Passada a Copa do Mundo, os brasileiros voltam-se, agora, para as eleições. Os dois candidatos com mais chances de serem eleitos já foram multados diversas vezes por propaganda política antecipada. Quando se iniciar o prazo legal, teremos outra vez, um mar de propaganda tentando, ad nausaum, conquistar o eleitorado com divulgação de pavimentações de estradas, construções de hospitais, inaugurações de conjuntos habitacionais, suposstas melhorias nos setores de saúde, educação, transportes e por aí o um corolário de feitos.
Ninguém menciona o número de velhinhos que morrem nas filas do INSS, a terrível falta de médicos e de estrutura nos hospitais públicos, a imensa dificuldade em se marcar uma consulta com um especialista, a escola pública sucateada e com professores adoecendo por estresse e excesso de trabalho, as cidades e estradas destruídas por inundações e centenas de outras barbáries semelhantes.
O que dizer dos pobres aposentados e de todos os que ainda irão se aposentar? (todo mundo!). O governo foi mudando as leis e o que que temos agora? Aposentadoria com 35 anos de contribuição e idade mínima de 65 anos, se homem; e de 30 anos de contribuição, 60 anos de idade, se mulher. E ainda dizem que vai piorar!
O fato é que muitas pessoas que estão chegando agora à época da aposentadoria já cumpriram uma carga de 45, 47 e até 50 anos de trabalho!
Ou seja, retrocedemos para um estado pior do que o século dezenove. A época da escravisão.
Em 1884 foi apresentada à Assembléia Nacional a proposta da chamada Lei do Sexagenário. A pressão dos senhores de escravos foi tão grande que tal lei só foi aprovada em 28 de setembro de 1885, depois de ser mudada: o escravo somente podia ser liberto aos 65 anos, exatamente como agora.
As alegações do governo atual são de que o déficit da Previdência é muito grande e que não existe dinheiro para mudar essa situação. Ora, todos sabemos que isso é um embuste. E o dinheiro do saldo da balança de pagamentos? E o dinheiro dos impostos que pagamos? E o dinheiro que paga os salários milionários dos políticos corruptos por esse Brasil afora?. E as gigantescas descobertas de jazidas de petróleo nas camadas do pré-sal? E o dinheiro que engorda, vergonhosamente, os bancos e os banqueiros?
Dinheiro existe. Basta apenas coragem política para uma realocação de verbas decente.
Isso exige, porém, valorizar as pessoas mais do que as coisas. Pessoas são mais importante que coisas.
No tempo em que a Lei do Sexagenário foi promulgada, um escravo de 30 anos valia 900 mil réis. No entanto, um de sessenta, valia apenas 200 mil réis, dada à sua fragilidade física, exaurida por décadas de trabalho. Ambos, no entanto, eram considerados “coisas”.
Hoje, os aposentados estão sendo considerados menos do que “coisas”, pois também chegam à aposentadoria frágeis. Cartas “fora do baralho”.
Infelizmente.
O Brasil tem que mudar e valorizar os seus idosos!
Pense nisso, antes de votar!
Antônio T. Ayres