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03 abril, 2009

O AMOR ENTRE UM HOMEM E UMA MULHER

amor-verdadeiro03 Já há algum tempo, venho considerando a possibilidade de escrever um post sobre o amor. Não o amor ágape (aquele amor incondicional que podemos manifestar por qualquer pessoa, por todas as pessoas ou por uma causa a qual nos dedicamos), entre outras possibilidades.

Mas, o amor eros, que também pode ser ágape,mas que sendo eros pressupõe uma ligação amorosa entre um homem e uma mulher, que é o fundamento para todos os apaixonamentos e que, em sendo também de natureza sexual, está na base do chamado instinto de preservação da espécie.

E, abordando essa questão, algumas outras surgem por via de consequência: Será que existe amor à primeira vista? Será que o amor romântico é também o amor paixão?

Será que o amor entre um homem e uma mulher pode durar a vida toda ou será que, a partir de um determinado ponto da existência, os casais simplesmente se acostumam com a convivência (na melhor das hipóteses), ou passam a se suportar (na pior delas)?

São questões pertinentes, que fazem parte do universo de reflexões daqueles que se preocupam verdadeiramente com a qualidade de suas vidas; melhor dizendo: com a qualidade de seus relacionamentos.

Para o psicanalista Rollo May, o amor homem-mulher é como o "encontro" que tem o artista inspirado, com a sua arte. Assim como um pintor,que, tomado pela inspiração, passa noites em claro, entregue à pintura de sua obra.

Não sente fome, não sente sono, não sabe se lá fora é dia ou noite. Está consumido pelo desejo de ver a sua obra de arte pronta e acabada, preparada para ser exposta e admirada. Assim também, para ele, seria o amor homem-mulher.

Já para Erich Fromm, outro notório psicanalista, o amor entre um homem e uma mulher é antes de mais nada, um ato volitivo, ou seja, um ato subordinado à vontade. Para ele, o homem ou a mulher decide que vai amar o outro. Seria, então, segundo sua visão, um ato de decisão.

Por sua vez, o psiquiatra Flávio Gikovate acredita que aquilo que chamamos de "amor", na verdade, seria outra coisa. Seria a necessidade que o ser humano tem de preencher o vazio que cada um de nós carrega em seu interior, como consequência do trauma do nascimento.

O preenchimento dessa necessidade, para ele, nada teria de romântico ou de "complementar". Deveria, muito mais, ser uma atitude racional e madura, entre pessoas que se elegem para um relacionamento.

Pessoalmente, prefiro uma posição intermediária entre essas opiniões: Penso que o amor deva ter um tanto da paixão-inspiração de Rollo May; um tanto da vontade ou decisão de Eric From e um tanto da racionalidade, de Gikovate.

E, cá entre nós, uma boa dose de romantismo não há de comprometer nenhum relacionamento no qual os parceiros se amam, pois um pouco de insensatez também faz bem ao coração "apaixonado" (entre ou sem aspas).

Tony Ayres

17 março, 2009

RELACÕES AMOROSAS TUMULTUADAS: SERÁ QUE VOCÊ CONVIVE COM UM MISÓGINO?

casal-brigando-300x218 O termo grego "misógino" é utilizado pelos psicólogos para designar a pessoa que odeia mulheres: miso = odiar e gyne = mulher. Isso, teoricamente falando, porque, na vida real, nem sempre é fácil reconhecer um misógino.

À primeira vista, ele é muito educado, gentil; e, em geral, considerado um gentleman. Tem muita facilidade em conquistar a mulher por quem está interessado, pois age de maneira extremamente amorosa, o que o torna quase irresistível.

Sua atitude demonstra um apaixonamento e uma dedicação tão intensos que, com o decorrer do tempo, fica cada vez mais difícil para a mulher estabelecer limites seguros e ser capaz de atribuir-lhe quaisquer responsabilidades na eventual geração de conflitos ou turbulências no relacionamento.

Na verdade, estabelece-se um contrato tácito (sem palavras, mas compreendido por ambos), no qual o homem vai, imperceptivelmente avançando nos limites, a fim de tomar pé de até onde pode ir com seu estilo manipulador e altamente controlador.

A mulher, por sua vez, a fim de "preservar" a relação", tenta ser boa todo o tempo e evita confrontá-lo. Com isso, evidentemente, o relacionamento fica assimétrico e ela, naturalmente, fragiliza-se cada vez mais.

Esse controle do misógino vai avançando de tal maneira que chega a alcançar as áreas financeira e íntima, prejudicando a sexualidade do casal. Ainda que a mulher faça tudo para evitar desentendimentos, ele acaba sempre convencendo-a de que ela sempre está errada.

Com o tempo, ela passa a medir cada palavra que pronuncia, uma vez que, confusa e cada vez mais perplexa, teme que tudo “desmorone” de uma hora para outra. À essa altura, ela já está irreconhecível e a sua auto-estima se encontra totalmente minada.

Torna-se difícil tomar qualquer atitude, uma vez que o homem utiliza argumentos que lhe soam tão lógicos para o bem da relação, que ela passa a chafurdar-se num mar de lodo emocional.

A única coisa que ele deseja é sentir que ela lhe dê mostras de seu amor incondicional por ele, através de muita compreensão e do atendimento de suas mínimas necessidades, sem demonstrar qualquer tipo de aborrecimento. Algumas vezes, ele estoura e, em seguida se arrepende, voltando a ser o homem maravilhoso do princípio...até que novo estouro aconteça.

Vale ressaltar que, a despeito dessa descrição avassaladora da atitude de um misógino, ele está totalmente inconsciente dela e sequer tem noção da dor que sua atitude produz no outro. Seu comportamento é, na verdade, um subproduto de sua história de vida na família de origem, que lhe causou um sofrimento psicológico, o qual não pôde ser evitado.

Geralmente, ele é oriundo de um relacionamento conturbado entre seus pais, com o qual aprendeu que oprimir a mulher é a única maneira de controlá-la.

Como adulto, ele “atualiza” a vivência sofrida no passado, buscando desesperadamente ser amado, ainda que de uma maneira totalmente deturpada.

Já em relação à mulher que tende a relacionar-se com um misógino; o mais provável é que ela tenha sido infantilizada pela sua família pregressa e, por essa razão, tenta encontrar no parceiro, suporte, apoio e amor, como forma de compensação.

Assim sendo, embora pareça que o misógino seja o carrasco e a mulher seja a vítima, a verdade é que existe um conluio entre eles. De uma forma doentia, precisam um do outro.

A solução para esse problema é um dos dois sair do círculo vicioso e começar a agir de uma maneira nova. Geralmente, quando isso acontece, existem três possibilidades:

1. A mulher mantém-se submissa, para conservar consigo o seu homem.

2. Ela prefere separar-se dele.

3. Ela decide investir numa nova relação com o mesmo homem.

As que optam pela última opção terão que elaborar a reconstrução de sua auto-estima, estabelecer limites claros, ser firmes perante o parceiro e assumir o seu lugar dentro da relação. Para isso, com toda probabilidade, elas necessitarão de ajuda terapêutica.

O resultado dessa atitude provocará uma solução do problema que provavelmente será: ou o seu misógino desistirá de ser o algoz para ficar a seu lado, ou desistirá da relação.

De qualquer forma, ela terá conquistado o resgate de sua auto-estima.

Toni Ayres

Baseado no livro: “Homens que odeiam mulheres & mulheres que os amam “, de Susan Forward e Joan Torres.