ou “possessões’ existem, estão relatadas nos evangelhos e escravizam pessoas. Para essas, não existem benzodiazepínicos ou antidepressivos que funcionem. Somente a libertação, através do poder do sangue e do nome de Jesus.

E POR QUE FAZER ESSAS DISTINÇÕES?

Exatamente para não se cometer injustiças e não se magoar pessoas, desnecessariamente. Eu mesmo já tive de ajudar pessoas profundamente feridas e ressentidas porque, ao procurarem a ajuda de um pastor, foram tratadas como endemoninhadas, sem o menor critério de avaliação.

Pessoas assim, frequentemente relatam episódios de levarem “pancadas de bíblias” na cabeça, ouvirem gritos histéricos de exorcismos nos ouvidos, terem tido nenhuma consideração pelo ser humano que são e um profundo abalo em sua auto-estima.

CONCLUSÃO

Tendo em vista o que foi considerado nas linhas acima, concluímos que, mais do que nunca, na História da Igreja, os pastores de hoje têm que ter muito mais do que conhecimentos teológicos, para pastorearem seus rebanhos.

Devem ter um profundo conhecimento bíblico e um mínimo de conhecimentos de psicologia e de relações humanas.

Tony Ayres